
Na última segunda-feira, a Waves Promoções, em parceria com a Associação Brasileira de Indústria Têxtil (ABIT), promoveu a palestra “Quem se importa, exporta!”, na sede da entidade, na Vila Buarque, São Paulo.
O objetivo foi esclarecer os princípios básicos das exportações aos expositores da Surf & Beach Show 2004, que acontece entre 29 de junho e 2 de julho no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo, e receberá cerca de 30 mil compradores, do Brasil e exterior, durante os quatro dias de evento.
Os empresários lotaram o auditório da ABIT e receberam informações sobre planejamento de coleções, preço para exportação, adequação de
produtos, contatos para comércio exterior e

participação em feiras internacionais.
“A cada ano que passa, a Waves Promoções busca profissionalizar cada vez mais o setor oferecendo ferramentas eficientes que culminem no sucesso de vendas da marca, tanto no Brasil como no exterior”, explica Cecília Castro de Andrade, diretora-executiva da Waves Promoções.
“Não queremos que aconteça o mesmo que no ano passado, quando alguns expositores não se prepararam para receber os compradores internacionais. A Surf & Beach aposta na qualidade dos produtos nacionais e temos que aproveitar o momento de evidência pelo qual a moda brasileira está passando atualmente no exterior”, destaca.

Para a diretora-executiva da Waves Promoções, um bom exemplo do destaque da moda brasileira no exterior é o evento ‘Brasil 40º’, que acontece durante o mês de maio na tradicional loja Selfridges, da Oxford Street, em Londres.
Para dar uma idéia do destaque dado ao Brasil, foi colocado um Cristo Redentor de 13 metros de altura na fachada da loja e 30 marcas brasileiras já desfilaram no evento.
Antes de a palestra ter início, foi entregue o manual de participação dos expositores e as
fichas de pré-cadastramento de visitantes.
O treinamento serviu como preparação
para as Rodadas de Negócios com compradores

internacionais, que participarão da feira trazidos pela ABIT e a Agência de Promoção de Exportações (APEX), com todas as despesas custeadas pelas entidades.
A Surf & Beach Show deste ano contará ainda com um centro de apoio às exportações, que reunirá estandes da ABIT/APEX, com salas de reuniões e intérpretes, além de um espaço reservado ao despachante aduaneiro alfandegário Armazéns Gerais Columbia.
A abertura das palestras, inclusive ficou a cargo de Patrícia Ferrero e Ferdinando Manzoli, dos Armazéns Gerais Columbia, que falaram brevemente sobre o trabalho de logística

aduaneira e enfatizaram que estarão à disposição dos expositores durante à feira.
Na seqüência, foi a vez de Renato Jardim, da área de comércio exterior, e Geni Ribeiro, gerente de promoção comercial, ambos da ABIT, entrarem em ação.
Geni Ribeiro alertou para o fato de o exportador ter conhecimento das exigências técnicas que o produto necessita se enquadrar para entrar e circular livremente pelo país de interesse.
Também é importante saber que as leis diferem de um país para o outro e podem mudar com o passar do tempo, além de ficar atentos

aos aspectos culturais de cada nação.
“Não é correto dizer, por exemplo, que os biquínis brasileiros são perfeitos para as européias. O que faz sucesso lá fora é o conceito e a qualidade do produto, adaptado ao padrão do país para o qual será exportado. Na Europa, as mulheres primam pelo conforto sempre. Sendo assim, é evidente que o biquíni brasileiro modelo fio-dental não é o mais indicado para as européias, e sim uma adaptação do modelo. Os
aspectos culturais devem ser levados em conta na hora de exportar”, esclarece Geni Ribeiro.
Outro erro comum cometido pelos exportadores

é cobrar um preço muito alto pelo produto. “Geralmente, os compradores têm consciência do valor, por isso não adianta colocar qualquer preço e superfaturar”, esclarece.
De acordo com Renato Jardim, a maneira mais eficiente para chegar ao valor ideal é levar em conta os custos decorrentes das operações específicas de exportação e embutir no preço final.
“Também é preciso ficar atento ao custo por peça no envio da mercadoria e conhecer os impostos do mercado para o qual o produto será exportado. Geralmente, o comprador internacional quer o produto como se o estivesse adquirindo no mercado interno. O ideal

é colocar 5% a mais para não correr o risco de ter prejuízo”, aconselha Jardim.
Segundo Geni Ribeiro, o trabalho de exportação leva tempo e necessitar de muita atenção para se chegar a um bom resultado. O ideal é contar com agentes especializados e criar um departamento próprio para o setor dentro da empresa.
“Uma pessoa sozinha não consegue dar o atendimento correto aos compradores. Com isso, eles sentem-se desestimulados e principalmente mal atendidos. É preciso também que haja investimento, como no envio de amostras. Tudo isso faz parte do jogo”.
Na feira deste ano, os compradores estrangeiros

terão liberdade para escolher de quem eles querem comprar, ao contrário do que ocorreu no ano passado, quando as reuniões foram agendadas antecipadamente.
Os expositores que prestigiaram o evento aprovaram a iniciativa da Waves Promoções.
“Adorei a palestra e achei muito interessante. É muito importante que todos participem. Viajei 27 dias pela Europa e Oriente e vi Brasil em todos os lugares. Nosso país está na moda e temos que nos preparar cada vez mais para atender ao mercado internacional. Minha expectativa para a feira é vender muito”, comenta Fátima Santos,

proprietária da empresa capixaba de surfwear feminino e moda praia que leva o seu nome.
Luciana Fernandes, coordenadora de vendas da marca de calçados e bolsas Yepp, gostou do evento justamente por ter sido bastante informativo. “Esta palestra com certeza agregará valor à nossa exposição durante a feira deste ano. Foi superimportante para sabermos por onde começar e dar o direcionamento certo às nossas ações”.
Mesmo sendo uma das empresas que mais exportam no segmento, com mais de 300 produtos na coleção e atuando em cerca de 18 países, a Mormaii não deixou de enviar um representante para a palestra.

Elisangêla de Freitas Elizeu, coordenadora do departamento de exportações da marca, veio a São Paulo conferir o evento. “A palestra foi muito importante para focar no objetivo do negócio, pois às vezes os brasileiros enrolam e não chegam ao ponto principal. Mesmo já conhecendo o assunto é importante relembrar. Nossa expectativa para a feira é a de continuar abrindo novos negócios e entrar em novos mercados”, explica ela.
O empresário Jaime Pereira, da Magia do Mar, acredita que eventos como este são fundamentais para o crescimento do mercado. “O trabalho tem que ser feito em grupo porque sozinho ninguém consegue nada. A troca de experiências e informações é muito importante na atual situação em que se encontra o mercado”, lembrou.
O Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior disponibiliza serviços e informações para orientar e apoiar a exportação em geral. Mais informações podem ser encontradas no site Portaldoexportador.gov.br .
O Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) tem um departamento exclusivo para fornecer informações sobre exportações: o Ponto Focal de Barreiras Técnicas às Exportações, que informa gratuitamente ao exportador brasileiro as exigências técnicas dos países membros da Organização Mundial do Comércio.
O site para obter mais informações é Inmetro.gov.br/barreirastecnicas ou pelo telefone 0300-78-91818.