Depois da finalização do WQS com o Prime de Sunset, fiz uma rápida análise do ranking e pude perceber que alguns não se classificaram simplesmente porque não quiseram!
Por exemplo: Hizunumê, Raoni e Pedro Henrique tinham como pior resultado em torno de 1100 pontos. Wiggolly e Jadson entre 800 e 1000 pontos.
Ora, isso é uma pontuação que poderia ser facilmente substituída com um excelente resultado em um 4 estrelas.
Então, a pergunta é por que esses surfistas não correram todas as etapas do circuito? Acho que essa também deve ser a pergunta que Sunny Garcia deve estar se fazendo agora, já que ele, como o Raoni, dispensou todas as etapas cinco estrelas e ficou tão perto da classificação.
O ano de 2009 deverá ter uma média de 27 campeonatos entre 5 e 6 estrelas (fora os que chocam as datas) e 4 valendo 4 estrelas que continuarão valendo os 7 melhores resultados.
É claro que conquistar uma das 15 vagas do WQS em um universo de milhares de surfistas ultra talentosos não é nada fácil, mas a probabilidade nos diz que quanto mais campeonatos se corre maiores são as chances de se dar bem e subir no ranking.
Além de usar também a esperteza. Por exemplo: em abril tem um 6 estrelas em Portugal e outro na África. A estatística mostra que a maioria dos surfistas bem rankeados vai para a África. O mesmo irá ocorrer em julho com o Guarujá e Huntington Beach, Califórnia.
Fica óbvio então que o melhor é ir para onde tem menos surfistas famosos, o que com certeza farão as chances aumentarem.
Outra boa dica é analisar a quantidade de surfistas e fazendo a matemática se escrever em dois campeonatos ao mesmo tempo, porque se você perde de cara em um, dependendo da quantidade de surfistas, da distância entre os países e do fuso horário, ainda da tempo de chegar no outro campeonato e, quem sabe, neste a sorte mude.
Um atleta como Bruno Santos, que tem um talento fenomenal e que com esforço vem conseguindo se adaptar às diversas condições de onda do circuito (seus resultados no Supersurf e algumas notas acima de 9 em etapas do QS ratificam isso), jamais poderia dar-se ao luxo de correr apenas algumas etapas, terminando na posição 118.
Quem quer mesmo se classificar tem que correr tudo! Aí entra a principal questão que ainda não comentei. Um bom patrocinador que acredite no atleta e apóie a empreitada investindo a verba necessária e apostando no retorno desse investimento.
Quem almeja o sonho do World Tour tem que se dedicar integralmente a isso. Não pode pensar em família, lazer ou descanso. Tem que malhar muito, treinar muito, comer bem, dormir cedo, ter preparo psicológico, manter-se longe de drogas e álcool e é claro, ter estrela, porque só talento não é suficiente.
O português Tiago Pires, o Saca, é um excelente exemplo a ser seguido. Persistiu por uma década no vestibular mais difícil do mundo e se classificou com méritos.
E você, está preparado para a batalha? Começa 12 de janeiro, na Flórida!