Esta semana estamos ácidos, ousados, independentes e dançantes! Grandes novidades no mercado nacional de lançamentos. Um panorama bem geral do que está sendo feito atualmente em termos de música independente, bons beats eletrônicos, além de muito Rock?n?Roll e vibrações hiper positivas para os shows do ?The Charlatans? e ?Stephen Malkmus?, no Abril Pro Rock e grandes pedradas no ?Skol Beats?!
Ah! Agora, estou contente pelos leitores estarem usando o ?Fórum? abaixo, de maneira bastante produtiva. Há algumas semanas ele se tornou um campo de batalha para a imposição dos gostos musicais. Vamos aproveitar o espaço que nos foi cedido pelo Site Waves para agregar valor e fomentar discussões sadias e carregadas de informações. Parabéns e continuem prestigiando a coluna ?Ruídos Alternativos?!
Promoção ?HONEYDOGS?
Autenticidade, originalidade e muito Rock?n?Roll! É isso que promete o disco ?Here?s Luck?, o mais recente lançamento da banda HONEYDOGS. Para participar é muito fácil. Basta responder a seguinte pergunta: ?A qual máfia Elvez se refere na canção ?It?s Now Or Never?, do disco ?Pure Aztec Gold???.
#Quer uma dica? Leia a resenha desta semana do disco ?Pure Aztec Gold? do Elvez logo abaixo!
Corra! São apenas cinco sortudos (as) que levarão os discos ?Here?s Luck? do HONEYDOGS! Não percam as Promoções Relâmpago que faremos ao longo do ano. Boa sorte à todos!
Agradecimentos ? Trama.
Ganhadores da Promoção ?I Am Sam?:
Rafael Parente (CE)
Caio César de Barros (SP)
Bianca Góis Barbosa (BA)
Ricardo Prestes (SP)
Ronaldo Araujo Paixão (SP)
Nelson Ruy Camargo Silvarolli (SP)
VÁRIOS ARTISTAS | Volume 3 ? Não Passe Álcool
Em homenagem aos leitores que pediram um pouco mais de bandas nacionais independentes, aí vai… Coletânea bem bacana de bandas lá daquele selo também bacana, do Rio de Janeiro, o Midsummer Madness. Este é o terceiro volume da série, que anteriormente servia apenas para divulgar as bandas do selo. Hoje, depois de inúmeros pedidos, as compilações estão sendo comercializadas.
O grande trunfo do CDR é justamente o fato da variedade musical de extremo alto nível das faixas participantes. Muita coisa até nem existe mais, mas acabamos tendo acesso direto ao registro único de bandaças como Killing Chainsaw… quem lembra? A excelente Grape Storms, shoegazer de primeira, além de Terrible Head Cream. A capa é super criativa, usando as limitações da baixa tiragem a seu favor. Envelope em acetato impresso a uma cor com os dizeres ?não passe álcool?, e na realidade essa é a verdade… passou álcool tudo sai no pano. Boa sacada!
Vamos às faixas… De uma forma geral, o disco possui uma linha bem definida de som, utilizando como pano de fundo a fundamentação artística, sem perigos da quase que fabricação das bandas atuais e tomando como princípio básico a liberdade artística e a criatividade musical. Destaco a abertura do disco ?Backdoor?, retomando a fase mais surf do Pelvs. Lembram da versão de ?Fucking Surfin? Bastard? do The Book Is On The Table que falei há umas semanas atrás? Pois é, está aí também.
?Renaissance De La Folie? é mágica na interpretação do The Tamborines, além de Astromato levando o hit ?Sonhos de Alta Definição? e o folk caipirão do Motormama em ?Mestiço Rock?n?Roll?. Ah! O Valv, destaque da semana passada, também entra com a faixa ?Centred?, do CDR ?Ammonite?. Sem esquecer de Casino com ?Ponte?. Mas, minha versão preferida ainda é a não masterizada do Fellini. A volta triunfal da banda promete neste ano, com letra e voz de Cadão Volpato e música de Thomas Pappon, do The Gilbertos.
Nestas 16 faixas, o difícil é sacar uma ou outra faixa. Sem percebermos, estamos tomados pela variedade e qualidade. A coletânea é renovadora e dá fôlego aos ouvidos cansados. É um panorama bem geral do que está sendo feito atualmente em termos de rock?n?roll independente e algumas pérolas consagradas um pouco mais antigas.
Clique aqui e ouça a faixa ?Backdoor? do Pelvs.
