Surfista intelectual

Roubadas no Hawaii

Depois de meses sem treino, Hawaii na alta temporada pode ser o melhor remédio. Foto: Bruno Lemos / Lemosimages.com.

Final de ano se aproximando e eu sem programa. Aniversário, natal, réveillon, calor, mar sem ondas. Ah não, vou me mandar para o Hawaii e passar um mês lá. Decidi assim, do nada, de uma hora para outra.

 

Falar é fácil. Comecei a pedir informações para todo mundo: onde ficar, que vôo escolher, que dias alugar carro, não alugar, levar prancha, seguro de viagem. É uma operação complicada, praticamente uma bela roubada.

Finalmente fechei com a empresa The Surf Travel passagem, seguro e aluguel de carro. O Flávio Martins foi muito legal. Agendei minha estadia entre os dias 11 de dezembro e 10 de janeiro.

Mas as roubadas já tinham começado. Em agosto, por causa de uma friaca na Baleia (altas ondas), peguei uma pneumonia dupla, difícil de curar, um sufoco. Tem que ter o maior cuidado para não voltar.

 

Resultado, fiquei fora de forma e os meses de setembro e outubro sem treinar. Em novembro, pimba, uma protusão cervical pinça o nervo do braço e deixa o trapézio todo inchado: dá-lhe injeções de cortizona e colar cervical.

Quase desisti, chegar ao Hawaii destreinado e colar cervical. Mas não teve jeito, meu médico de esporte e também colunista do Waves, o querido Marcelo Baboughluian foi positivo: “Você vai. E vai pegar onda”, disse.

Daí tem que arranjar onde ficar. Era plena temporada, a elite do surf mundial em peso no North Shore, o Triple Crown, o Eddie Aikau, aonde? Liguei para o Randy Rarick, amigo de outros carnavais. Passou uma listinha de lugares, um deles o do Bernie Baker, legend havaiano que tem um estudiozinho colado à casa dele. Fechei.

Me mandei sem prancha, com uma bagagem mini e uma farmacinha legal preparada pelo doutor Marcelo: remédios para diarréia, inflamação, injeção, um monte de coisas que você espera não usar, mas só de saber que está tudo lá, na mão, dá o maior conforto espiritual.

Para me preparar melhor, comprei o guia “Hawaii Revealed, The Ultimate Guidebook”, do Andrew Doughty. Recomendo, é um barato. O cara, além de ser local, fala tudo na cara, na boa, embora não saiba muito de surf.

Encontrando “Aloha” Meus planos: chegar, depositar umas flores no memorial do Arizona e um ‘Lei’ (colar de flores típico do Hawaii) na estátua do Duke Kahanamoku, depois North Shore. Carro novo, cidade nova, como me achar? Segui as instruções do pessoal da locadora de veículos Hertz: o Arizona Memorial fica no meio da água, não dá para ir agora. E a estatua do Duke é fácil, é só você ir assim e assado.

Fui indo e sorte! Cheguei à Kalakaua Avenue, 2424, e logo ali estava a estátua do grande Duke. Mas estacionar nem pensar! Achar estacionamento no sábado à noite em Waikiki é difícil, fora que a lei nos EUA funciona e é dura, de modo que é melhor se mandar para a estrada e voltar outra hora.

Mas como sair de Waikiki e pegar a Highway? Desesperado, já anoitecendo, parei em um posto de gasolina. Lá posto não tem atendente. Liguei o pisca alerta e entrei na lojinha. Havia duas senhoras havaianas, para lá de gordas no caixa. Expliquei que estava chegando do “Brazil”, 30 horas de vôo e estava perdido, não sabia como chegar ao North Shore.

Foram de uma simpatia inesperada. Me explicaram com detalhes, fizeram mapa, só faltaram me levar. Foi meu primeiro momento de Aloha. Fiquei tão feliz que, sem pensar no que estava fazendo, perguntei se poderia beijá-las. Podia sim, foi beijo e abraço nas duas mamas e uma sensação de felicidade que me acompanhou por toda a viagem.

Já no North Shore o problema: como achar a casa do Bernie em Sunset? E como saber quando era Sunset? Tudo escuro, ninguém na estrada, nenhuma loja, posto, nada. Finalmente, perdidão, vejo um carro de polícia. Ufa! Ele não só ensinaria, mas me guiaria por um trecho.

Putz, chegar ao North Shore com batedor, não estava acreditando. Finalmente entrei na viela em frente à Sunset que, pelo som das ondas quebrava furioso. Vejo uma casa e em seguida alguém me chamando com aquele sotaque gringo: “Oswualdo!”, era o Bernie, já preocupado porque eu não chegava.

O problema é que o estúdio não estava pronto, teria que ficar em uma outra casa, um pouco antes desta. Meu espírito de viagem é ir aceitando as coisas como elas vêm, deixando fluir, me adaptando às circunstâncias. Portanto, tudo bem, vamos lá. Mas antes pergutei: “Aonde posso jantar? Nem almocei ainda”. O Bernie falou que já estava tudo fechado, mas íamos tentar um lugar que é ótimo.

Chegamos ao Shark’s Cove, ao lado do Foodland, tudo fechando. Mas não teve problema, fariam um prato para mim. E, de fato, em três tempos chegaram três grandes pedaços de peixe, arroz integral e salada. Olhei e pensei: “Quanta coisa, vai ser chato deixar no prato, depois de tanta gentileza”. Além do que, o peixe no Hawaii é uma delícia. Comi tudo e na hora de pagar me disseram: “You are our guest”, ou “você é nosso convidado”. Bem-vindo ao North Shore!

 

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Um australiano fortão e simpático:  é Mick Fanning na mesma casa de Oswaldo Pepe. Foto: Aleko Stergiou.

Micktory Acordei bem cedinho e já notei uma certa movimentação na casa. Com sede, fui à cozinha, abri a geladeira e peguei uma garrafa de água, pensei que era da casa. Dali a pouco um australiano fortão, mas simpático, perguntava por sua água. Pensei em ficar quieto, mas preferi falar.

