
A melhor forma de descrever Roberto Damiani é dizer que ele é um cara clássico, que deu a vida pelo surfe, sendo um dos primeiros shapers e surfistas uruguaios. Aprendeu e deixou uma semente em muitos lugares do planeta.
Tem 56 anos, surfa há quase 40 e continua na mesma fissura e com o mesmo sentimento que o torna um autêntico surfista de alma autêntico, além de um dos principais nomes na história do surfe uruguaio. Roberto Damiani passou os primeiros anos da vida no balneário Las Toscas, na frente do Río de la Plata.

Mudou-se para Califórnia ainda moleque, onde pegou umas ondas, mas incrivelmente não começou a surfar ali. Ao voltar, o bicho pegou e foi um dos propulsores do primeiro clube de surfistas fora de Montevidéu, em Las Toscas.
É casado e tem três filhas. Estudou marcenaria, tipografia, arte e publicidade. Começou a shapear no ano 69 e nunca mais parou.
Como foi o primeiro contato com o mar?
Frio. O primeiro oceano que conheci foi o Pacífico, apesar de ter morado a poucos quilômetros do Atlântico.

Como o surfing surgiu em sua vida?
Primeiro por imagens na TV das primeiras séries de “Intriga no Havaí” (Hawaiian Eye). Depois, do ambiente californiano dos 60, e, finalmente, por influência de Ariel González, o professor de segundo grau que surfava em Atlântida (outro balneário do Uruguai), responsável por disseminar a semente pela costa uruguaia.
Quais eram teus objetivos antes e depois de começar a surfar?
Os objetivos de antes ficaram para trás, quando o mar começou a me arrastar. Isso pode soar um pouco piegas, mas se eu digo que quando pequeno queria ser como Walt Disney, não tem nada a ver. Mas tudo tem uma explicação: sempre quis usar as mãos para criar e vi que o shape e a pintura me davam algo disso.
O que você fez com esse sentimento surfer, com a vontade de canalizá-lo? Você viajou? Tua vida mudou?
Quando o bicho me mordeu foi tão forte quanto uma paixão. Apesar de terem passado vários anos desde minhas primeiras ondas com a prancha e apesar de ter brincado muito com as ondas de Las Toscas quando pequeno, as minhas prioridades mudaram radicalmente no dia que inaugurei a primeira prancha que fiz. Comecei a viver em função do mar. Passava o dia todo na água e, quando dormia, sonhava que estava surfando. Apesar de morar a poucos quarteirões da praia, algumas vezes dormia na praia para sentir as ondas contra a areia.
Quem te influenciou mais?
Definitivamente, Ariel González, o Professor.
Você é o primeiro shaper do Uruguai?
Não. Foi Vispo Rossi. Sem entrar na discussão do significado de “shaper” e “surfing”, acredito que o primeiro foi Vispo, se considerarmos que ele fez uns flutuadores e deslizava nas ondas com eles. Ele construiu algo que flutuava e com isso fez a mesma coisa que os primeiros peruanos e os polinésios e os milhões que vieram depois. Não sei dizer se houve outro uruguaio antes dele. Sei que depois dele vários outros fizeram algumas pranchas – e ele também. E anos depois eu comecei, acho que uns 10 anos depois de Vispo. Sou o mais antigo em atividade, isso sim.
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Quando é que você começou a fabricar pranchas? Quais dificuldades enfrentou por fabricar pranchas em um lugar onde surfing era recém-nascido?
Comecei aí, com a primeira que fiz para mim e continuei com as de meus amigos. Mas das dificuldades, melhor nem falar, porque aqui nunca foi fácil. Para você ter uma idéia, mais de 40 anos depois de existir o surfing no país, até agora não se fabrica nenhum dos materiais essenciais: tela, resina e foams adequados.
Pior, a maioria das pranchas é trazida do Brasil, onde logicamente são mais baratas e quase todas entram sem pagar imposto.

