Por André Torelly
O maior objetivo da viagem para o Equador era realmente conhecer a cultura local e procurar picos perfeitos para o stand up paddle surf. Montañitas é o destino mais conhecido no país, tem toda infra estrutura necessária para o turismo, então decidi sair da zona de conforto e ir em busca de povoados.
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A intenção nestes dias era conviver com pessoas que moravam lá, nas mesmas condições para poder sentir como é a vida nestes locais. Viajando de ônibus pela costa parei em uma pequena praia chamada La Entrada, de lá caminhei atrás de um local para ficar, cheguei a uma pequena vila de pescadores com alguns surfistas, chamada Bototito. Na vila encontrei pessoas muito humildes e pobres que dependiam da pesca para viver. Ao chegar, causei um pouco de espanto. Estrangeiros são raros nessa região. Pelo olhar incrédulo dos moradores, acredito que o pensamento recorrente era: “O que um turista cheio de bagagem está fazendo aqui?”.
Fui muito bem recebido por um morador surfista chamado Cristian, que ofereceu sua pequena e humilde casa para eu ficar. Neste povoado vivi uma experiência incrível. Percebi que necessitamos de muito pouco para ser feliz, as pessoas não tinham praticamente nada, apenas algumas galinhas, cachorros e gatos. Sua moeda de troca era o peixe, mas o mais incrível era a felicidade de todos, com o sorriso sempre estampado no rosto.
As ondas eram incríveis, um fundo de areia perfeito garatia uma formação excelente.
No último dia no vilarejo fui convidado para fazer a pesca artesanal junto com os moradores. Foi uma grande honra. Saímos às 5h da manhã e pude presenciar a alegria daquelas pessoas ao retirar suas redes cheias de peixes, garantindo o sustento do povoado.
Ao ir embora tentei pagar pela hospitalidade e por tudo o que Cristian tinha me proporcionado, mas o mais incrível foi que ele não aceitou meu dinheiro e ainda me tratou como se eu fosse um amigo de longa data. Fiquei muito emocionado com esta atitude e consegui que pelo menos aceitasse uma camiseta minha como agradecimento.
Agora sigo para uma praia secreta no Equador. Pegarei dois ônibus e uma moto táxi, chamada “tuk tuk”, e mais 30 minutos de caminhada, espero encontrar boas ondas por lá!