Quando estive a primeira vez em Galápagos, em 1984, com meu amigo Alberto Alves, muitas coisas chamaram minha atenção.
Localizado no Equador, é um lugar pra lá de único, uma das experiências mais intensas que um surfista pode ter na Terra.
Interagir com a criação maravilhosa de Deus neste pequeno paraíso em forma de ilhas num oceano nada ?Pacífico? é algo extraordinário, uma viagem que sugiro pra todo surfista-aventureiro-viajante ávido por descobertas.
Na época, o surf na Loberia estava simplesmente intransponível, parecia
Pipeline em sua plena forma. Quem conhece sabe do que estou falando. Ficamos apenas olhando as ondas e alguns ?locais? arrepiando. Sim, os lobos marinhos eram os únicos na água.
Passados 17 anos, em 2001 retornei a San Cristobal para mais uma temporada, ao lado dos surfistas catarinenses Rafael Becker e Gui Ferreira. Passamos um tempo maravilhoso em Galápagos.
As fotos foram usadas em uma campanha publicitária e publicadas nas revistas Line Up e Venice mag. Mas o que realmente me chamou a atenção foram meus antigos amigos, os lobos marinhos.
Agora arrepiando as ondas de El Canon, eles surfavam ainda melhor. Seriam os anos de treino? Só sei que as fotos que fiz deles foram algumas das mais especiais da minha carreira. Tanto Rafael como Gui surfaram várias ondas com nossos amigos locais.
Acabei pegando uma prancha emprestada e peguei algumas esquerdas também com meus antigos camaradas, já que em 84 não chegamos a surfar juntos. Foi um sonho realizado. Eles vinham lá de trás, deslizando por debaixo da onda e muitas vezes surfavam a onda toda por baixo dela.
O ano agora é 2004. À convite de Everaldo Pato e de seu patrocinador, estive pela primeira vez no Tahiti, outra experiência única em minha profissão. O Tahiti, e mais ainda Teahupoo, é mesmo um Everest do surf. Como os alpinistas, todo surfista que busca o desafio maior deve passar por esta ?montanha? líquida.
Mas foi num mar pequeno para os padrões locais que um fato curioso me fez lembrar de Galápagos e nossos amigos lobos marinhos, a milhares de milhas náuticas de distância.
Do barco do Marama, local do Tahiti, onde estávamos, notei vultos correndo por baixo das ondas… Seriam os lobos marinhos em uma água tão quente? Lógico que não. Era Laird Hamilton e amigos deslizando apenas com pés de pato por baixo das ondas, levados por um tubo subaquático.
Fiquei perplexo com a sintonia… Foi algo maravilhoso, quase poético de ser visto. E após cada passeio eles retornavam para o outside para mais uma onda.
Tanto os lobos marinhos como os surfistas buscam nas ondas uma interação de prazer com a maravilhosa criação divina, e aquelas cenas ficarão guardadas para sempre em minha mente.
Outro dia, enquanto navegava pelo site do renomado fotógrafo californiano Tim Mckenna, encontrei a imagem publicada acima que ilustra perfeitamente este relato.

