
Adilton Mariano venceu o 1º Rio Araguari de Esportes Radicais na Pororoca, ocorrido entre os dias 14 a 18/05, no município de Cutias do Araguari, no Amapá.
Mariano, que derrotou Sávio Carneiro na final, embolsou R$ 3 mil e supostamente bateu o recorde mundial de permanência na onda com 34 minutos e 19 segundos surfando sem parar.
Com isso, levou mais mil reais de prêmio. Uma equipe da rede Globo filmou tudo e o material será enviado ao Guinness Book para homologar o feito.
No ano passado, Adilton já tinha batido o recorde com 26 minutos na onda. (Nota da redação: de acordo com Picuruta Salazar, ele surfou 35 minutos neste ano e havia tirado o recorde do cearense. Porém, a onda do Gato não foi registrada em vídeo. Segundo Picuruta, ele e os integrantes da expedição Red Bull cronometraram o surfe na onda. Já a pororoca de 34 minutos de Bibita foi filmada pela equipe da TV Globo. Para registrar feitos no Guinness Book, não basta haver testemunhos, é fundamental apresentar documentos, como por exemplo, vídeos ou fotos).

No sábado, último dia do evento, sofri um acidente. Sem barcos, eu e o Ricardo Tatuí remamos do Igarape da fazenda Campo Novo, durante 30 minutos no meio do rio
Araguari em direção à foz do rio.
Estávamos no meio da selva à deriva, expostos a qualquer situação. Ignoramos o fato porque só queríamos surfar a onda mais longa do mundo e bater o recorde.
Depois de remar muito, chegamos num banco de lama, onde corremos em direção a boca do rio por mais 30 minutos, até que a pororoca apareceu varrendo tudo de
margem à margem.
Mudamos a direção da corrida em direção à margem esquerda, pois a água batia em nossos tornozelos. A profundidade foi aumentando até que começamos a remar em direção à direita perfeita que estava quebrando.
A onda com 40 a 60 quilômetros por hora estava grande e seu espumeiro tinha cerca de 3 metros. Parecia um enorme expresso que varreria o que estivesse em sua frente. Ou seja, nós…
Só olhei para trás para ver a encrenca que viria e segurei firme na prancha. Bombaaaa…. O Tatuí foi jogado para o fundo e saiu logo do caldo, mas eu fui engolido pela espuma e lá fiquei, levando o caldo mais terrível da história da pororoca. Virei, girei, fui pra cima, pra baixo, engoli água, fui prensado no fundo. Até que nas últimas, larguei a prancha e nadei até a superfície para respirar.
Vi o Tatuí e me senti mais seguro à deriva no rio. O corpo de bombeiros logo nos resgatou e levou até a lancha de resgate. Lá meu corpo começou a esfriar e uma enorme dor na lombar começou a me atacar.
Não consegui mais levantar da maca e fui levado diretamente para a cidade de Cutias no posto médico. Levei injeções para relaxar a musculatura e tomei anti-inflamatório.
Foi uma aventura e tanto. Depois de domar a onda mais longa do mundo, surfando 25 minutos, acho que ela não gostou da minha ousadia de sair rio remando e correndo no banco de lama para conquistá-la novamente, e me judiou
O resultado, segundo o meu ortopedista, o doutor Gerson Tavares, é que tive estiramento muscular nas costas e fratura da apofise lateral direita da L5, ou seja, na quinta vértebra da coluna lombar.
Agora, de volta ao Paraná, estou de molho tomando injeções e remédios. Ficarei um mês sem surfar e terei que fazer fisioterapia. O médico ainda me disse que se não tivesse a musculatura forte e bem preparada, teria sido partido no meio.
Ranking final do I Circuito Nacional de Surf na Pororoca
após três etapas
1 Sandro Buguelo (PA)
2 Ricardo Tatuí (RJ)
3 Serginho Laus (PR)
3 Felix Junior (PA)
5 Sávio Carneiro (PE)
6 Flavio Marao (MA)
7 Rogério Dantas (CE)
8 Adilton Mariano (CE)
9 Sergio Roberto (PA)
9 Marcelo Piu Piu (MA)
9 Rodrigo Barros (PA)
9 Ricardo Mello (RJ)
9 Stanley Wellington (AP)