Quando você se deu conta de que estava fazendo pranchas decentes, ou seja, que eram de um nível mais ou menos compatível com as pranchas bem feitas?
Sempre pensei que eram decentes! O pior é que meus amigos me fizeram acreditar que era assim desde a primeira. Não é brincadeira. Comecei a trabalhar no Brasil foi porque Homero, shaper de Santos, viu uma prancha minha na Twin, surf-shop de Carlinhos e Dudu Argento. E me ofereceu trabalho porque gostou do shape – tinha levado um hook-tail quando ainda não era conhecido no Brasil. Há uma anedota simpática sobre isso. Os gêmeos também estavam começando como shapers e respeitavam a Homero como mestre.

Depois de dar sua opinião sobre minha prancha, começaram a me tratar de outra forma. Mais tarde, também me contrataram para shapear.
Enquanto cidadão e surfista, como você viveu o período de governo militar no Uruguai?
Nunca fui um cidadão muito normal. Antes dos 20 já tinha mudado várias vezes de país e umas quantas de residência. Por isso, nem futebol nem política e nem sequer a bandeira me interessavam muito.
Talvez por isso tenha inventado minha própria bandeira e a coloquei na minha primeira prancha, e somente nessa. E se você olha atentamente, há um retângulo naquela velha foto de Atlântida. Tinha umas listras de cor azul-clara e o sol da bandeira uruguaia, uma onda formada por letras e um surfer. As letras diziam “SE.A.S” (mares) e significavam: SEguiremos Al Sol” (seguiremos ao sol), e nessa bandeira confiei por muito tempo. O fato é que quando me converti ao surf, salvei minha própria vida.
Como te dizer que nessa época tive um cunhado que era tupamaro – grupo guerrilheiro uruguaio – e somente soube disso quando ele passou à clandestinidade e era procurado por todos lados. Estava tão amarrado ao surf e tão por fora de todo o resto, que os militares nunca se interessaram em me levar para ser interrogado. Sabiam que eu era um bicho raro inofensivo. Disso, não há dúvidas, porque tinham meu telefone grampeado, como o de muita gente.
Às vezes, nas longas conversas com sua irmã, que naquela época era minha namorada, alguma voz se metia para opinar… ou para nos apressarmos e ir dormir!!! Por isso, estou convencido que o surf salvou minha vida. Contagiei-me de idealismo crônico desde pequeno e tenho certeza que, se não me dedicasse ao surf, teria me voltado para outra causa.
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Para onde viajou naquela época? Viajava procurando ondas ou mais aprendizagem na arte do shape?
Desde o inverno de 70 comecei a viajar ao Brasil, procurando um caminho para poder viver da prancha. Saí com meu colega Alex quase sem dinheiro e sem pranchas. De Las Toscas ao Rio, ida e volta, pegando carona. Uma semana de viagem para cada lado, dois meses de aventura: quatro pesos. O amor pelo surf era tão grande que, em Caraguatatuba deserta e com um mar picado, tentamos surfar um enorme tronco de árvore.
No ano seguinte, decidimos repetir a viagem com pranchas e tudo. Se a primeira viagem foi inesquecível, a segunda foi melhor.

Como foi o Campeonato Internacional de 1979, quando você ficou em segundo lugar, atrás do gênio Daniel Friedman?
Ao nosso lado, o grupo de competidores e a turma de torcedores de Atlântida e de Las Toscas, uma patriotada. Éramos um pouco o recheio do bolo. As luzes não estavam sobre nós. Havia outros brasileiros, mas Friedman era o convidado de honra. Logo os portenhos davam de locais, obviamente, porque eram escassos os surfistas uruguaios que moravam em Punta del Este. Menos ainda os que competiam. Acredito que o resultado foi justo, porque naquele momento nosso grupo estava em boa forma e éramos máquinas de remar (primeiro e terceiro lugares em Mar del Plata, 74).

