São Conrado: a luta continua

“O protesto dos surfistas em São Conrado não foi em vão”! A afirmação é de Lara Moutinho da Costa, bióloga, coordenadora da Comissão de Meio Ambiente na Câmara de Deputados e presidente da ONG Defensores da Terra.

 

Segundo ela, um dos principais benefícios gerados pela ação foi aproximar as lideranças políticas e os surfistas.

 

“É importante que o surfista seja inserido no processo político e se torne um agente social, aliando seu conhecimento do mar com uma atitude ecologicamente responsável”, afirma a bióloga.

 

Desde que tomou conhecimento do protesto realizado em São Conrado, a ambientalista passou a municiar o organizador, Fernando Gaspar, com informações sobre o andamento da ação e as possíveis alternativas.

 

Diante dos fatos, ela concluiu que a melhor estratégia seria esperar a obra ficar pronta e só então fazer uma análise da água no local. “Se a análise fosse feita antes da inauguração da obra, a Serla poderia alegar que o resultado não refletia a realidade”, explica Moutinho.

 

“Caso constatemos que a balneabilidade no local ficou prejudicada, o que é bem provável, as instituições responsáveis serão processadas”, afirma Gaspar.

 

De acordo com Luiz Paulo Conde, vice-governador e secretário do Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da Rocinha deverá entrar em funcionamento dentro de um mês.

 

A ETE terá capacidade de tratamento de 350 litros por segundo e 14 milhões de litros por dia. Todo esgoto “tratado” será lançado no costão, a 400 metros da subida da Avenida Niemeyer – bem na área de surfe.

 

A construção da ETE está a cargo da Serla. A empresa investiu R$ 16 milhões na obra, que não impedirão que os esgotos clandestinos da rede pluvial se misturem ao esgoto tratado na estação, comprometendo seriamente a qualidade da água em uma das melhores ondas do Brasil.

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