A magia que envolve o arquipélago de Fernando de Noronha é difícil de ser explicada em palavras. É preciso conhecer de perto este pedaço de paraíso para compreender do que estou falando. Claro que existem outros picos alucinantes no mundo para se fazer uma surf-trip. Mas Noronha possui sua identidade própria, seu feitiço.

Começamos a planejar essa viagem no final do ano passado. É complicado para nós, que não vivemos do surf e estamos traçando nossas carreiras profissionais conforme nossos cursos de graduação, termos a certeza de que os planos irão se concretizar.

Mas como tudo na vida é um risco, e precisamos do surf para viver, ela aconteceu. A ?Noronha expedition? era composta por este que vos fala, Cadu, Zé Mônaco, Pedro ?Poly Shoes?, Masina, Dida, Rick, Geremia, Dani, Julinho, Marcão, Metello, Mauro, Marcelo e o fotógrafo Miguel Noronha, todos moradores de Porto Alegre (RS).

Chegamos na ilha no último dia 8 de março e ficamos até o dia 19. O visual da chegada, no avião, é alucinante. O piloto faz um ?tour? em torno da ilha. Não podemos reclamar dos serviços de Netuno. Fomos recepcionados com um swell de 7 pés, onde a turma ficou dividida entre a Cacimba e o Boldró.

A ondulação não estava encaixada e não tinha ninguém na água, mas a fissura batia mais forte. Nos dois dias seguintes ao fim de semana saiu aquele solzão e a Cacimba encaixou com 6 pés. Eram esquerdas cristalinas e cilíndricas. É inesquecível a visão dos amigos botando pra baixo. E o calor come. Ou fica dentro d?água ou vai pra sombra. A Cacimba possui uma vegetação que abriga do sol na encosta do morro. É o lugar de relax, na espera da virada da maré para a nova sessão.

Durante a noite, queríamos somente comer e dormir. É muito bom lembrar das jantas na pizzaria do Boldró ao ar livre tomando uma cervejinha e falando das ondas do dia. Ou do peixe na folha de bananeira na Vila dos Remédios. E o bufê do Biu, era comer a lasanha até se matar. Claro que tem sempre alguém disposto a buscar forças para ir incomodar no Bar do Cachorro.

Mas a qualidade do público feminino que lá nos deparamos não é mesmo ponto forte da ilha. E estes ?highlanders? não conseguiam (por razões óbvias) estar com a mesma disposição para o banho de madrugada. Nosso foco era o surf. Levantávamos antes do sol e íamos pegar onda para depois tomar aquele café da manhã na pousada Aleffawi. Alguns locais chegaram a perguntar se estávamos dormindo na praia, pois éramos os primeiros a chegar e os últimos a sair do mar.
Passamos por um período de chuvas no meio da semana e as ondas não apareceram. Conforme informação dos locais, que verificamos durante a trip, é necessário limpar o tempo e bater o vento sul para voltar a bombar. De certa forma, o período de poucas ondas serviu para conhecermos outros lugares paradisíacos da ilha, de visita obrigatória, e o mundo submarino alucinante daquelas águas transparentes.

Conhecer praias como Sueste, Sancho, Leão, Atalaia, Baía dos Porcos, Baía dos Golfinhos e fazer mergulho com cilindro é indispensável naquele lugar. Com a volta do sol e a chegada de um novo swell, o Bode começou a quebrar. Fica difícil de explicar as direitas ?a la Backdoor? que quebraram no fim de semana da despedida. Começou com 5/6 pés e chegou a 8. O negócio era colocar no trilho e se posicionar para o tubo. Alguns privilegiados que estenderam a viagem viram até o Abras rolar.

Quebramos pranchas, dropamos no limite, pegamos tubos, sofremos envelopadas, surfamos com velocidade e pressão, levamos wipe outs sinistros, fizemos amizades, mergulhamos, empilhamos pranchas nos bugues. Isso é Noronha. É a vida mostrando seu outro lado, mais simples e prazeroso, muito diferente deste cotidiano capitalista e estressante que levamos na cidade grande… Falta é coragem… keep on surfing! Valeu!!

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