Somos todos hipócritas!

Todos nós buscamos praias desertas, com ondas e visuais alucinantes. Quando encontramos, destruímos tudo: cortamos as árvores, aterramos os rios, removemos as dunas, poluímos as águas e enchemos o lugar de prédios…

 

Levamos saquinhos de lixo à praia, mas no caminho vamos jogando nossa sujeira na estrada, nas ruas, etc.

 

Gastamos dezenas ou centenas de milhares de reais para construir casas na praia, mas na hora de gastar mais quinhentos, mil reais ou um pouco acima disso (quantia irrelevante em relação ao total da obra) na instalação de uma mini-estação de tratamento de esgotos, reclamamos que o dinheiro não dá.

 

Mas pra fazer uma ligação clandestina jogando o esgotão numa vala ou naquele riozinho ali atrás, o dinheiro aparece. Incentivamos a explosão demográfica e o crescimento das favelas nos municípios costeiros, e depois reclamamos da falta de segurança.

 

Falamos mal de quem constrói sobre dunas, detona a Mata Atlântica e a restinga, aterra mangues, destrói áreas de encosta e morros, mas quando temos a chance, fazemos igual.

 

Ocupamos as áreas costeiras de maneira irregular e depois reclamamos da falta de infra-estrutura. Acabamos com a cultura caiçara, e depois reclamamos que “essa m… está igual a São Paulo”.

 

Influenciamos os locais da pior maneira possível, tentando transformá-los em drogados e vagabundos, ao invés de estimulá-los a melhorar de vida através do estudo, do trabalho, da informação e da cidadania.

 

Damos porrada no “haole” que veio pegar onda no nosso pico, mas não fazemos nada contra os caras que estão detonando e poluindo nossa praia. Jogamos o esgoto em valas, rios e no mar e depois vamos nadar/surfar no nosso próprio cocô – e no de nossos vizinhos…

 

Pagamos impostos altíssimos, mas não cobramos nada do governo – e ainda damos risada quando os políticos desviam dinheiro público. E mesmo quando pedimos por ações do governo, não fazemos a nossa parte.

Lotamos as praias no verão, quando não tem onda. O calor é infernal, cheio de mosquitos, tem fila pra tudo, o trânsito está insuportável, todos os lugares ficam lotados, falta água, falta luz, chove mais…. Tudo isso pagando o triplo do preço normal. E achamos legal.

 

Destruímos tudo com a desculpa de ganhar dinheiro suficiente para que nossos filhos vivam bem. Mas nos esquecemos que estamos privando eles de terem mares limpos, praias conservadas, florestas, fauna, etc. E que talvez a conseqüência dessa destruição torne o mundo inabitável num futuro não tão distante.

 

Pressionamos por leis mais restritivas quanto à ocupação do solo no litoral e por punições mais severas para os crimes ambientais. Mas somos os primeiros a desrespeitar essas leis e tentar dar um jeitinho pagando propinas e outros “por fora” para se dar bem.

 

Defendemos o extermínio dos tubarões só porque eles estão no mar, mas ignoramos sua importância na manutenção do equilíbrio dos ecossistemas marinhos.

Seguimos detonando pico por pico, mas ainda não sabemos o que vamos fazer quando todas as praias estiverem destruídas e poluídas de maneira irreversível.

 

Somos todos hipócritas…

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)

Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.