 

“Peguei, não sabia que era sua, desculpe”. Era o campeão mundial Mick Fanning. Sem querer tinha caído na casa onde estava toda a Rip Curl.

Bem que eu tinha notado uma mocinha simpática com cara de surfista e um sorriso feliz da vida andando pelo jardim, era a tricampeã mundial Stephanie Gilmore, pode? De cara na casa onde os dois campeões da temporada e seus pares estavam hospedados. Muito legal para quem ama o esporte.

Finalmente passei para o estúdio, tudo arrumadinho. Perguntei para o Bernie se ele tinha uma bike. Tinha. Olhei a bike dele, uma bicheira daquelas típicas do North Shore. Com muito jeito falei: “Pô Bernie, introduzi o mountain bike no Brasil com a Renata Falzoni, lá nos anos 90. Pedalei muito, será que você não sabe de uma outra bike?”. Sabia, tinha uma MTB, mas não tinha oferecido porque não tinha ideia se eu conhecia uma bike de câmbio.

Foi buscar a super bike, freio a disco, suspensão, tudo. E o melhor, é a bike da Layne Beachley, uma outra legend do surf, simplesmente sete vezes campeã mundial. Ah não Bernie, vou desfilar pelo North Shore com a bike dela? Não tem problema, ela vai curtir, fica com ela.

Armado com a bike da Layne comecei a treinar de novo, pescoço ainda meio duro e o nervo do braço pegando (meio adormecido), cruzando a ciclovia do North Shore todo pimpão.

Na área Vip do Pipe Masters O primeiro brasileiro que encontrei foi o Biro, shaper que mora no Hawaii e na rua onde tem um barraco, lá em Maresias (SP), de quem já tinha encomendado uma longboard. Não acreditou: “Pepe, você aqui? Para passar um mês?”. Percebi que tinha ganhado uns pontos com ele.

Depois foi o Silvinho Mancusi, uma joia de pessoa como sempre. Ficamos batendo papo vendo o pôr-do-sol em Sunset, naquele mesmo dia. Por sorte estava acompanhando o material que ele produzia de modo que tínhamos assunto de sobra. Quem acompanha o Waves sabe do que estou falando.

Estava sem prancha e com o Pipeline Masters rolando. Achei melhor apreciar o espetáculo. E quem encontro no parque, chegando para mais um dia de trabalho como comentarista da Billabong na transmissão da Internet? Meu querido Zé Paulo, professor de altos perrengues na Baleia.

 

“Aí, Pepito, quer entrar na área Vip? vem comigo”. Com o Zé estava um casal, possivelmente de brasileiros, bem simpáticos, depois ficamos juntos um tempão: a Rosely e o João Luis, da Overboard, uma cadeia de lojas de surf. Papo bom garantido, eles conhecem todo mundo, mas sempre na maior humildade.

Aliás, no palanque foi engraçado. Ficamos na ponta e vira e mexe dava para ajudar o pessoal da produção, dar uma mão às senhoras que vinham subindo, enfim, participar da balada. Que coisa mais especial, a final de um campeonato mundial de surf, ali, em Pipeline.

Até que uma hora me deu fome. Fui ao balcão e estava fechado, estavam preparando mais uma rodada de almoço (tinha várias), fui para a fila, mas uma das senhoras da produção falou alto: “Este aqui vai comer primeiro que todo mundo! Todos os convidados Vip ficam fazendo pose, nariz empinado, mas ele está sempre nos ajudando e dando uma força. Dá comida para ele primeiro”. Acreditam?.

Fiquei super feliz e com um pratão na mão fui indo para o palanque de novo. Mas estava rolando uma bateria, de modo que parei na rampa mesmo. Foi quando senti uma mão em minhas costas e alguém me falando: “Puxa, seu prestígio aqui está alto hein?”. Bem, agora podem acreditar, sabem quem era? “o” Pipeline Master, ele mesmo, the legend Gerry Lopez. Sei que tem gente que não acha nada, mas para quem curte o surf de verdade é um momento muito especial.

Na volta, dois meninos molhados pediam carona em frente ao Ehukai Beach Park. Parei o carro, falei em inglês: “Podem entrar, não se preocupem com os bancos, logo seca”. Entraram, super educados. Tinha levado a trilha do Blue Crush e estava logado em um som da Nikka Costa – Everybody Got Their Something – que os caras amaram.

Contei que era do filme, se tinham visto. O papo foi indo, logo percebi que eram brasileiros. Que meninos legais, resolvi levá-los até onde iam. Bem, estavam no mesmo conjunto de casas onde o Zé Paulo, a Adriana e a filhota Yasmin ficavam. Era o Ian Gouveia, patrocinado pela Hang Loose e o Lucas Silveira, da Quiksilver.

Depois de uns dias os encontrei de novo, na areia, bem na entrada de Waimea, que quebrava gigante. Desta vez estavam com um cara mais velho, todos de guns. Falei para o “velhão”: “E aí, a cordinha de 20 pés te salvou mesmo ou foi brincadeira?”. Ele, simpatico, confirmou, foi mesmo:

 

“Cara, quando entrei até achei que era meio exagerado. Mas mesmo assim fui em frente. Foi o que salvou”. Era o Fabinho Gouveia, que dias atrás tinha sobrevivido a uma série que fechou a baía, quebrou várias pranchas e machucou alguns surfistas.

Além de estar lá no dia, li a história em que ele contou que mergulhou o mais fundo que deu, até doerem os ouvidos e ficou esperando. Como a cordinha era longa, deu para ir fundo e para a prancha ir sem ficar puxando ele para dentro do espumão.

 

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Pode acreditar, a guia Sunset Suzy te leva para surfar em paraísos escondidos do Hawaii. Foto: Reprodução.

Sunset Suzy Tinha decidido só entrar na água com alguém local. Depois de uns dias, meu pescoço melhorou, exatamente como o doutor Marcelo tinha previsto. Embora fora de forma, achei que já dava para entrar na água.

Falei com o Bernie e ele indicou uma havaiana, local. Falei com ela e marcamos no Foodland, tradicional e único supermercado do North Shore, às nove horas do dia seguinte.

