Surfe em risco na Ilha da Madeira

O termo “cirúrgico”, muito em voga devido às técnicas de destruição dos senhores da guerra americanos e seus ataques à bomba localizados, também pode ser aplicado à forma como o governo regional madeirense resolveu intervir na orla costeira da ilha, afetando “cirurgicamente” as principais zonas de surf do chamado “Hawaii europeu”.

 

Tempos atrás, a revisa Surf Portugal denunciou os planos traçados pelo governo regional, que punham em perigo ondas de qualidade reconhecida, como a Ponta do Jardim, Paúl do Mar e Lugar de Baixo, na costa sudoeste, e Ponta Delgada, Contreiras e Fajã da Areia, na costa norte.

 

Houve protestos em várias frentes, envolvendo surfistas, grupos ambientalistas, membros do governo e populações locais. Mas as obras avançaram, algumas delas estão já próximas da conclusão, outras seguem em fase adiantada e, entretanto, já há

rumores de novas intervenções em zonas anteriormente não previstas, como é o caso da Ribeira da Janela, um dos mais bonitos line-ups da costa portuguesa e uma das poucas ondas de qualidade superior – que tinha passado despercebida aos olhos dos responsáveis pelas obras.
 
Tudo se deve a construção de um muro de proteção em volta do Jardim do Mar, uma obra necessária para conter a erosão que ameaça o local. Porém, interesses imobiliários acabaram por extrapolar as obras anteriormente previstas, com a construção de uma passarela de duas faixas e 1,5 quilômetros de extensão e estacionamento no local. 
 
Em virtude dessa ameaça, no início deste ano foi organizada uma ação de esclarecimento, na qual alguns surfistas procuraram explicar à população que com algumas modificações no projeto, o muro de proteção poderia ser construído sem destruir as ondas.

 

A polêmica acabou provocando o envolvimento das associações ambientais Quercus e Cosmo, bem como o LudiGim Aventura Clube, que apresentaram uma queixa conjunta no Tribunal Administrativo do Funchal contra o Governo Regional e as Sociedades de Desenvolvimento, acusadas de violarem a Lei de Ação Popular e a legislação relativa à realização de estudos de impacto ambiental.

 

Na prática, a obra, feita à base de enormes blocos de cimento parcialmente despejados para dentro de água, acabou afetando a onda. Segundo o surfista local Belmiro Mendes, a onda do Jardim nunca mais será a mesma.

 

“É só backwash e está um perigo! E ainda ninguém viu aquilo num dia grande”, contou Belmiro, que já surfou num dia de ondas pequenas e durante a maré vazia.

 

Mais informações serão divulgada na edição de agosto da Surf Portugal. Clique aqui para saber mais detalhes sobre o fim das ondas de Jardim do Mar.

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