Pouco a pouco, o SUP em água doce vai ganhando força. Foto: Ryan Guay
A força do Stand up Paddle é uma realidade. Seu crescimento segue de forma vertiginosa no mundo todo. Doug Palladini, presidente da SIMA – Surf Industry Manufacturers Association (associação norte-americana de fabricantes de pranchas e equipamentos de surf), declarou ao jornal Los Angeles Times, que o Stand Up Paddle está se tornando a maior força desse mercado e registros – ainda não oficiais – revelam que já se produzem mais pranchas de SUP do que de surfe.
Charlie Macarthur. Foto: aspen.com
O norte-americano Charlie Macarthur é um dos criadores da modalidade. Ele descobriu o SUP em Fiji, durante uma viagem, em meados da década de 90, e ficou fascinado. Estava diante de uma atividade que combinava surfe e remo, seus esportes prediletos.
Mito do surfe, Gerry Lopez rema tranquilo no rio. Foto: nytimes.com
As pranchas e equipamentos
Uma coisa que ficou clara para Charlie desde o começo foi o fato de que uma prancha para água doce precisaria de mais flutuação do que uma prancha para o oceano, pois a água doce tem menos densidade do que a água salgada. Em lagos e rios de águas calmas, uma prancha de SUP comum, feita para o mar, funcionava bem, mas a coisa mudava completamente de figura quando o assunto era descer uma corredeira de rio.
Quilhas menores e mais maleáveis.
Corredeiras e rios rochosos tem como principal característica uma movimentação de água intensa (às vezes violentíssima) que gera ondas em várias direções e fortes correntezas. A profundidade muda a todo momento por conta das pedras e, por isso, quanto mais flutuação tiver a prancha, menor a incidência de impacto nas rochas e mais fácil a navegabilidade. Porém, os impactos seriam inevitáveis e a prancha precisaria ser resistente. A resposta veio inspirada nos botes infláveis de rafting e ambos desenvolveram uma prancha de SUP inflável, resistente a impactos e com ótima flutuação. As quilhas, outro problema, ficaram menores e mais maleáveis. A prancha recebeu o nome de “C-MAC ATB River Board” e logo passou a ser produzida em escala.
Rodrigo Resende desafia cachoeira em MT usando um SUP modelo ‘soft’. Foto: globesporte.com
Hoje já existe uma série de modelos de pranchas infláveis desenvolvidas para rios rochosos – da própria C4 e de outras marcas. Além das infláveis, outros tipos de pranchas também foram desenvolvidos para descer corredeiras. Conhecidas como ‘softboard’, as pranchas são feitas com um material macio, similar ao das pranchas de bodyboard. É uma prancha com bastante flutuação e com grande capacidade de absorção de impacto. E já há um terceiro tipo de prancha ganhando destaque, que é um modelo híbrido entre um caiaque de plástico rotomoldado e um SUP. A prancha possui, inclusive, relevos anatômicos que permitem que o praticante reme sentado ou em pé.
A prancha híbrida entre caiaque e SUP feita de plástico rotomoldado.
Quanto aos remos, não há diferença em relação aos usados no mar, mas, em corredeiras, muitos preferem usar as pás de plástico por ser um material mais maleável e mais barato.
Colete salva-vidas. Obrigatório nos EUA e indispensável à descida de corredeiras.
Além de prancha e remo, equipamentos de segurança são fundamentais quando se deseja descer um rio de corredeira a bordo de um SUP. A dinâmica da água nessas condições é bem diferente do que as do oceano e dependendo do percurso e volume das águas apresenta um alto grau de risco. As pedras que surgem a todo o momento são um risco inegável e por isso um capacete é item obrigatório. Mas elas não são o único perigo. Em regiões de queda d’agua, como barragens e cachoeiras, em dias de enxurrada e chuvas abundantes, a quantidade e força das águas aumentam muito e formam correntezas contrárias e redemoinhos que podem prender uma pessoa por um bom tempo em baixo da água. Daí a necessidade de se usar, também, um bom colete salva-vida para ajudá-lo a alcançar a superfície caso seja pego em uma situação dessas. Nos EUA há uma lei que obriga praticantes de SUP em corredeiras a vestir colete salva-vidas, capacete e a realizar algumas horas de um curso de primeiros socorros.
Marcus Steininger e Nils Hornischer
A lei norte-americana pode parecer exagero mas não é. Em 02 de setembro de 2010, na Alemanha, Marcus Steininger e Nils Hornischer, dois supistas acostumados a descer as corredeiras do rio Mangfall, na região da Baviera, decidiram juntar-se depois do trabalho para descer o rio como já haviam feito muitas vezes. Marcus e Nils eram remadores experientes e estavam equipados com coletes salva-vidas e capacete. Havia chovido muito e as águas do rio estavam bastante violentas. Mesmo assim eles optaram por descer o rio.
Como escapar de correntes contrárias
Fonte: www.vcsar1.org
Primeiro, mantenha a calma e não desperdice energia e oxigênio brigando contra a corrente, que movimentará você para cima e para baixo, em círculos. Quando estiver em baixo, projete seu corpo para frente, usando a força da própria corrente. Dessa forma você será lançado, na horizontal, para fora do fluxo, no caminho conhecido como “rota de fuga”.
Campeonato de River SUP. Foto: Toddy Patrick – whitewatersupchampionship.com
Já existem até campeonatos mundiais de SUP em rios e 2010 foi marcado por uma série de grandes eventos nos EUA. Um dos mais populares é o “Whitewater Stand Up Paddling Championship”, disputado em três modalidades: downriver race, que nada mais é do que uma prova de race descendo o rio, SUP cross – semelhante às etapas de SUP cross disputadas em praia – e até SUP surf, que é realizada em ondas que não saem do lugar, formadas pelo contato de elevações rochosas com fluxo intenso da água.
BRASIL
No Brasil, o primeiro campeonato brasileiro de River SUP foi realizado em 2013, em Foz do Iguaçu-PR, e foi vencido por Luiz Carlos Guida, o “Animal”. Saiba mais – clique aqui.
Agradecimentos especiais a Todd Bradley (C4waterman), Charlie Macarthur e Paul Tefft (riversup.com).