Logo que entrei no estacionamento, ouvi uma loira alta, forte e bonita me chamar, “Oswauldo Pê-pê? Era minha teacher, Sunset Suzy em sua caminhonete cheia de pranchas. “Vamos para Laniakea?”. Oh, Yes!

A entrada para este pico é especial, você estaciona e desce uma rampa na direção contrária da praia! Dá em um leito seco de rio, atravessa por debaixo da ponte e dá no mar. Bem legal.

A Suzy me explicou como o pico funcionava. Como entrar, aonde havia coral, reefs, enfim, deu o mapa. Peguei uma prancha dela, uma 9’6’’ com algum rocker, de plástico duro, eles chamam epóxi lá. Aqui epóxi tem revestimento de fibra de vidro com resina, lá é uma casca dura.

Estar fora de forma é fogo! Bem, fui remando bem maneiro, pelo canal, e me posicionei. Logo estava descendo as direitinhas perfeitas, correndo até o bico, na boa. Uau, minha primeira onda havaiana!

Bom, todo mundo sabe que no Hawaii, saiu da areia é pedra e coral. Quando fui rapidamente, lá nos anos 90, tive que aprender do melhor jeito: cortando os dois pés. E como demora para cicatrizar. Desta vez, informado, não vacilei, entrei na Surf’n’Sea e comprei o melhor sapato que eles tinham, o E-Bomb da Rip Curl de 49 dólares.

A Surf’n’Sea, para quem não conhece, é a loja mais antiga de surf do North Shore. Está em um prédio tombado dos anos 20 e – como toda boa loja de surf – é uma confusão, tudo por todos os lados.

É um lugar especial, mítico. Imaginem um surfista qualquer e ele provavelmente já esteve lá. pense em qualquer um, das antigas, os campeões. Todo mundo passou naquela velha loja de madeira ao lado da ponte de Haleiwa. É especial, um espetáculo à parte e privado, ninguém parece se dar conta que o lugar é encantado.

Na verdade nem eu, que resolvi de alegre, brincar com o vendedor: “Olha, estou interessado em uma prancha de surf, de um shaper chamado Bob Simmons”. O cara me olhou com cara de interrogação, nunca ouvira falar. Falei: “Bem, tudo bem, então quem sabe uma Joe Quigg”. “Também não?”. “Puxa vida, vocês não tem nada”. E morria de rir por dentro.

 

Se ele apenas olhasse para cima iria ver uma das coleções de pranchas mais preciosas que já vi. Penduradas no teto, me lembrou a coleção do Fernando Aguerre que conheci em La Jolla em sua casa e depois no livro do Ben Marcus (The Surfboard: Art, Style, Stoke) com fotografia da nossa gauchinha Ju Moraes.

Lá tem Tom Blake, Gregg Noll (duas Da Cat novinhas!), Velzys, Gordon & Smith, Hansen, Harbour, Hobie, Pacific Systems, Mike Diffenderfer, Bing, Mark Richards, Gerry Lopez, Dick Brewer, putz, é infernal.

Outro cara da loja ouviu tantos nomes importantes e, curioso, se aproximou. Era o Eddie, gerente, muito boa praça. Logo entrou no jogo e falou: “Bem, é só olhar para cima e preparar o cartão de crédito. Sabe quanto estão valendo estas relíquias?”.

“Sei, claro, tenho 97 das do meu país, incluindo de alguns shapers americanos que talvez você conheça. Passaram um tempo lá, nos anos 70: Mark Jakola, Johnny Rice”. Ele se espantou: “Você tem uma Johnny Rice feita em seu país?”. “Duas na verdade”. Pronto, virei brother do camarada.

Quando voltei depois, para comprar uma Bill Stewart epóxi de 10 pés (o mínimo para mim, segundo o Randy), descobri que tinha 20% de desconto em cima dos preços de promoção. Aloha brothers!

Mas mais surf. Laniakea foi neném, mas não me deixei levar, sabia que no Hawaii é fogo. No dia seguinte, outro pico, também neném, aparentemente (no Hawaii mesmo Waikiki pode ser perigoso), Puaena Point. 

A Suzy me explicou para ter cuidado com os reefs principalmente no outside. “Fica atento para a correnteza da esquerda, se passar da caixa da água branca, se liga, é muito forte e você pode não conseguir sair dela, daí é direto para os corais em direção a Haleiwa”, disse ela.

Meus caros, ali o mar estava um pouco maior. Passar para o outside foi uma barra, sem arrebentação, nada disto, mas uma correnteza forte que você rema rema e olha para a terra ao lado e vê que não saiu do lugar, tem que sair bem para a direita para escapar, senão não dá.

Finalmente cheguei ao outside e aos poucos fui me posicionando, respeitando quem estava lá. O clima era de alegria, todo mundo meio que comemorando. Claro, tinha muita gente de fora, gente do Japão, Finlândia (alunos da Suzy), França, mas também muitos locais, todo mundo sorrindo. Era o espírito do Aloha rolando legal.

Depois de um tempo, graças à correnteza, já estava no lugar ideal. Veio uma, a primeira da série, nem deixei passar, remei e fui, botando de lado, como faço aqui no Brasil. Não foi uma boa, lá é melhor você acelerar no botton turn e daí entrar para a parede, você vai precisar do empuxo extra, as ondas são muito fortes, turbo. Fui sobrevivendo até onde a parede deu e sai, tive vontade de sair com força, voando, como se faz com pranchinha, de tanto embalo que tinha. Mas segurei a onda.
 

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Primeiro caldo em Sunset a gente nunca esquece. Foto: Bruno Lemos / Lemosimages.com.

De camarote na roubada No outro dia, fui encontrar com o Randy Rarick, ver se ele tinha uma prancha para me vender. Tinha, uma 10 pés linda, shapeada por ele para a Bear Surfboards, revestida de madeira. Mas ele falou que não era para vender, era para eu usar numa boa. E já que estava lá, se eu não queria dar uma caída ali no pico, em frente à casa dele. Queria, claro, se ele fosse junto.