RINÔÇÉRÔSE | Music Kills Me
Se preparem para apreciações de intensa atividade cerebral… Está aí o novo álbum do duo francezóide proveniente da aclamada ?cena francesa? de house pesadamente charmosa e dançante Daft Punk e Air, que também trazem impregnados aos seus nomes este ranso da cena musical, na minha modesta opinião, nada saudável ? de qualquer maneira, a validade do destaque não está aí, mas sim, na versatilidade e qualidade musical da moçada do Rinôcérôse!
Poderíamos falar do auto título de ?house com guitarras?, hein… ou dos arranjos profundamente pop, mas o que mais chama a atenção mesmo são as ótimas e variadíssimas referências. Passeiam através da música brasileira, guitarras clássicas a ?la Santana?, ritmos africanos e latinos levados aos extremos do dançante, além de muito groove e vocais arrastadões. Apesar da base bem eletrônica, os instrumentos utilizados vão desde simples guitarras acústicas e elétricas até violões flamencos, passando por bongôs, congas, tamborins, chegando a flautas, sax, violinos, celos e trompetes.
Formado lá em 95, das cinzas de duas bandas indies, o Rinôcérôse tomou corpo mesmo depois de um show bastante comentado na época com os afamados caras do Underworld. Jean-Philippe Freu e Patou Carrie vêm ganhando terreno desde esta época, e, depois do álbum debut chamado ?Installation Sonore?, de 99, que até saiu aqui no Brasil, não pararam mais de fazer boa música. Certo de que este trabalho veio acrescentar qualidade, eu recomendo ?Music Kills Me? para uma ouvidela, com quentes elogios.
O disco começa bem agressivo com o hit ?Le Rock Summer (Edit)?, mas não é a melhor faixa. Gosto de ?It?s Time To Go Now!? com um certo climão anos 70, sendo que o disco como um todo prima por tal sonoridade. Aproveite também nesta levada ?Lost Love? e um pouco mais de guitarras em ?Résurrection D?une Idôle Pop?. Bela viagem em ?Brian Jones: Last Picture?, que é ótima, e a calmaria em ?Highway To Heaven?.
É isso aí… as viagens cerebrais que se cuidem! A bossa eletrônica, charmosa e chique do lançamento mais recente dos figuras do Rinôcérôse, ?Music Kills Me?, é a trilha sonora para os deleites dos estados alterados da mente! Let?s Groove On!
Clique aqui e ouça a faixa ?Le Rock Summer (Edit)?.
DJ DIEGO CID | Cool Beats
Para botar um pouco mais de fogo na viagem ácida que estamos fazendo até aqui, chega de classicismos acadêmicos. Partimos agora para uma nova jornada áspera no mundo das batidas mais ?cool?. Sem guitarras, mas bem pesado, com batidas, mas bem eletrônicas, mais um disquinho de viradas de DJ. Porém, a seleção deste aqui vale a pedida. Este tal de Diego Cid é um renomado DJ lá da cena Argentina de tech-house. Montou selos, criou verdadeiras associações de Djs, organizou festivais e por aí vai, isso para dizer um pouco do que o cara fez.
Neste lançamento Sum Records, o bom astral das composições vibra a favor do set list escolhido. ?Cool Beats? é isso mesmo, regado de batidas bem serenas, carregadas por linhas de baixo super groovadas. Daqueles discos para colocar e esquecer… do começo ao fim numa levada só!
Gosto das faixas ?Trumpet Jam?, de Nico Belotto, ?From Stockholm With Love?, além de ?Professeur Suicide?, do Rinôçérôse, ?Deeper Groove? do Urban Groove e, fechando com chave de ouro o disco, a faixa ?Le Rock Summer? também do Rinôçérôse.
?Cool Beats? funciona como uma compilação bem livre. Não peca por ficar presa aos hits de pista e vai um pouco além do usual, é extremamente agradável e acessível. Deixe rolar sem parar em seu CD Player. Bom para fazer sua trilha sonora no trabalho sem incomodar o vizinho de mesa.
Clique aqui e ouça a faixa ?Trumpet Jam?, de Nico Belotto.
COSMIC ROUGH RIDERS | Enjoy The Melodic Sunshine
De todas as bandas da pacoteira do selo Poptones que a Trama acaba de lançar, provavelmente o Cosmic Rough Riders é o mais conhecido. Tons lisérgicos e muitos violões dão a letra do disco. Beberam bastante na fonte renovadora de caras como o insuperável canadense Neil Young. Desde sua formação, em 98 na Escócia, a curva é de ascensão total, até se firmarem com status de cult no circuito independente.
?Enjoy The Melodic Sunshine? é o terceiro trabalho dos caras e retoma uma formação bem clássica com duas guitarras, baixo, bateria e voz. São 17 faixas, sendo que as duas últimas são bônus com autorização da banda. É a bola da vez, com direito a clipe na programação da MTV brasileira da faixa ?Revolution (In The Summertime?)?. Confira!
