Angela Bauer

Super SUP

 

Angela Bauer treina para surfar Sunset Beach de SUP. Foto: Manu Scarpa.

Engajada na defesa do meio ambiente, Angela Bauer usa equipamentos ecologicamente corretos. Foto: Sérgio Falcão.

Nos últimos dois anos, decidi aproveitar minha experiência no longboard e bodyboard e comecei a pegar de SUP. Me dei bem e sou atual campeã carioca da categoria, mas o caminho é difícil e ainda tenho muito a aprender.

 

Usar um remo para fazer as manobras mudou completamente minha vida. Meu condicionamento físico está melhor, minha coluna parou de doer e isso representa bastante coisa na rotina de um atleta. Meus neurônios também foram estimulados e minha percepção da onda mudou. 

 

Fui obrigada a me concentrar mais, exercitar minha coordenação e minha criatividade para desenvolver novas técnicas, tanto para surfar quanto para atravessar a arrebentação.

 

Fiquei muito feliz ao conquistar o título de primeira campeã carioca de SUP. Pretendo produzir um quiver profissional, viajar e surfar ondas de todos os tipos. Equipamento é tudo, mesmo para os iniciantes. Vejo muita gente desistir depois de tentar aprender sob uma prancha de alta performance.

 

Prancha nova é uma alegria indescritível. Sinto-me realizada pelo fato de trabalhar ao lado de uma equipe maravilhosa, que valoriza meu trabalho e torce por minhas vitórias. Quando vejo minhas pranchas, fico emocionada. Depois de tantos anos de surf profissional, aprendi a valorizar o tempo e o capricho do shaper e da sua equipe. 

 

Sem querer, começo a pular de alegria, igual uma criança. Isso ajuda a manter o espírito jovem. Minha gun, feita especialmente para surfar no Hawaii, ficou irada. Exatamente como eu queria.  Será um grande desafio, como montar em um cavalo arisco.

 

Dropar uma onda grande com um SUP e saber que sua prancha vai te acompanhar na cavada e ter velocidade na parede é fundamental para um surf seguro e divertido. Obrigada shapers! 

 

Esta prancha é meu primeiro modelo de SUP para ondas acima de 1,5 metros. A coisa toda é muito séria. Vida ou morte a todo instante. A minha yellow gun passou no teste durante um swell de inverno na praia da Macumba. 

 

Segundo a galera local, dropei uma craca, a prancha obedeceu, segurou a pressão e me deu a velocidade necessária para fazer a onda até o final. Nenhuma prancha fica igual a outra e uma prancha mágica é uma obra de arte. Dou o maior valor. Vale destacar, o bloco que usei é ecologicamente correto e patrocinado pela EcoFoam, dá ainda mais vibe ao equipamento.

 

Em pouco tempo estarei pronta para ganhar o mundo. Venho treinando forte, quero dropar Sunset Beach e não existe lugar melhor para me preparar do que a praia da Macumba, quintal de casa. 

 

Para carregar a preciosidade, a  Surf Stuff me forneceu uma capa de prancha e uma de remo. Tal proteção traz certa tranquildade e aumenta a chance da prancha chegar inteira ao destino. A marca também me descolou com um deck irado, que fez a diferença. O deck que usava deixava a prancha muito pesada depois de molhado. 

 

Outro atleta que anda testando os decks da Surf Stuff é o surfista Stanley Ciesly. Na minha opinião, o cara tem um dos estilos mais galácticos do surf e no momento encontra-se na Indonésia. Atualmente, a Surf Stuff  estuda fabricar seus produtos com tecidos feitos de garrafas pet. Procuro me associar a empresas com preocupação ambiental e atitude empresarial ecologicamente corretas. Acredito que esse tipo de iniciativa faz a diferença.

 

As manobras no surf de SUP são as mesmas do surf de pranchinha. Portanto, já não me concentro em tirar um hang ten, mas batidas, tubos, floaters e até mesmo aéreos. Afinal, tudo é treino e as pranchas de SUP estão cada vez menores. Comecei com uma 9’6, atualmente surfo com uma 8’6 e encomendei uma 8’0 e uma 7’8.