O pico, para quem não sabe, é a rainha de todas as ondas que conheço. O melhor pico do mundo. São várias Maresias, tudo em um lugar só, quebrando redondo, lá longe, forte, longo.

É Sunset. Tentamos entrar direto, pelo canal. Mas, como sabem, estava fora de forma, de modo que o Randy falou que eu não ia conseguir, vamos dar a volta.

E fomos, até que chegamos aos picos. É, porque ali não é só uma onda, são muitas, você olha, escolhe a menos forte e se posiciona. Daí para tudo, dá a impressão que acabou. Só a impressão porque, de repente, sobe lá atrás, um pouco mais atrás de onde você deveria estar, uma série servida, substancial.

 

Remei o que pude e escapei da primeira, não parei de remar e passei a segunda e a terceira. Putz, pensei, agora vou descansar bastante, vou ficar uma horinha aqui vendo o espetáculo. E que espetáculo!

Ver lá de dentro os caras escolherem as ondas, remarem forte e descerem violentamente em botton turns irados e encaixarem nas paredonas de Sunset é de arrepiar. Para mim é o maior show da terra. Nada, nada mesmo é mais espetacular.

 

Bem, talvez aquela série que acaba de entrar muito lá atrás e que não vai dar para passar na remada para ninguém. Olhei para os lados, vi as expressões e me preparei: joguei a prancha para o lado, de modo que não receba o lip de frente, mergulhei bem fundo para esperar passar o turbilhão e subi logo. Bem, vocês sabem, primeiro caldo em Sunset vou curtir, afinal, não foi para isso que eu vim?

O que eu não esperava é que iria perder a prancha de cara, na primeira. Mas foi o que aconteceu. Subi depois de uns dois ou três mergulhos e vi que estava sem prancha. Putz, quebrei a cordinha! Mas não, a cordinha estava inteira, o que será que tinha acontecido? Bem, não era hora de pensar no que tinha acontecido e sim no que fazer agora. Lá fora, mar grande e eu sem prancha.

Para quem nunca foi para lá ou para outros picos fortes quero dizer uma coisa. Aqui, no litoral Norte de São Paulo, quando está grande, às vezes é mais fácil voltar sem prancha do que com. Para mim pelo menos, nado bem, graças a Deus, é só usar a espumeira que você vai indo para a areia, tranquilo.

No Hawaii você precisa da prancha, sem ela adeus! É problemão na certa: coral, correntezas. Mas tinha que pensar, pois estava ali, no pico e na roubada. Aí fixei em três pontos. Um, ficar calmo. Dois, ficar muito calmo. E três, toda calma neste momento.

Concentrado e “calmo”, fui entrando nos lips e me dirigindo com toda tranquilidade possível para a areia. Tomei várias na cabeça, mas, felizmente, comecei a me aproximar da praia. Aí aparece o Randy remando com a prancha dele e com a minha presa pelo pé direito, varando! Dá para acreditar? Mas era ele mesmo. Perguntei o que aconteceu. O leash desta prancha prende por um buraco na quilha, entra e dá um nó. A força da onda foi tanta que o cordão escapou com nó e tudo!

Bem, tudo bem pelo menos não tinha quebrado nada do amigão e podia remar tranquilo para a praia. Foi o que eu fiz. Quando cheguei, fiquei olhando o espetáculo. Vi o Randy descer uma direitona com os braços para baixo, parecia tão fácil, acelerava, emendava, descia na base, subia, fazendo uma linha perfeita. Nada deste surf moderno de batidas e rasgadas, um surf suave, que para quem olha parece simples e leve, mas para quem está lá dentro é difícil, rápido e violento.

Ainda entrei uma vez mais neste pico perfeito. Mas fiquei bem para a esquerda (de quem olha da praia), o tempo todo na defensiva, evitando a correnteza que me levava mais para a direita, praticamente remando o tempo todo. O legal foi que depois de um tempo notei que quem estava na água começou a se ligar no que eu fazia.

Pensei comigo mesmo “pode uma coisa destas, o prego lá da Baleia servindo de base para os locais do melhor pico do mundo? Os caras devem estar malucos”. Mas não estavam, porque uma hora, nem sei bem porque, resolvi dar uma remada forte para o Oeste, para o fundo e para a esquerda. Saquei uma mexida no mar lá fora, muito no outside e nem quis pensar: vai que é aquela conhecida onda de Oeste que entra varrendo o pico, não quero nem ver. Ainda mais daqui de dentro.

Olhei e vi que todo mundo me seguiu, remei mais forte ainda, pensando, quanto mais para a esquerda mais protegido vou estar. Mas não contava que aquela mexida era a tal onda de esquerda, que encheu quase que de uma hora para a outra e entrou rasgando, uma série servida, poderosa.

Eu, que tinha remado antes, consegui superar os picos, remando para o lado do lip no desespero, o resto do pessoal não. Foram pegos pela onda já arrebentando. Que espetáculo, ali não tem joelhinho, todo mundo entra com gun, nenhuma menor de 8 pés, a maioria maior, cada canhão, as pranchas rolando na espuma, as cabeças dos caras começando a aparecer no espumeiro, aquela expressão de salve-se quem puder. É demais, é muito, só quem está lá sabe a emoção que é ver uma situação destas de dentro!

Resolvi que já tinha visto demais e na última da série que parecia que não acabava mais, peguei bem no finzinho da onda, bem longe do pico e escorreguei para baixo, tão forte que não deu para ficar em pé, fiquei ali, abraçado na prancha, manobrando para a parede com o maior cuidado e finalmente deu para subir. Do lado esquerdo o espumeiro, à direita a parede e um mar tranquilo, quase parado: assim é o Hawaii.

 

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A guia Vanessa Floyd põe Pepe na maior “roubada”. Foto: Reprodução.

Mais ondas e um “perdido” Alguns dias depois, cansado, não fui surfar de manhã e pensei em pegar um final de tarde em Puaena Point, que já conhecia bem. Cheguei e comecei a tirar a prancha. Daí passam uns caras saindo da água e o mais velho diz: “Se você conseguir varar para o outside tem umas ondinhas, mas está muito difícil, eu mesmo não consegui”.

