Existe um pico em Sergipe que foi descoberto há alguns anos, de difícil acesso, em que é preciso andar pela beira da praia uns 50 km para chegar até ele e dar sorte de acertar as condições de maré, vento e ondulação.

 

Era um sábado e meu amigo Augusto ?Cabecinha? Melo me ligou e disse que talvez as condições estivessem favoráveis para aquele pico no domingo.

 

A maré estaria seca por volta das 10:30 horas e o vento estaria também perfeito. A ondulação iria chegar por volta dos dois metros e um pouco mais.

 

Ele também falou que uma galera já tinha ido para dormir no local, pois existem uns barracos de palha que dá para passar a noite. Então eu disse para ele que teria que trabalhar ainda no sábado, mas que estava tudo certo para a ?surf trip?.

 

O horário para acordar seria as 3 horas da manhã, para chegar no pico bem cedo e aproveitar até por volta da 13 horas, pois o ?secrect spot? funciona na maré secando a nas primeiras horas da subida da maré.

 

Quando acordei fui para a janela de casa observar como estava o vento, percebi que estava terral e que as possibilidades poderiam se manter durante o dia, então logo em seguida Cabeçinha me liga e faz a velha pergunta: ? E aí? Vai??.

 

Eu disse: ?Já estou tomando um café e logo passo em sua casa?. Arrumei minhas coisas, as pranchas, o equipamento fotográfico, um rango e logo já estávamos na estrada escutando um som e pensando como poderia estar o pico.

 

Por volta das 5 horas o Cabecinha ligou para o celular de Peninha e perguntou das condições, ele só respondeu ?acelera que hoje é o dia, o mar está maior e o vento está terral forte?, e ainda disse ?nós já estamos andando para o pico?, pois o dia já estava amanhecendo.

 

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A maré ainda estava cheia, então tivemos que fazer um outro caminho por uma estrada de barro, pois pela beira da praia só passa de maré baixa.

 

Fizemos um ?rally?, paramos o carro nos barracos, prancha em uma mão, sacola nas costas e equipamento fotográfico na outra mão, saímos correndo pelas dunas até chegar perto de um rio.

 

Quando avistamos o pico, nossos amigos já estavam dentro da água. Logo vimos uma longa esquerda tubular vindo quebrando lá de dentro, perfeita.

 

Na primeira sessão após o tubo só vi o ?spray? jogar uma baforada com uma violência enorme e abrir mais uma sessão. Não pensamos duas vezes e saímos correndo para o pico.

 

Surfei por mais de três horas, depois de uma semana inteira de trabalho, poucas horas de sono, o cansaço começou a bater, saí para repor as energias e resolvi bater umas fotos dos meus amigos. Fiquei por uma hora e meia tentando captar algum momento.

 

Neste pico que fica perto de um rio, na hora da maré secando geralmente o rio joga uma água um pouco escura, barrenta, pois também estamos em uma época de chuva, mas no início da maré enchente a água fica mais verdinha.

 

Foi o que aconteceu, no início da maré enchendo a água começou ficar mais clara, o vento começou a dar mais uma acalmada e novamente os tubos começaram a rolar, foi a hora que mais alguns deram outra caída, inclusive eu voltei para o outside, deixando a máquina com o meu amigo Cabecinha registrando os momentos da session.

 

Depois de mais alguns tubos, a maré começou a ficar muito cheia, o vento começou a ficar mais forte, então resolvemos sair e voltar para casa. Isso já era por volta da 14 horas, entramos no carro, com uma fome enorme, cansados, mas de cabeça feita. Em pleno domingão, surfamos altas ondas sem ?crowd?, só com os amigos.

 

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