Mas o show era de Friedman. Primeiro ele. E muito atrás chegamos nós. Eu já conhecia o Daniel do Brasil, e até o tinha julgado em um campeonato na praia de Pernambuco, no Guarujá, onde a briga forte era entre cariocas e paulistas.
Ficávamos de queixo caído quando o cara fazia seu movimento patenteado para mudar a pegada na cara da onda e com isso produzia seu próprio tubo para sair entubado em ondinhas de 50 centímetros. Os outros competidores não viam nada de trás e não entendiam porque a praia inteira gritava, incluindo os juizes – eram outros tempos…
Do que você mais gosta no surfing?
Que não tem regras. Você vai para o lado que quiser, o lado livre, o lado estruturado, o competitivo, e pode se divertir em qualquer deles. Você não deixa de ser um surfista. É um campo de jogo sempre mutante. É criativo como estilo de vida, é multifacetado, desafiante, primitivo e futurista, intuitivo e forjador, etc etc… Talvez o melhor seja o fato de o surf vir em ondas.
O que você acha dos campeonatos profissionais, das marcas que utilizam o surfing para vender e do aspecto mais competitivo do surf?
Eu faço pranchas por dinheiro e também porque gosto. Ou seja, de quê estamos falando? Eu comercializo com o surf desde minha primeira prancha. Há empresas dentro e fora do ambiente, inclusive as que estão aí somente pela lucratividade, que indiretamente me ajudam a continuar vendendo pranchas, investindo em campeonatos, surfwear, publicidade etc. Intimamente não desejo que meus picos favoritos se encham de gente.
Gosto de andar só ou com poucos amigos, mas seria uma burrice serrar o galho onde estou sentado. Outra coisa é que existam empresários que ganham milhões fazendo pouco e artesãos que ganham pouco apesar de fazer muito, ou que existam uns poucos que conseguem fama e fortuna por surfar e muitos que querem imitá-los sem chegar perto.
Isso tem a ver com decisões pessoais, com opções de vida, as cotidianas e as transcendentais, tem que ver com educação e até com um pouco de sorte. Pepe Lopes foi um escolhido, nascido no lugar ideal, no tempo errado. Se ele tivesse 18 anos hoje, teria ido longe. Não estou contra o circo, mas questiono a falta de ética de quem vende somente pela grana e também pretende vender sua imagem de “surfista”.
Quando Gledson decidiu investir no surf nos anos 70 – algo que bem pode ter sido a faísca do boom que veio depois – e nos pediu toda a produção que pudéssemos fazer, ninguém imaginava um habitante do interior do Brasil vestido de surfista. Esse empresário sim o imaginou e por um tempo fez que muita gente vivesse do trabalho que ele ajudou a criar.
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Você se sente um privilegiado por ter sido surfista em uma época na qual o surf estava nascendo no Uruguai e em outras partes do mundo, ou você teria preferido ter 18 anos agora?
Não, se eu tivesse 18 agora não os teria vivido. Existem vivências que ainda são intransferíveis. No futuro, a ciência vai conseguir isso, mas, por enquanto, vou me sentir afortunado se consiguir transmitir a um jovem através de um livro, como se sentia por ser parte daquele velho mundo novo. Quando um amigo ia para o Hawaii, tínhamos que esperar semanas por uma carta com pequenos desenhos para nos contar como tinham estado as ondas.