Não sou daqueles que despreza palavra de surfista saindo cansado do mar. E já fui me preparando, sabia que lá a correnteza é forte e pelo menos iria dar uma remada. Na areia, de sapatinho e roupa, fiquei olhando a pequena baía que é este pico.

Ao lado, um monte de equipamento de cinema, gruas, refletores. Do meio da produção sai um carinha maneiro, loirinho, com cara de invocado. Me cumprimenta e pergunta como está o pico. Comento que acabei de saber que varar está difícil. Ele propõe irmos juntos. Meio que me espantei, o cara nem me conhecia, mas, enfim, é o espírito do Aloha.

 

Dali a pouco o carinha volta de calção e prancha. “Vamos logo, quero aproveitar o break da filmagem”, diz. “Que filmagem?”, pergunto. “Pô cara, você não sabe, estamos filmando mais um episódio de Lost?”. “Ah, sei, a série de TV. Nunca vi, deve ser legal. Desculpe a ignorância”, falei.

Não conseguimos varar, nem a pau. O pior foi que eu vi um havaiano entrando (tentando entrar) pela esquerda, mais pelo meio. Aí fui atrás e achei que estava indo bem até que me dei conta, a correnteza de esquerda tinha me pego. Vi a prancha se afastando do meio da baia e indo rapidamente para a esquerda, como em um rio, rapidinho.

 

Comecei a remar com fé, indo meio de lado, não enfrentando a correnteza de cara. Amigos, vocês não tem idéia. Aliás, claro que tem! Remava e nada, cada vez mais para a esquerda, olhava a terra e falava: “Não pode ser, vou me dar mal, justo neste pico super maneiro!”. Mas era a verdade.

Enfim, pensei: “Faz o que você pode, fica calmo e entrega nas mãos de Deus”. Que acho que me ajudou, pois depois de um bom tempo, já remando com o queixo na prancha, vi que estava voltando para o meio da praia e me aproximando da areia.

Daí a cordinha prendeu, a prancha rolou e eu cai de costas no coral, que nem tinha visto. Já estava no rasinho, em uma ilhota que tem perto da praia.

Pela batida achei que tinha rasgado a roupa, puxei rapidinho o leash, prendi na barriga e vendo que estava próximo me animei e dei uma remada mais forte. Cheguei na praia esgotado, nem enrolei a cordinha. O brother estava lá, meio morto também, sentado na areia. “Pensei que desta você não saia”, disse ele.

Depois vi no IMDB (o database de tudo quanto é filme) a foto do cara, ajudado pelas especialistas do meu escritório. Taí para quem quiser ver.

Pé de pato Mangalô “sete” vezes Outra roubada parecida, mas muito mais grave, foi o dia que a Sunset Suzy não podia ir e mandou a amiga dela, Vanessa Floyd.

Quando vi o biquininho dela, 25 anos, californiana radicada no North Shore, falei: “Aí, meu Deus, você não tem um biquíni menor? Ela não sacou a piada e disse que não, infelizmente. Generoso, disse que tudo bem, vamos assim mesmo.

Como estava soprando o famoso vento Kona Wind, todo North Shore estava insurfável, de modo que fomos para o East Shore, passando Kahuku, em um pico chamado Seven Holes.

A entrada é super bonita, uma picada sobre as dunas e daí os picos. Dá para ver Diamond Head, de costas. Chegamos à praia e saímos remando. Fiquei feliz, porque, apesar da remada ser bem longa (como sempre no Hawaii), logo estava no pico e em seguida desci uma direita legal, bem longa.

Aí olhei para a praia para tomar as coordenadas, uma coisa que sempre faço, mesmo nos picos mais conhecidos. Eu estava lá longe, muito à direita de onde tinha entrado. Percebi porque a remada tinha sido fácil! A correnteza é animal! Nem pensei, peguei a primeira da série, puxei a prancha com força para a direita e fui até onde deu e comecei a remar na determinação.

Olhava o pico e via que todo mundo tinha começado a remar forte também, alguns já no desespero. Eu estava mais para a praia e assim fui remando decidido, até que vi que estava raso. Pensei, bem aqui pelo menos eu fico de pé e peço ajuda. Mas que nada, estava super longe da praia, aquilo era só uma afloração, tinha muita remada pela frente.

Para resumir, depois de uma meia hora, quarenta minutos de perrengue, alinhei com o ponto de onde tinha saído e fiquei boiando, recuperando o fôlego. Chegaram outros caras que estavam no pico, todos mortos. Comentei com eles que praticamente tinha visto Waikiki de tão forte que estava. Todo mundo riu, nestas horas de sobrevivência e companheirismo do surf, qualquer piada boba fica ótima.

 

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Placa de valor inestimável em frente ao Café Haleiwa. Foto: Oswaldo Pepe.

Mai tai no hot tube em Haleiwa Eu e dois amigos que tinham chegado para passar a última semana comigo, o Claudio Cohn e o filho, André, vimos uma placa de madeira pintada em frente a um café.

 

Pensei: “Que objeto mais lindo, será que o dono vende?”. Não era para mim, que minha coleção já deu, mas para a do Claudio que está começando a dele. Entramos, o lugar é puro North Shore, aquela América do Norte dos filmes antigos.

 

Comecei o aplique na gerente: “Sabe aquela placa velha da porta, vocês não estariam interessados em vender? Assim vocês podem fazer um nova, bem bonita”.

Chamou o dono, um tal de Duncan Campbell, designer, fotógrafo, shaper e inventor de uma das quilhas mais loucas do surf, as Bonzers. Foi um papo super legal, resolveu vender a placa para o Claudio, US$ 200. Fomos olhar, era de 1977, vintage, maravilhosa.

 

Fiquei constrangido, o preço era muito barato, fora que íamos levar um patrimônio do North Shore, que tem que ficar lá e não em uma coleção particular escondida do público, para a vaidade de alguns e respeito e consideração de outros.

