
Marcos Maraco, ou simplesmente Maraco, 40 anos, natural de Niterói, terra de Guilherme Herdy e das potentes ondas de Itacoatiara, é um importante personagem do surfe carioca.
Maraco é um daqueles empresários do surfe que colocam o idealismo pelo esporte acima de qualquer outra coisa.
Proprietário da loja Hot Coast, ele vem patrocinando há anos um circuito já tradicional na Zona Sul carioca. Foram seis circuitos nos últimos 10 anos, todos recheados de premiação, que revelaram vários surfistas que hoje formam a tropa de elite da nova geração carioca.
Através de seus campeonatos, diversos atletas começaram a traçar a base de suas carreiras. Nomes como Stephan Figueiredo, Daniel Hardman, Anselmo Correia, entre outros, começaram a construir sua carreira profissional tendo como desafio vencer as etapas do circuito Hot Coast de Surfe, sempre realizado no Arpoador e em Ipanema.

“Sempre acreditei que era fundamental criar um circuito e movimentar o esporte para que o surfe sempre estivesse se renovando”, afirma Maraco, que não nega o seu verdadeiro ídolo e inspirador: Roberto Valeiro.
“Ele foi meu exemplo e nunca poupei esforços para manter um circuito de surfe”, conta empolgado. Essa admiração é expressa não só nas atitudes, mas na foto de Roberto Valério estampada na parede da loja.
Aliás, empolgação é o que não falta nas atitudes de Maraco. Fala alta, gestos largos e expansivos, um jeito quase marrento de se expressar e muita determinação são suas características principais.
O que faz desse empreendedor um personagem especial no surfe carioca não é apenas o fato de ele realizar campeonatos, e sim a simplicidade de sua pequena e única loja, na Galeria River, tradicional reduto do surfwear em Ipanema.
Apesar dos pesados investimentos que Maraco faz (circuito com quatro etapas por ano, premiação em equipamentos para todas as categorias, estrutura de campeonato

profissional, etc), a Hot Coast é uma única e humilde loja e, se formos analisar tecnicamente sua estrutura, ela ainda guarda características das primeiras lojas do segmento.
Não espere encontrar iluminação sofisticada ou recursos especiais. Em aproximadamente 20 metros quadrados apertam-se todas as mercadorias. Nas paredes e na porta, fotos de surfe com atletas em dias clássicos no Arpoador, enquanto na vitrine, mercadorias das mais diversas disputam lugar. Em suma, uma loja de surfe ‘raiz’.
Quando comparada com outras lojas existentes no mercado é inevitável a pergunta: se uma empresa da estatura da Hot Coast consegue fazer tanto pelo esporte, por que outras redes de mais de 20 lojas e presentes nos principais shoppings do Rio de Janeiro não oferecem o mesmo tipo de investimento ao surfe?
Maraco não se cansa de mostrar esse raciocínio para reforçar como falta ideologia na maioria dos empresários de surfwear, que ao seu ver, só querem saber de lucrar e não de investir seriamente no desenvolvimento de talentos, que segundo ele, só virão através de competições consistentes.

Ele chega a se vangloriar de não ganhar praticamente nada com os campeonatos que organiza: “Minha única fonte de ganho nos campeonatos era o que sobrava da inscrição dos atletas, que nunca passava de uns R$300. Tudo que eu consegui com os fornecedores, eu repassava para os atletas na forma de premiação, essa é minha forma de trabalho”.
Suas colocações são realmente provocantes e fazem qualquer um refletir. Afinal, como pode algumas marcas de surfwear ter um porte tão maior do que a Hot Coast e não investirem num circuito de surfe ou mesmo numa equipe estruturada de atletas? Certamente não deve ser por falta de dinheiro…
Para esse ano, Maraco pretende reeditar seu circuito, mas para isso precisa de apoio dos fornecedores, o que está meio escasso, segundo ele. “Continuarei lutando pelo que acredito”, avisa. Boa sorte e que bons ventos alimentem seus projetos. O surfe agradece.