Tomas Hermes

Dia raro em Barra Velha (SC)

Na minha casa, em Barra Velha, no estado de Santa Catarina, há um pico em que surfo praticamente todos os dias. No encontro do rio Itaperiú com o mar, existem dois molhes de pedras que fazem um grande canal.

Sempre tem uma onda para fazer um surf, tanto no molhe direito quanto no esquerdo. Depende da ondulação, mas, sempre que vou surfar no lado direito do molhe, tenho que atravessar o rio. Tem uma parte do rio em que ficou com uma bancada de areia, onde os pescadores ficam jogando redes. 

Certo dia, depois de uma sessão do lado direto, decidi sair por essa bancada de areia e vi uma micro onda quebrando ali. Então pensei comigo: “Em alguma troca de maré deve rolar onda nessa bancada!”. Dito e feito. Dois dias depois, por curiosidade, fui olhar essa onda, e lá estava ela, uma mini onda entrando muito perfeita. Surfei na parte da manhã por 30 minutos, pois a onda só quebrava na troca da maré.

Voltando para casa, pensei que seria irado registrar isso, e naquele dia a troca da maré era no fim da tarde. Quando cheguei em casa falei da onda para minha esposa. Ela estava livre naquele dia, então voltamos para tentar filmar. Consegui pegar altas ondinhas por 40 minutos sozinho dentro de um rio, onde o pôr-do-sol é incrível. Foi algo surreal.

Depois desse dia continuei indo até a bancada para ver se a onda está quebrando, mas ela não quebrou mais. De agora em diante é um ponto de interrogação se algum dia ela irá quebrar novamente. Foi um dia único e incrível!! Um dia que não tenho como descrever.

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Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

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