Por sorte a esposa ligou, foi consultada e proibiu a venda por qualquer soma que fosse. Mas querem saber de uma coisa? Eles adoraram, porque no dia a dia, de fato, não tinham ideia do valor que aquela placa tinha. Para eles era uma placa velha, patinada, sem valor. Para mim é uma peça histórica, em um Café tradicional do North Shore, com 33 anos de história. Típica, só lá e em nenhum outro lugar.

O papo rolou, as bonzers, o último leilão do Randy, que vendeu 750 mil dólares. Show, alguns dos frequentadores vieram sentar junto e o papo chegou nas ondas. Contei de Seven Holes, a roubada que foi, até tinha visto Waikiki de relance.

Morreram de rir, menos o Duncan que falou que aquele pico era um perigo, que nunca deveríamos ter entrado lá, pois não tem salva-vidas nem nada e que nem o pessoal do North Shore entra lá. É super perigoso, tem tubarão e tudo o mais, fora que a correnteza lá é tão pronunciada que, quando se quer saber se o swell virou, vão até lá e sentem a corrrenteza. É o primeiro sinal de mudança nas ondas, muitos dias antes delas chegarem. Falou: “Vocês são loucos!”. E, acreditem, nem cobrou o lanche.

Mas a professora Vanessa tentou consertar a mancada. Convidou nós três para um mai tai no Turtle Bay Resort, com direito ao hot tube, uma piscininha de água super quente. Nem vacilamos, claro! Bem, o “um” mai tai se tornaram vários mai tais (como estas moças têm figado bom!). Algumas outras amigas se juntaram a nós (acho que era nossa vibe que estava atraindo) e, de repente, estávamos eu, o Claudio e o André rodeados de lindas havaianas e algumas turistas atiradas, só nós no hot tube.

Teve uma hora que, já meio alto, me belisquei como nas piadas, para ver se aquilo era real mesmo. Ah, como sou grato ao surf.

Mas a Suzy não gostou da história, embora não tenha falado nada. No dia seguinte me ligou e disse se eu não queria surfar com ela. Claro! Fomos para um lugar lindo (mais um), o Malaekahana Beach Park, logo depois de Kahuku (o Kona Wind estava bombando forte ainda).

Surfei em um pico chamado Hukilau, ao lado de Golden Island, porque o Malaekahana estava flat total. Uma bela remada, mas valeu à pena. Foram as ondas mais suaves que peguei no Hawaii, sem correnteza, um crowd super amigável, todo mundo amigo de todo mundo, a Suzy super querida. E vida boa.

Blue Crush com Prada, Dolce & Gabbana, Tiffanys Geralmente cozinhava no estúdio, mas algumas noites fui ao Haleiwa Joe’s, acho o espírito do lugar muito legal. No primeiro dia levei umas coisas para ler, para não ficar ali, sozinho, sem nada para fazer.

 

A garçonete era uma linda (quase todas são lindas) de uma beleza especial. Não sei porquê, ela se interessou por mim e ficou puxando papo. Aí resolvi aplicar a mocinha. Disse que já tinha visto ela em algum lugar, instiguei sua curiosidade. “Really?”, perguntou, entre interessada e desconfiada, “de onde?”. Falei: “Você surfa?”. Disse que sim, todos os dias, que estava treinando para um campeonato do outro lado da ilha. Mas ela insistiu: “De onde você me conhece?”. Do Blue Crush, você não é a Anne Marie do filme do John Stockwell?

Ela começou a rir e disse que amava o filme, que tinha visto mil vezes e que conhecia todo mundo que fez. Ficamos comentando até que ela me perguntou quem era eu. Não resisti, disse que era um famoso jogador de futebol – para acompanhar o roteiro do filme em que a surfista se apaixona por um jogador em férias no Hawaii.

 

E emendei: “Estou procurando quem me dê aulas de surf, seu aluguel está em dia?”. Ela deu uma vacilada, ficou pensativa e finalmente se lembrou e caiu na risada. Meu Deus, que risada linda! Daí todas as meninas passaram na minha mesa, queriam conhecer o galanteador que sabia de cor o roteiro do Blue Crush. Estão vendo, o que vale a cultura do surf? Pois é.

 

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Não são só as ondas. É o espírito Aloha que faz o Hawaii ser o que é. Foto: Bruno Lemos / Lemosimages.com.

Em um dia que o North Shore estava impossível (lembrem-se, foi o maior inverno em 15 anos), resolvi surfar a famosa Waikiki. Recomendação do Bernie. Saí meio tarde, mas consegui um lugar super maneiro para estacionar no Aston Waikiki, número 2570 da Kalakaua Avenue. Primeiro eram 15 dólares, depois três a cada meia hora, no final, seis dólares para ficar quanto eu quisesse. Aloha brothers.

O problema é que, quando entrei na água com minha pranchinha (10 pés lembram), percebi que o pico que estava quebrando mesmo era lá do outro lado, em frente do Sheraton. Mais uma bela remada. Quando cheguei tinha uma turma internacional, um monte de línguas rolando. Logo um grupo de moças locais se aproximou, meio curiosas do velhão aqui.

Perguntei no meu inglês de pé quebrado se era verdade a velha tradição havaiana de que os mais velhos tinham a preferência nas ondas. Algumas logo caíram na risada e confirmaram, outras mais encardidas protestaram que nunca tinha ouvido falar desta história.

 

Aí argumentava “mas vocês não leram o livro?”, “Aquele escrito por um tal de Mike Dora?”. Nunca tinham ouvido nem falar, mas acabaram concordando. Uma mais velha disse que nos velhos tempos os mais velhos tinham sim a preferência nas ondas. Viram? perguntei, é a tradição, o espírito do Aloha.

Saí já quase no escuro. Agora imaginem eu, molhado, de roupa e sapatinho de borracha, carregando minha Bill Stewart 10 pés toda branca pela Kalakauha Avenue (dêem uma olhada no Google, tem ela inteira) passando por todas as lojas mais chiques do Hawaii: Prada, Tiffanys, Salvatore Ferragamo, Ferrari, Dolce & Gabbana, Billabong, Quiksilver Roxy, Armani Exchange, Guess, Quiksilver Boardriders Club, Volcom, Burberry, Louis Vuitton, os hotéis mais lindos da cidade, o restaurante do Duke.

