Por trás das notas

Surfe caminha de vento em popa

Desde o mês passado, a Billabong Brasil, multinacional do mercado do surfwear, está sendo dirigida por um executivo estrangeiro, o que na minha opinião configura um novo estágio e reflete o tamanho e a importância do surfe em nosso país.

 

Um dos esportes mais independentes do mercado, o surfe tem vida própria, mídia segmentada, indústria de roupas e equipamentos e gera empregos de norte a sul do Brasil.

 

Mudou sua imagem e hoje vive uma fase de crescimento ordenado e constante, principalmente devido às escolinhas que ajudam o esporte a avançar numa faixa da população que era inatingível, incluindo aí as mulheres.

 

Nada acontece por acaso, e para que as hoje as coisas estejam do jeito que estão, muitos anos se passaram, muitas experiências foram necessárias e muitos caminhos foram percorridos. Ainda temos muito à fazer, mas a base de sustentação de um esporte é seu número de praticantes e sua estrutura organizacional, e nessa parte o surfe nunca esteve tão bem.

 

A CBS (Confederação Brasileira de Surfe), com seu trabalho de estruturação e moralização das federações e associações, está conseguindo criar uma base sólida de desenvolvimento em toda costa. São 15 filiadas com 250 membros em média competindo em todo país.

 

Com a cobrança de ação e a legalização, aos poucos estamos criando os tentáculos de uma organização forte que já conseguem ser atuantes na comunidade e representação de verbas junto às secretarias de esporte estaduais e municipais.

 

Temos o SuperSurf, circuito profissional interno mais forte do mundo, com estrutura de organização profissional e patrocinado por poderosas multinacionais. Temos várias etapas do circuito WQS, classificatório para o mundial e uma do WCT, o Grande Slam do surfe, onde temos nove surfistas na elite.

 

O surfe está na publicidade de grandes campanhas de carros, de produtos de verão e até de previdência privada. Nossa imagem mudou. As marcas do surfe estão profissionalizadas e as maiores, que dominam o mercado, faturam milhões por mês. Os números são bons e temos muito potencial de crescimento. Por outro lado, o salário dos surfistas profissionais ainda deixa a desejar, só a elite realmente ganha bem.

 

A questão do pós-surfe também está mal resolvida, como lembrou o Ricardo Bocão na Fluir. As marcas no Brasil oferecem poucos trabalhos para seus patrocinados nas áreas de marketing, ao contrário de Estados Unidos e Austrália, que sempre empregam seus ex-competidores para usar sua experiência e identidade com o surfe.

 

Talvez aí esteja parte do problema dos salários dos surfistas profissionais. Esta é uma discussão longa que trata de perfil profissional, carisma e capacidade, mas se não há um direcionamento durante a vida útil de competidor, depois fica difícil de acompanhar o trem das coisas. Boas ondas e vida longa.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)