O paulista Renan Rocha foi o melhor brasileiro no Nova Schin Festival WCT Brasil 2003, etapa brasileira do circuito mundial, realizada em Florianópolis neste mês, terminando na terceira colocação. Ele perdeu na semifinal para o campeão do evento, o floridiano seis vezes campeão do mundo Kelly Slater.

 

Confira nesta entrevista exclusiva o que ele achou da etapa e quais seus planos para o futuro, já que ele pode recuperar a vaga no WCT para 2004, perdida no ano passado, caso vá bem nas etapas finais do circuito mundial no Hawaii.

 

 

O terceiro lugar no Nova Schin Festival WCT Brasil 2003 foi um resultado fantástico. Qual a sensação de competir em uma etapa importante do mundial no Brasil, com a energia do público e a torcida toda a favor?

 

Na verdade estava procurando esse momento desde o começo do ano, queria mostrar que estou surfando para as pessoas que não acreditaram em mim, mas para isso tinha que quebrar em um evento desse nível, ganhar as baterias surfando bem e não na sorte. Por isso, toda a energia das pessoas que realmente torceram por mim me ajudou a ficar mais forte, inclusive aquela multidão vibrando a cada onda. Muita responsabilidade, mas muito gratificante.
 

Contra o Kelly Slater, na semifinal, você surfou muito bem. Como foi a bateria?

 

Realmente surfei bem, mantive a tática de pegar as esquerdas e achei duas ondas excelentes, mas o Kelly estava impecável, deu show de surf e mereceu fazer a final com Fannig. Ambos não se preocuparam em competir e sim em surfar onda por onda, extrapolando manobra por manobra, fazendo um show business. Assim que é legal competir, quando você tem que se superar, independente da vitória ou da derrota.
 
Seu surf tem características marcantes e vem crescendo a cada ano. Você procura seguir alguma rotina de treinamentos e alimentação?

 

Eu tenho uma rotina de treinamento criada pela Mar Azul e pelo preparador físico Fredy Jacob, junto com o meu técnico Fernando Careca. Mas, tudo isso tem que estar ligado com a minha força de vontade e a cabeça para evoluir, mente aberta, independente de onde vem a informação. Acho que essa minha mentalidade me ajuda a desenvolver o meu surf.
 

E a parte espiritual, você trabalha de que forma?

 

Tenho a minha ligação com o universo paralelo, cada um sabe como trabalhar isso. Não gosto de mostrar esse meu lado porque não quero ser julgado, já basta o julgamento no meu surf.
 
Quais são os seus planos para 2004, expectativas e objetivos?

 

Objetivos são sempre os mesmos, paz e surfar bem, mas espero poder acabar dentro do WCT para 2004. Se conseguir, show, senão, vou continuar correndo o WQS e o SuperSurf. Porque agora as minhas chances de se dar bem são maiores. Este ano, eu tive que começar do primeiro round no SuperSurf e no round 96 do WQS, agora minha posição melhorou e isso faz eu ter mais chances de conquistar os títulos que desejo.
 
A garotada no Brasil está com força total e as categorias de base têm revelado grandes talentos. Na sua opinião, o que é preciso para se desenvolver dentro do cenário mundial?

 

Dinheiro e mais cabeça dos patrocinadores, técnicos ou managers. A molecada tem que ser mais bem assessorada, tem muito charlatão no meio do surf, se acham os melhores, mas só sabem criticar a galinha do vizinho em vez de tratar da sua.
 

Como o patrocínio influencia no desenvolvimento da carreira do atleta? No seu caso, como é essa relação?

 

Patrocinador é tudo na vida de um atleta, principalmente se tiver a mente aberta e surf no sangue. Você fica tranqüilo, sem pressão e pode trabalhar para se desenvolver tanto como atleta ou como um profissional. Tenho uma relação com o Joca Secco e com a Goofy de anos, esses nunca me abandonaram, sempre acreditaram e me incentivaram. Muito Obrigado! Agora, comecei um novo caminho com a Gold Coast, sensacional, mentalidade aberta, agilidade, fé e muita vibe. Igual ao Joca e a Goofy. Falta agora só achar um patrocinador igual para fechar o ano de 2003 com várias metas conquistadas. Quero aproveitar para agradecer algumas pessoas: mãe, pai, Marina, Luna, Shock, Candinho, Penha, Zed, Bene, Buiu, Careca, Jaziel, Joca, Alemão, Gardel, Nano, Melão, Tchó, Gibinha, Paulinha, Tia Ângela, Tio Gilberto, Taluana, Fabio, Rodney e Piu. Valeu equipe!

 

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