Que palhaçada, no meio de toda turistada, me senti ridículo. Mas não tinha jeito, o carro estava lá longe. Depois, caminhando, mudei de ideia. Aqui é o Hawaii, esta é a onda mais mítica da história, onde Duke ensinava as mocinhas a pegar onda. É a tradição do local, relaxa.

E fui indo, desviando das pessoas. Até que vi passar outro surfista, e depois mais outro, afinal, é normal. Aqui está todo mundo mais que acostumado e todo mundo ama o surf, portanto, você está no centro do mundo. Aloha brother!

E assim foi, passei pela estátua do Duke, toda cheia de Leis, por uma turma de capoeiristas na malemolência do esporte brazuca, encantando como sempre, por várias Harleys, todas lindas, especiais, e por um violinista que deve ser tradicional de Waikiki, até tinha uma plateia e estava tocando La Vie em Rose.

Parei um pouco e sentei: “pa-ra-di-se”. É aqui, e eu nem precisei morrer como rezam as religiões, estou aqui, vivinho da silva, sentido o prazer que dá uma tarde de surf. Que felicidade, dessas alegrias tranquilas, que se sentem sem nervoso, como se ser feliz fosse natural e durasse para sempre.

Não são (só) as ondas E se for falar mesmo, para mim, o que mais valeu no Hawaii não foi a experiência de um mar espetacular com as ondas mais prós do planeta. É que nunca fui tão bem recebido em lugar nenhum. O espírito de Aloha realmente existe, principalmente para aqueles que sabem perceber e procurar, receber e oferecer.

Em um lugar em que as leis são rigorosas e, pior, são cumpridas, tudo é aparentemente proibido, mas no fim, no Hawaii pode tudo, sempre tem um jeitinho, sempre acaba por rolar uma simpatia, uma brecha, uma atenção especial.

Saí do pico e fui almoçar no Haleiwa Joe’s, meu preferido. Não aceitavam meu cartão e meu dinheiro não dava: “Tudo bem, depois você paga”, me disseram. “O quê? Aqui nos States? Vocês nem me conhecem!”, respondi. “Tudo bem, pode ir, depois você volta”. Acreditam?

Mas foi o que rolou direto: no supermercado, na hora de pagar contas, quando faltava troco, no trânsito, no aeroporto, na locadora Hertz – cuja atendente fez questão de me levar até o embarque no meu carro de modo que não tivesse que levar o pranchão no shuttle.

 

Ainda, no pessoal do Honolulu Weekly, a publicação mais descolada do Hawaii para quem mandei um e-mail perguntando quais seriam as opções de réveillon e recebi como resposta do editor Ragnar Carlson um convite para um happy hour com o pessoal da redação no Thirty Nine Hotel, em Chinatown, nos garçons e garçonetes, sempre me ajudando a escolher.

 

Enfim, não são só as ondas irmão. É o espírito Aloha que é o que há no Hawaii. Ir lá e não sacar este detalhe, por todas as ondas do mundo, é deixar passar a melhor da série, aquela que a gente não esquece e que fica no coração.

 

Aloha! Até o próximo inverno, se Deus quiser!

 

Oswaldo Pepe é jornalista diretor da Art Presse, tem uma coleção de mais de 70 pranchas e é consumidor voraz de livros da cultura surf

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    A próxima chamada do MEO Rip Curl Pro Portugal está marcada para este domingo (18) às 5h da manhã (de Brasília), com possibilidade de início das baterias às 5h, se a neblina não atrapalhar. E com chances de término do evento. Clique aqui para assistir ao vivo no site da WSL Clique aqui para ver a previsão das ondas em Supertubos A previsão aponta swell consistente e vento do quadrante norte para os primeiros dias da janela. Sexta-feira e sábado aparecem como boas oportunidades para avançar com a competição, enquanto domingo deve ter vento mais alinhado como terral, mas com perda de força da ondulação. Na véspera da abertura, a equipe da BestProImages acompanhou de perto os treinos em Supertubos e registrou alguns dos melhores momentos de ação de Gabriel Medina, Italo Ferreira, Yago Dora e Miguel Pupo, além de outros nomes do Championship Tour que aproveitaram a sessão para os últimos ajustes antes do início da etapa: Masculino Round 1 1 – Connor O’Leary (JAP) 11.33 x 10.66 Callum Robson (AUS)2 – Morgan Cibilic (AUS) 8.17 x 5.10 Marco Mignot (FRA)3 – Jack Robinson (AUS) 13.33 x 5.10 João Chianca (BRA)4 – Seth Moniz (HAV) 10.67 x 8.80 Cole Houshmand (EUA)5 – Filipe Toledo (BRA) 14.43 x 12.93 Liam O’Brien (AUS)6 – Kauli Vaast (FRA) 12.27 x 3.40 Jake Marshall (EUA)7 – Guilherme Ribeiro (POR) 11.16 x 5.57 George Pittar (AUS)8 – Frederico Morais (POR) 13.00 x 8.27 Samuel Pupo (BRA) Round 2 1 – Morgan Cibilic (AUS) 15.43 x 11.90 Leonardo Fioravanti (ITA)2 – Gabriel Medina (BRA) 12.00 x 2.30 Filipe Toledo (BRA)3 – Italo Ferreira (BRA) 15.00 x 10.43 Jack Robinson (AUS)4 – Guilherme Ribeiro (POR) 10.33 x 5.00 Kanoa Igarashi (JAP)5 – Yago Dora (BRA) 13.66 x 11.67 Connor O’Leary (JAP)6 – Ethan Ewing (AUS) 15.73 x 11.17 Frederico Morais (POR)7 – Seth Moniz (HAV) 12.80 x 12.60 Miguel Pupo (BRA)8 – Griffin Colapinto (EUA) 17.17 x 13.27 Kauli Vaast (FRA) Quartas de final 1 – Morgan Cibilic (AUS) x Gabriel Medina (BRA)2 – Italo Ferreira (BRA) x Guilherme Ribeiro (POR)3 – Yago Dora (BRA) x Ethan Ewing (AUS)4 – Seth Moniz (HAV) x Griffin Colapinto (EUA) Feminino Round 1 1 – Bettylou Sakura Johnson (HAV) 11.33 x 3.53 Luana Silva (BRA)2 – Francisca Veselko (POR) 8.54 x 7.90 Sawyer Lindblad (EUA)3 – Caitlin Simmers (EUA) 14.16 x 7.93 Nadia Erostarbe (ESP)4 – Carissa Moore (HAV) 12.33 x 6.76 Johanne Defay (FRA)5 – Teresa Bonvalot (POR) 11.40 x 10.93 Gabriela Bryan (HAV)6 – Lakey Peterson (EUA) 11.17 x 7.10 Caroline Marks (EUA)7 – Molly Picklum (AUS) 15.74 x 11.10 Yolanda Hopkins (POR)8 – Erin Brooks (CAN) 12.50 x 7.27 Tyler Wright (AUS) Quartas de final 1 – Bettylou Sakura Johnson (HAV) 7.43 x 7.34 Francisca Veselko (POR)2 – Caitlin Simmers (EUA) 11.50 x 8.93 Carissa Moore (HAV)3 – Teresa Bonvalot (POR) x Lakey Peterson (EUA)4 – Molly Picklum (AUS) x Erin Brooks (CAN)