 

Ando assistindo o filme Inside Teahupoo antes de dormir. Me ajuda a sonhar. Tem uma parte no extra que mostra vários tubos filmados por uma câmera com lente octogonal, adaptada atrás dos surfistas. As imagens são surreais. Ficar ouvindo o som do tubo é muito doido e imaginar estar dentro de um então, que sensação! 

 

Definitivamente, os tube riders são pessoas diferentes: energia, experiência e coragem a procura de segundos de interação com a natureza. Por isso, minha maior alegria é ter um equipamento especial para ondas tubulares. Tirei meu primeiro tubo de SUP na praia do Tombo, Guarujá (SP), e senti que o equipamento precisava de ajustes para ter mais velocidade na parede.

 

O drop de SUP é muito bom. Parece que você domou a onda. Não sinto mais vontade de entrar no mar se não for com meu SUP. Ou seja, não sou mais uma longboarder, mas uma stand up surfer. No outside, me sinto uma rainha que toma conta do seu reino e carrega seu cedro. Quando o mar sobe, é preciso escolher bem as ondas. Tudo fica mais difícil e emocionante.

 

Acho divertido furar uma onda de SUP e estou com a técnica cada vez mais apurada. Nada como um bom estímulo para te incentivar e fazer o universo movimentar-se a seu favor. A gente tira força não sabe de onde e o corpo todo acompanha o desejo pela aventura.

 

Certo dia, durante uma queda na Prainha (RJ), a rainha da série resolveu me pegar. Não dava para abandonar a prancha pois havia 50 cabeças em baixo do pico. Remei com toda força, joguei a prancha para dentro do lip e ela passou! Me desequilibrei, caí, mas rapidamente recuperei a bóia. Foi uma vitória e senti ter total controle do meu equipamento. 

 

Acidentes acontecem com qualquer tipo e tamanho de prancha, é fato. Mas a conscientização sobre precaução e segurança, infelizmente, ainda é tema pouco abordado nas escolas de surf. Fiscalização e boa formação de professores de surf são fundamentais para o crescimento ordenado da modalidade no Brasil. 

 

Me preocupo muito em não machucar ninguém. A tristeza e o stress de um acidente podem causar muitos prejuízos. Portanto, é melhor evitar. Ninguém sabe quando a onda perfeita virá. Ela pode abrir ou fechar. Você pode pegar a onda da vida ou levar uma pranchada na cabeça. Tudo pode acontecer. 

Então é melhor garantir a boa vibração e a harmonia dentro da água. 

 

Sei que é difícil. Outro dia, estava olhando para a onda e remando. Quando virei, tinha uma cabeça careca bem em baixo do meu remo. Quase dei uma remada na cabeça do cidadão. Ele não quis nem saber, estava obcecado em entrar na minha frente e pegar a onda. Fiquei nervosa. Podia ter machucado aquele senhor. Enfim, a gente tem que estar preparado para lidar com esse tipo de pessoa.

 

No meu ponto de vista, todo surfista deve fazer algo pela preservação da natureza e pela educação ambiental. Afinal, não pagamos nada para usar as ondas. É nosso dever e nossa salvação. Precisamos cuidar do que Deus fez para nosso prazer e diversão e preservar o local de trabalho dos profissionais.

 

Sempre que vejo um plástico no mar eu o pesco com meu remo, coloco na roupa de borracha e jogo no lixo ao sair da água. Se estou de biquíni, peço para o surfista ao lado guardar no bolso e jogar no lixo. A galera sempre coopera. Um gesto simples, que faz a diferença e estimula a preservação ambiental. 

 

Gostaria de agradecer o apoio da Superglass, Ecobras, EcoFoam, G-Zero, Kahana, RT Glass, Surf Stuff, Restaurante Natural do Recreio, RYGY Biquinis, LupaLupa, Farmácia de Manipulação Equilibrium, Corplaser, Ilana Levinson Psicologia Desportiva, HDB SPA e Gráfica Moderna. Um abraço especial para Lucas Reich da Casa da Coluna e para Janaína Barboza, médica responsável pelo meu tratamento de regeneração epitelial e muscular.

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