Depois da morte por afogamento de um turista goiano que passava a lua de mel em Imbassaí, no Reveillon, o município de Mata de São João (BA) começa a discutir a necessidade da instalação de um serviço de guarda-vidas.
Descoberto pela indústria do turismo na década de 90, Mata de São João é considerada a Cancun Brasileira por abrigar praias paradisíacas como Praia do Forte, Imbassaí, Diogo e Santo Antônio.
Enquanto o poder público aguarda mais evidências da real necessidade deste tipo de serviço em um município, que tem como maior atrativo turístico a beleza das suas praias, a sociedade já vem agindo, tentando suprir a ausência do Estado.
Por intermédio do guarda-vidas Jorge Cerqueira, a Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa) ministra o curso ?Surf-Salva?, para surfistas atuarem como guarda-vidas.
No último dia 16 de janeiro aconteceu mais uma edição do Surf-Salva no auditório do Instituto Baleia Jubarte, em Praia do Forte.
?Há cerca de dois anos estamos promovendo este curso e já passamos pelas comunidades de Diogo, Santo Antônio e hoje estamos aqui em Praia do Forte, motivados pelo recente e trágico acontecimento na Praia de Imbassaí, com o turista goiano?. declara Jorge Rasta, como é mais conhecido.
Com treinamento, os surfistas podem ser importantes aliados. ?Além de ter bom preparo físico, conhecimento de marés e correntes, os surfistas praticam o esporte exatamente na faixa da praia onde ocorrem a maioria dos afogamentos. Eles precisam, apenas, adquirir conhecimento de como deve ser o procedimento para um resgate eficiente?, revela.
Jorge também reconhece que os surfistas são importantes aliados, mas não vão suprir a real necessidade. ?O surfistas podem salvar muita gente, mas o município também deve fazer a sua parte, dotando as praias de profissionais capacitados e, principalmente, equipamentos que são fundamentais para reduzir ao máximo as mortes por afogamento?, afirma.
Nos casos mais graves, após o resgate, a vítima ainda necessita de uma série de procedimentos que envolvem alguns equipamentos.
?No caso específico de Imbassaí, a vítima morreu por falta dos procedimentos após o resgate. No momento do afogamento, barraqueiros até que conseguiram retira-lo da água, mas depois não sabiam como proceder e o socorro de pessoas capacitadas não chegou a tempo de salvar a vida do turista?.
O guarda-vidas afirma que, com equipamentos e treinamentos, é possível salvar pessoas que permaneceram até por uma hora em baixo d?água.
?Nos afogamentos mais graves, o que leva a vítima ao óbito é a parada respiratória seguida da parada cardíaca. Em boa quantidade de casos, uma série de procedimentos pode salvar a vida e também diminuir muito o tempo de recuperação e as seqüelas das vítimas, mas muitos deles dependem da rapidez do atendimento e dos equipamentos disponíveis para fazer os procedimentos?, revela.
Ao final do curso, Jorge promoveu um debate para tirar algumas dúvidas e ouvir sugestões dos participantes. Entre os presentes, a representante do Núcleo do Meio Ambiente (NUMA), Flávia Monteiro deu a notícia de que a Prefeitura de Mata do São João já está tomando providências para criar o serviço de guarda-vidas no município.
?Esta iniciativa deveria ser seguida por outros municípios vizinhos que também não contam com o serviço?, acredita Jorge Cerqueira.
Fonte: Esportenarede
