Gabriel Sodré

Conexão mexicana

O universo está em constante mudança, consequentemente nós também. Com a rotina do dia-a-dia, não nos damos conta de que tudo está diferente a cada momento. Se você parar pra analisar alguma coisa em detalhes, vai se assustar como está em constante mutação.

E o que isso tem a ver com surf? Tudo!

Nós, surfistas, temos uma percepção um pouco melhor que as outras pessoas com relação a este assunto, afinal uma onda nunca é igual a outra, e nos adaptamos a isso para surfar.

Como um cara apaixonado pelo nosso esporte, sou muito detalhista com tudo que envolve o oceano. Adoro estudar o swell, os mapas dos litorais buscando lugares propícios para a prática de surf, analisar as marés, os ventos, as bancadas e tudo que vai de uma forma ou outra influenciar nas ondas.

Acabei de chegar de mais uma temporada no México, e desta vez me assustei como as coisas mudaram.

Pra começar, a quantidade de mega-construções em Puerto Escondido é apavorante. Zicatela, que em sete temporadas nunca tinha visto uma semana sem ondas, desta vez ficou flat por duas. O sol escaldante de todo dia deu lugar a uma tempestade com quatro dias de chuva sem parar, alagando tudo. Difícil imaginar pessoas usando casacos em Puerto, mas isso era o que se via. Ondas que eu surfava sem ninguém e pensava que estariam ali pra sempre, já mudaram e não tem mais a qualidade de antes, além do crowd que hoje está impregnado por lá.

Cheguei à conclusão que tudo mudou por lá. Mas não posso reclamar disso, faz parte da vida. Aliás, eu tenho é que agradecer por ter vivido no passado os momentos que vivi, agradecer mais ainda viver isso agora, afinal foram duas semanas de flat mas os outros trinta dias foram de muito tubo. Peguei três swells animais em Zicatela, onda em que vejo a cada dia minha evolução e minha sintonia com aquele lugar crescer.

Agradecer por poder estar aqui preparado para novas mudanças, e torcer para que os tubos nunca acabem.

Obrigado a todos que fizeram parte dessa trip, obrigado Kronig e Superglass pelos foguetes ultra-resistentes e obrigado a Local Shorts pelas roupas iradas que me fornecem.

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Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

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