E hoje é possível ver e falar enquanto esperamos na água, cada um em um oceano diferente. O jovem de hoje pode imaginar a vida de antes, mas seu mundo é este, enquanto eu vivi aquele e também estou vivendo o que eu imaginava.
Não mudo isso por nada. Fico com a experiência. Mesmo assim, penso que é necessário conhecer o passado, e não por simples saudade.
Mas, se você quer, eu troco um pouco de experiência por um pouco de giro nas pernas…

O que você faz além de fabricar pranchas? Você tem o melhor trabalho do mundo?
As pranchas e as páginas web (o computador) me absorvem o tempo todo. O primeiro não deve ser o melhor trabalho porque é algo tóxico, e o outro engorda, mas é criativo e gratificante. Só tenho que aprender a fazer dinheiro.
Por que você tem o troféu Osmar em seu poder?
Até momentos antes de recebê-lo, eu não estava esperando. Pela explicação de Tato Araña (N.R.: legend santista, irmão do igualmente legend Cisco), os anos que trabalhei com o surfe no Brasil tiveram a ver com a decisão de me outorgarem o prêmio Osmar Gonçalves. Eu o considero um reconhecimento e estou sempre agradecido por ele. Apesar de a imensa maioria dos surfistas brasileiros não me conhecerem, também coloquei um grão de areia nessa herança que recebem. E também semeei por outros lados o que o Brasil e sua gente me ensinaram, especialmente esse fora de série que é o Homero. Agradeço também a oportunidade que você, Pablo, está me dando junto com o pessoal da Waves, para expressar isso publicamente, já que durante a entrega do prêmio não fui capaz de dizer grande coisa. Se alguém que esteve lá tem fotos da ocasião, agradeço se puderem enviá-las ao mail de www.robertoshapes.com .
Como foi a experiência no Hawaii shapeando com Bill Hamilton no inverno passado?
Como foram as conexões para chegar até lá?
A conexão foi fácil. Temos um amigo uruguaio em comum. O outro não é simples porque há muito para contar em pouco espaço. Tanto se escreveu e se filmou sobre o Hawaii que dava a sensação de ter estado lá anteriormente, algo que suponho deve acontecer a muitos surfistas quando ali chegam pela primeira vez. Mas, só chegando para se respirar o aroma de flores que impregna todo o ar de Kauai, da mesma forma que somente descendo uma onda do Havaii pode-se sentir tal qual ela é. Bill é um capítulo à parte, para não dizer uma enciclopédia. Nascemos com poucos dias de diferença e ele é como uma alma gêmea. Mesmo estilo de vida, dois mundos diferentes. Poder tomar uma cerveja em sua varanda sobre o rio Hanalei, desfrutando de sua melhor interpretação de guitarra flamenga (toca muito bem), sem nada mais estressante do que pensar nas ondas surfadas e na lua sobre o vale fazendo brilhar as cachoeiras… isso sim é uma ocasião privilegiada. E profissionalmente foi incrível. Era o mais parecido a estar cursando um mestrado em shape. Com o feedback das feras havaianas, com o campo de testes dessas ondas, com o estímulo da aprovação de meu trabalho… Inestimável!
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Como é que você se vê daqui a 15 anos?
Debaixo de uma palmeira em frente a um mar turquesa.
Quem foi na juventude teu surfista favorito e quem é agora? Por quê?
Ariel foi o favorito no começo. Até que um dia vi uma capa-dupla de uma “Surfer” com Nat Young deixando um sulco fantástico em uma direita de Sunset. Aí, passei a ser um consumidor a mais de ídolos de revista. Deixei os ídolos quando começaram a passar muito rápido para meu gosto, mas no campeonato Legends de 2003, em Maresias, conheci o Pirata, de Guarujá.

Eu o vi mandando aqueles tubos potentes com sua perna artificial. E pensei que se esse não era um surfista exemplar, ninguém mais merecia sê-lo. Pouco depois, conheci Bethany Hamilton de perto e me envolvi em sua história alucinante. E isso acabou de arrematar minha convicção de como deveria ser um surfista favorito.
Em sua opinião, o que acontece no Uruguai, porque apesar de ter surfistas em evolução, está morto em nível institucional.
A anarquia nos seduz, entre outras coisas.
Quem é o melhor surfista uruguaio da história?
Melhor em quê? O que ganha mais campeonatos é o melhor?