Prato cheio para quem gosta de um som puro, bastante honesto e cheio de ares acústicos. Pegue seu pacote de fumo, meta na boca, comece a mastigar e no canto deixe aquele ?matinho? bem característico. ?Brothers Gather Round? é climática, a envolvente ?The Gun Isn?t Loaded? e ?Baby, You?re So Free? nos remetem aos dourados anos 60. Lógico que ?Revolution (In The Summertime?)? se destaca pela levada bem pop, mas com raízes perdidamente cósmicas.
Hoje, os caras estão rindo à toa, curtindo um disquinho de ouro lá na Inglaterra e com a promessa de boa música sempre. Procure também a faixa ?Melanie? e sua vizinha ?The Pain Inside?, singles certeiros para sua trip ficar mais adocicada… Se é que você me entende… Embalagem ?digipack? super colorida com a letra de ?Revolution (In The Summertime?)? na parte interna. Há tempos você estava procurando uma banda com a psicodelia à flor da pele, além de arranjos puros e autênticos. Chega! Você acaba de encontrá-la…
Clique aqui e ouça a faixa ?Revolution (In The Summertime?)?.
ECHO AND THE BUNNYMEN | Live In Liverpool
Os fãs do Echo não podem reclamar nadinha… há pouco menos de um ano, um disco novo: ?Flowers?, com faixas incríveis, com a mesma pegada musical de álbuns inesquecíveis como ?Crocodiles?, da década de 80. Agora, explosão em dose dupla: CD ao vivo e um DVD imperdível. Sobre o DVD não poderei opinar, porque ainda não tive o prazer de ver e ouvir. Em compensação do disquinho posso falar: é impecável!
O disco foi gravado em duas noites memoráveis de agosto do ano passado, no ?Paul McCartney?s Liverpool Institute Of Performing Arts?, em Liverpool, terra natal do Echo. Vai agradar aos entusiastas da fase mais antiga como em ?Lips Like Sugar?, ?The Killing Moon? e ?Seven Seas?, como também aos novos fãs em versões de puro êxtase e calor intenso. Ouça ?King Of Kings?, ?An Eternity Turns? e ?SuperMellowMan?.
A mágica maluca que Ian McCulloch e Will Sergeant desprendem juntos, tanto em palco como em estúdio, nos traz aqui, um conforto hipnótico. ?Never Stop? e a psicodélica ?All That Jazz? traduzem o apelo romântico de Ian nos vocais e na guitarreira de Sergeant, em gravação perfeita e super bem equalizada.
Discão oficial, daqueles que fazem a gente chorar de emoção ao ouvir. Não é exaustivo e é muito bem temperado, com toques ácidos com pitadas alucinógenas. É muito mais quente do que nossas línguas podem agüentar. Experimente com um pouco de poder de seu som, respire em alto volume! Com certeza vocês não irão se arrepender!
Clique aqui e ouça a faixa ?The Killing Moon?.
ELVEZ | Pure Aztec Gold
Mais um petardo do selo Poptones, de Alan McGee. Desta vez é o doidão do Elvez, um americano com descendência mexicana que ataca de versador à la Elvis Presley. ?Pure Aztec Gold? é, na verdade, uma compilação de 16 faixas retiradas de 10 discos. Isso mesmo, 10 discos ? espetacular média de dois por ano ? mostrando um Elvez cada faixa mais criativo, plugado em um panorama bastante escrachado de referências pop conhecidíssimas.
Disco bom pra cacete! Rock?n?roll até as últimas, transfigura nomes como Paul Simon, David Bowie, James Brown, além de bandas como The Clash e os Beatles. O disco todo é recheado de referências, cheio de cartas nas mangas… perco a conta de tantos ?inserts? que aparecem mergulhados na sonoridade contagiante deste hermanito. É como as famosas ?margueritas?, um copo apenas não vai te satisfazer.
Sem samplers, são apenas bases clássicas de canções antológicas… experimente um ?poquito?… ?El Groover? abre o disco e já mostra a que veio, deliciosamente procurando problemas em ?Trouble? e em ?Immigration Time? retomamos a balada. ?It?s Now Or Never? brinca não apenas com a letra, mas com todo o arranjo original. É sensacional. ?Miami e a Máfia Mexicana? clama Elvez, com corinho de vozes femininas e tema de fundo com o ?O Poderoso Chefão?.
Não chamaria simplesmente de paródias musicais, mas canções com uma mistura mágica de rock clássico, arranjos contagiantes e muita melodia perdida em algum lugar de nosso sótão cerebral. Go Zapatistas! Não deixem a peteca cair, saturados até os ossos, para soterrar nossas mentes em tantas boas referências musicais… um dos meus preferidos desta semana!