
Eu já estava em Ubatuba havia dois dias e ainda não tinha conseguido fotografar o tal ciclone, por vários motivos, como falta de luz, distância das ondas, chuva, etc… Até que na sexta-feira (22/5) encontrei o local Alexandre Costinha na praia Grande.
“Amanha vamos logo cedo para um pico que você não vai acreditar, se estiver quebrando vai estar grande! Do jeito que eu gosto”, disse o Corvo, como é chamado pelos amigos.
Isso já era fim de tarde e fui para casa, na Lagoinha, imaginando que pico seria esse. Já fui em vários, inclusive com o Zecão, que na minha opinião é o cara que mais conhece os secrets de Ubatuba, mas esse me parecia realmente desconhecido.

Ao chegar em casa, liguei para meu brother Saulo Junior e fechamos uma barca pequena, mas com muita consistência, pois do jeito que estavam o mar e as previsões para o dia seguinte, teríamos ondas grandes e arrebentação sinistra.
Às 7:30 horas do dia seguinte já estávamos na estrada em busca das ondas novamente. Apesar de perigoso e cheio de curvas, o trajeto até o pico é repleto de belezas naturais, com a mata atlântica de um lado e o oceano do outro. Cruzamos a fronteira Rio-SP.
Fomos nos divertindo com as histórias cabulosas do Costinha, que nos faz acreditar que o surf ainda tem muita atitude. Ao chegarmos, paramos o carro e pegamos uma trilha de uns 40 minutos, com muita subida e descida.

Depois de caminhar um tempo comecei a pensar como o equipamento fotográfico para o surfe é pesado. No começo pesa 5 kg e no fim já se tem a sensação de uns 20 kg nas costas. Mas depois de chegar na praia e avistar o mar, a sensação de recompensa e adrenalina é mais forte que o cansaço.
A arrebentação estava realmente muito longe e as ondas tinham cerca de 2,5 metros na série, com direitas mais longas no pico e esquerdas no shore break sinistras e largas. Saulo e Costinha entraram logo e aí começou a insanidade, com drops atrasados, vacas, tubos, cavadas, surf de responsa.
Os tubos da esquerda eram muito ocos e largos e renderam as melhores imagens, mas as direitas também fizeram a cabeça, pois eram maiores . Costinha acabou quebrando sua prancha, mas pegou bons tubos, e Saulo pegou as melhores esquerdas do dia.
Ficamos ali curtindo a natureza e a vibração positiva de um dia de surf de verdade e pegamos a trilha de volta com a cabeça mais do que feita. Depois pegamos o carro e ainda presenciamos um lindo pôr-do-sol na volta, completando o dia perfeito de altas ondas num pico secreto, sem crowd e com a natureza intacta.
Confira a galeria de fotos completa da barca.