Sonhando acordado nas Mentawaii

#Entre julho e agosto de 2001 alguns amigos de Porto Alegre e Santa Catarina fizeram uma viagem de sonho para as paradisíacas Ilhas Mentawaii, na Indonésia. Integraram a barca o fotógrafo e cinegrafista profissional catarinense Flávio Vidigal (exímio mergulhador e especialista em imagens dentro d’água), Sérgio Sirotsky (Diretor do grupo RBS/SC), Bebeto (da Pousada Rosa na praia do Rosa – SC), Eduardo Sukienik, o “Dudu”, 35 anos, Wilson Nei, 39 anos, Rodrigo Azambuja, o “Magrão”, 37 anos, e Eduardo Alves, o “Duda”, 37 anos, além de Tony Franceschi, André Chiavone e Beto Müller.

Todos os participantes da trip são profissionais de sucesso nos mais variados ramos de negócios, possuem filhos e famílias constituídas. Além disso, eles também têm em comum o fato de serem surfistas de coração e sempre estarem presentes quando quebram clássicas a Silveira ou a praia da Vila. #A viagem estava sendo idealizada e planejada há vários anos e foi um sonho que virou realidade.

O barco que levou a galera é o Glen Eagle, de 68 pés, o mais rápido da região ? e operando pela primeira vez nas ilhas ?, com dois motores V12 de 850 Hp e dois motores auxiliares de 6 cilindros (um para gerador e outro para ficar de reserva em caso de pane nos motores principais). Ainda vem equipado com sistema de ar condicionado central 24 horas, ambiente climatizado e cinco cabines, sendo uma suíte. O barco é australiano com bandeira da Indonésia. O capitão foi o australiano Mark, de 41 anos, pela 20ª vez percorrendo as ilhas Mentawaii.

#O grupo partiu de Padang com a estratégia de aproveitar a potência dos motores e navegar a noite inteira para chegar bem ao sul das Mentawaii, onde as trips geralmente terminam. Assim iriam aproveitar melhor o swell que estava rolando e surfariam com menos crowd. Enquanto a maioria dos barcos que operam na região (em torno de 20), começam a surf trip em Playgrounds, eles partiram para Lance’s Right (mais distante) e se deram muito bem.

Confira o diário de bordo da barca (por Tuca Gianotti – Go Surf):

1º Dia
Primeiro dia de surf. A expectativa era grande, mas ao acordar… surpresa geral e nada de onda! Mas em cerca de 45 minutos, o mar flat aumentou e a galera surfou direitas de 2 à 4 pés em Lance’s Right, uma rasa bancada de coral perfeita. À tarde, Lance’s Left, o pico ao lado, estava bem maior, com cerca de 6 à 8 pés e altas ondas.
2º Dia
A galera acordou e surfou novamente em Lance’s left com 6 à 8 pés plus e perfeito. À tarde foram para Macarronis, onde surfaram esquerdas perfeitas com 3 a 5 pés. Macarronis é um dos picos mais badalados e fotografados das ilhas Mentawai. Também há um excelente local para mergulho em um canal de água salgada, onde a corrente leva os mergulhadores no meio de um mangue, sem precisar bater os pés.

3º Dia
De manhã rolou a votação, que mais tarde se tornaria uma constante em toda a trip. Tratava-se da guerra de interesses entre os regulares e os goofys. Acabaram decidindo ir para Rag’s right, que estava clássico, com 5 pés de onda. À tarde, após nova votação, os goofys ganharam e rumaram para uma esquerda conhecida como Thunder’s, que quebra com swell oceânico. “É uma onda difícil, ela vem gorda e te cospe para frente no meio do mar. O power é semelhante ao Hawaii”, comenta Wilson. O surf estava pesado, com 6 pés, meio bump, mas perfeito. No final de tarde Bebeto caiu de cara no coral e se machucou feio, foram dois dias a menos de surf.

4º Dia
O barco amanheceu em frente a Thunder’s, onde eles surfaram ondas semelhantes ao dia anterior, só que desta vez estava lisinho, show, 6 pés de sonho e altos tubos. À tarde rolou nova votação e desta vez os regulares ganharam e foram para Rag’s right, onde encararam um surf power de 4 a 6 pés.
5º Dia
Rolou nova votação e os goofys ganharam. O barco ruma para as esquerdas de Macarronis, onde ficaram até o final do dia. O surf foi o mais hot-dog possível, com ondas fáceis de 3 a 4 pés, perfeitas, que proporcionavam até 15 manobras. Show de surf e a galera de cabeça feita no final de tarde!

6º Dia
Acordaram e foram surfar em Telescope’s, uma bancada localizada a 600 metros no meio do oceano. O mar estava com 4 a 6 pés e a onda é uma esquerda grande, forte, perigosa e perfeita. Após o almoço teve nova votação e os regulares ganharam e rumaram para Triple Fuck. É uma direita rápida, difícil de passar as seções e as manobras precisam ser feitas com bastante velocidade. Após o surf, voltaram para dormir, ancorados em Telecope’s.

7º Dia
O surf em frente ao barco não estava legal e eles resolveram ir para Playground’s, que é um lugar onde há seis picos distintos. Foram cinco horas de viagem com a galera olhando Dvd’s de surf e fissurada para cair na água. Ao chegarem no pico, optaram por surfar em Gladiator’s, uma esquerda clássica que estava com 4 a 6 pés, onde surfaram até o final da tarde. O detalhe é que esta é uma onda rar e só estava quebrando porque o swell era grande.
8º e 9º Dia
Ficaram dois dias surfando nos picos de Playground’s, onde há Gladiator’s, Uncle’s right e Ruffles. Foram dois dias de muito surf, relax e sossego. Eles só tinham o trabalho de observar a direção, o tamanho do swell e escolher o melhor pico para dar o surf. Ocorriam várias tempestades homéricas com ventos fortes, mesmo fora do período das Monções Asiáticas, que caracterizam estes fatores climáticos.

10º Dia
Último dia da viagem e Netuno havia reservado o maior presente para os integrantes da barca. Os regulares insistiram e voltaram para Bank Vaults, onde pegaram o mar de suas vidas. Direitas tubulares de sonho, com 9 a 12 pés e só a galera do barco na água. Foi o melhor surf da trip, com ondas que pareciam desenho de tão perfeitas. À tarde deram o último banho em Uncle’s Right, com 3 a 5 pés, só chinelada e manobras radicais. Foi para encerrar a viagem com chave de ouro! #À noite regressaram para o porto de Padang.

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Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.