Meu nome é Henrique Cardoso Saraiva. Nasci em 17 Julho de 1979. Em dezembro de 1997, com 18 anos, fui vítima de um assalto, em frente à minha casa na Lagoa, Rio de janeiro, onde levei um tiro que se alojou na coluna.
No primeiro momento perdi todos os movimentos e sensibilidade abaixo da cintura. Aos poucos, fui me recuperando e em seis meses estava andando de muletas.
Na minha infância eu sempre pratiquei muitos esportes e, depois do acidente, o que mais me incomodava era fato de não poder praticar nenhum esporte.
Em 2000, tentei surfar de bodyboard, mas reparei que me fazia mal à coluna, mas só o fato de estar em contato com o mar já me satisfazia.
Daí, um amigo, o surfista profissional Marcos Sifu, começou a me incentivar a tentar surfar de kneeboard (surf de joelhos) e dizia que eu conseguiria manobrar, entubar etc.
No começo, eu não acreditava que conseguiria. Pedia, inclusive, pra ele não ficar ?viajando? muito nessa idéia porque eu não queria me decepcionar caso não conseguisse.
Depois de um tempo e muitas conversas fomos tentar a primeira vez na Macumba. Na primeira onda eu já consegui descer reto, depois fiz mais algumas tentativas, algumas pequenas vacas, outras com sucesso, mas o suficiente pra eu sair amarradão e com a certeza de que voltaria.
E não estava enganado, isso faz sete anos e desde então o surf faz parte da minha vida.
Eu nunca tive intenção de levar o surf a sério, mas com as iniciativas do surfista Alcino Pirata de criar um circuito mundial de surf adaptado, hoje posso sonhar em competir.
O surf adaptado está ganhando espaço e acredito que a tendência é crescer cada vez mais, pois, assim como eu não acreditava que conseguiria, aposto que tem muitos deficientes capazes de surfar, mas não acreditam, ou nunca nem imaginaram a possibilidade.
