Surfe gaúcho novamente de luto

A comunidade do surfe gaúcho está de luto. No último domingo (2/6), o surfista Daniel Piqueres e Silva, 20 anos, morreu afogado depois de ficar preso a um equipamento de pesca enquanto surfava em Rainha do Mar, litoral norte do Rio Grande do Sul.

 

Segundo levantamento do deputado Sanchotene Felice (PSDB), autor de uma das leis sobre o tema, desde 1978 pelo menos 44 surfistas morreram em função de redes de pesca.

Ao pegar uma onda em frente à guarita 101, Daniel Piqueres e Silva foi surpreendido por um cabo, que passou por cima de sua prancha e por baixo de seus pés. Em segundos ele desapareceu da vista dos companheiros.

 

De acordo com Fabiano Oliveira da Silva, 22 anos, um dos amigos de Daniel, da areia ninguém percebeu a presença de redes nas proximidades.
 
Uma equipe do Corpo de Bombeiros de Capão da Canoa chegou ao local cerca de 20 minutos depois do acidente e foi necessário utilizar facas para cortar o equipamento de pesca. O jovem morreu 500 metros antes de chegar ao Hospital Santa Luzia, em Capão da Canoa.
 
No local, não havia placas para sinalizar se a área é destinada ao surf ou à pesca. No final de janeiro, entrou em vigor uma lei que obriga as

prefeituras a colocarem placas de sinalização em áreas destinadas ao surf, pesca e banho. 
 
De acordo com a nova legislação, os prefeitos podem ser responsabilizados criminalmente por mortes causadas pela falta de sinalização. A nova lei prevê multa a partir de R$ 106,41 para pescadores flagrados em local impróprio.
 

De acordo com o site Go Surf, o impasse para colocação das placas está relacionado à falta de verba, pois cada placa custa R$ 800 para ser produzida e seriam necessárias 250 placas para toda a orla gaúcha. Isto dá um total de R$ 200 mil. O governo estadual diz que não tem esta verba.

 

O site Go Surf elaborou uma lista com dicas de segurança para os surfistas gaúchos
 
1 O mais importante na beira da praia é verificar para que lado está a corrente e visualizar qual sua intensidade. Neste momento é preciso cuidado para não ser enganado pela direção do vento. Lembre-se que nem sempre a direção do vento é a mesma da corrente;

 

2 Olhando em direção ao horizonte, caminhe para o lado da rede que a corrente está vindo. Exemplo: Se a corrente é de sul, você passa para o lado sul da rede e vice-versa;

 

3 Estabeleça um local na beira da praia para usar como referência de sinalização para a rede quando você estiver dentro da água. O importante é que seja um ponto bem visível e que não cause ilusão de ótica, muito comum para quem está no mar surfando. Desta forma, quando estiver se aproximando deste ponto, saberá que ali está a rede e, portanto, é um local para ser evitado;

 

4 Caminhe em direção oposta à rede (para o lado que você já deve estar, conforme o passo número 2) até encontrar uma outra rede ou calcular mais ou menos a distância que você já teria surfado até chegar à rede que você sinalizou, pois ao entrar no mar a corrente arrastará até ela. A caminhada na praia é para você conferir pessoalmente se não existe mais nenhuma rede na faixa de água que você vai surfar. Notem que dependendo da intensidade da corrente esta caminhada pode ser de dois quilômetros ou mais. Se a corrente não for muito forte e der para segurar no braço, a caminhada pode ser de uns 200 metros;

 

5 Aqueça, alongue e entre no mar. Surfe todo o percurso que você caminhou pela beira da praia e, quando chegar próximo ao ponto de referência que você selecionou para a rede inicial, saia da água antes de chegar nela sem vacilar. Se você acha que surfou pouco e ainda não fez a cabeça, repita o procedimento, surfando somente na zona considerada segura e sem redes;

 

6 Nunca entre no mar sozinho;

 

7 Nunca deixe ser levado pela corrente sem percorrer a praia antes;

 

8 Em caso de acidente, mantenha a calma e procure concentrar-se na respiração para não perder o fôlego;

 

9 Sempre observe a entrada da série para não ser surpreendido por uma onda sem ter pego ar antes;

 

10 Se você se enroscar na rede e ficar preso, procure soltar a cordinha o mais rápido possível e visualizar a rede, tentando passar por cima dela;

 

11 Respire e mantenha a calma sempre. Lembre-se: muitas vezes entrar em pânico é a pior solução. Se você mantiver a calma, terá mais chances de se salvar.

 

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