O mais falado, o que viaja mais ou o que pode surfar mais seguidamente? Isto não é como dizer: “é o mais rápido porque chegou antes”?.
Por quê não há um surfista latino homem – não brasileiro – no WCT?
Os meios anglófonos (e anglófilos) tiveram muito a ver com esse assunto desde sempre.
Qual a melhor onda do Uruguai? Por quê?
Puxa! Há diversas. Falo das que eu mais gosto: Santa Lucia, a Barra de Maldonado, a direita de Los Botes, Punta del Barco.
Quando e onde pegou as melhores ondas de sua vida?
Gostaria de dizer “aqui, esta manhã”. Mas essa é difícil, porque as arquivo por intensidade. Há uma porção. E tanto podem competir uns drops alucinantes em Mirages, ao norte de Kauai no ano passado, como outros não menos alucinantes contra o cais do porto de Viareggio, ha uns 20 anos, esquivando uma dúzia de “surfisti italiani” no máximo de adrenalina.
Pode ser Imbituba enorme, somente um amigo e eu quando era quase desconhecida, ou Peñascal no Peru, um verdadeiro muro de contenção, para ganhar uma aposta feita com o bonachão Gordo Barreda em 77. Mas, apesar de que se seguem somando ondas ao arquivo, cada vez que tenho que procurar imagens mentais de bons mares é imprescindível uma hora mágica no córrego de Parque del Plata, isso há mais de 30 anos.
Não é o dia épico que está registrado em um velho filme de um mar de 2 metros e meio, e nem sequer outro dia mais impressionante e maior que somente três pessoas que vimos. Foi um mar de apenas 1 metro. De todo o dia foi somente uma hora mágica, na qual a combinação da maré e da saída do córrego fez com que as ondas se afunilassem completamente redondas, perfeitas, emparelhadas e intermináveis… e para a direita.
Ficavam à minha frente. Era abaixar, frear com a mão e se deixar passar pelo trecho até ver os pinhos de La Floresta emoldurados pelo tubo; tirar o freio e deixar que a prancha saísse para repetir isso uma e outra vez em cada onda. Cada vez que terminava uma, voltava correndo pelo banco que estava bem plano, gritando a todo pulmão para nivelar a euforia.
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Os primeiros verdadeiros tubos de minha vida! Aquilo era uma máquina. Não sei qual o efeito que fazia com que viessem sem parar. Não havia mais ninguém nem sequer na praia e precisava compartilhá-las com alguém. Olhava o tempo todo para Las Toscas, a três quilômetros, sabendo que viriam dois amigos caminhando pela areia.
Quando pude ver dois pontinhos, ainda estavam longe, e mentalmente eu os apressava, porque era bom demais para durar.
E não durou.

Quando faltavam uns quarteirões, começaram a correr como loucos porque conseguiram ver bem o que estava acontecendo. Mas, já tinha começado a murchar. Nunca foi melhor aplicado o “ah se tivessem vindo um pouquinho antes”.
O que o Uruguai tem de ruim e de bom para um surfista?
De ruim tem o frio. E de bom também, porque se fosse tropical estaria cheio. É o efeito Canadá.
Onde você gostaria de estar agora?
Subindo uma duna a ponto de descobrir como está o mar.
Qual é teu sonho?
Sonho com que os cachorros da casa ao lado se mudem, porque me roubam o sono. Também sonho poder shapear e pintar por puro prazer, sem precisar vender.
O que você gostaria que dissesse tua biografia em 2099?
“…este saudável contemporâneo, tão feliz e vital como sempre, que acaba de ganhar mais outra revanche do arquifamoso Daniel Friedman, etc etc”. Não, falando sério. Se for para imaginar, gostaria que minha biografia se baseasse no estilo de vida de minhas filhas e suas descendentes, e que falasse somente das coisas boas. Gostaria de baixar da máquina, esticar as pernas no 2099 e comprovar que, depois de tudo, o mundo não estava piorando como parecia.