    Próxima chamada para o MEO Rip Curl Pro Portugal em Peniche acontece neste domingo (18) às 5h da manhã (de Brasília). Assista ao vivo e participe dos debates em nosso fórum.

    A temporada entra em uma nova fase nesta sexta-feira (16). O MEO Rip Curl Pro Portugal abre a sequência decisiva do Championship Tour depois do corte realizado em Trestles e coloca os principais candidatos ao título mundial diante de uma das ondas mais imprevisíveis do circuito. O palco é Supertubos, em Peniche. E, ao contrário de algumas edições recentes, a previsão indica que a famosa bancada portuguesa pode mostrar serviço já nos primeiros dias da janela. A ondulação gerada no Atlântico Norte começa a atingir a costa portuguesa antes mesmo da abertura da competição e deve manter ondas consistentes durante sexta-feira e sábado. O swell permanece na faixa de 1 a 1,5 metro durante boa parte dos três primeiros dias, acompanhado por ventos do quadrante norte. Os modelos analisados em Portugal também apontam para ondulação de oeste-noroeste, com períodos entre 12 e 14 segundos na sexta-feira e vento norte fraco a moderado, combinação favorável para a formação dos tubos que fizeram a fama do pico. Sexta e sábado no radar A sexta-feira aparece como uma das melhores oportunidades para colocar a competição na água. Caso a neblina que tem aparecido nos últimos dias não atrapalhe e as condições previstas se confirmem, não há motivos para adiar o início do evento. No sábado, o cenário deve permanecer semelhante, com ondas na altura da cabeça ou maiores e vento ainda predominantemente de norte. Domingo apresenta uma combinação diferente. O vento tende a virar para nordeste e ficar mais alinhado como terral, mas a ondulação deve perder força ao longo do dia. A previsão indica ondas menores, próximas de 1 metro e perdendo força, o que pode pesar na decisão da organização sobre avançar ou não com as fases finais. A possibilidade de uma etapa rápida existe. Com o quadro reduzido depois do corte, são apenas 38 baterias previstas entre masculino e feminino. São 23 confrontos entre os homens e 15 entre as mulheres. Caso a WSL não consiga aproveitar toda a primeira sequência, novos pulsos de swell aparecem na previsão para a semana seguinte. Uma nova subida das ondas na terça-feira e outra mais forte perto de quinta, embora a qualidade do vento seja mais incerta nesse período. Yago chega de amarelo Peniche coloca novamente o Brasil no centro da disputa masculina. Atual campeão mundial, Yago Dora chega a Portugal na liderança do ranking e volta a Supertubos para defender a vitória conquistada no evento em 2025. Depois do terceiro lugar em Trestles, o brasileiro retomou a primeira posição e inicia o pós-corte novamente com a lycra amarela. A temporada para os brasileiros também ganhou força com Miguel Pupo. Campeão em Bells Beach e novamente vencedor em Trestles, Miguel ocupa a quarta posição do ranking e chega a Portugal vivendo uma das melhores fases de sua carreira. Gabriel Medina aparece logo atrás, em quinto, ainda dentro da disputa pelo quarto título mundial. No feminino, Gabriela Bryan chega a Peniche na liderança depois de recuperar a primeira posição em Trestles. A havaiana foi vice-campeã em Supertubos na temporada passada e terá entre as principais adversárias a canadense Erin Brooks, embalada por três vitórias consecutivas no Tour. Treino com ondas e neblina Nesta quinta-feira (15), os atletas tiveram a última oportunidade de testar os bancos de areia antes do início oficial da janela. A WSL transmitiu a sessão de treinamento ao vivo diretamente de Supertubos. O treino serviu para ajustes de equipamento e leitura do pico, especialmente diante da chegada da nova ondulação. Supertubos é conhecida pela velocidade e força dos tubos, e pequenas mudanças nos bancos de areia podem alterar completamente as melhores posições no lineup. A janela do MEO Rip Curl Pro Portugal vai de 16 a 25 de outubro. A primeira chamada está prevista para 3h30 desta sexta-feira, no horário de Brasília, com possibilidade de início da competição às 4h.

    Primeira chamada nesta sexta-feira (16) às 3h30 (de Brasília). Etapa portuguesa da WSL promete swell consistente e vento favorável. Yago Dora chega como líder do ranking e defensor do título da etapa.

    O tradicional King of the Groms voltou ao Brasil depois de 11 anos e encerrou no último domingo (11) uma edição com seis campeões definidos nas categorias Sub-12, Sub-14 e Sub-16, masculinas e femininas, na Praia de Itamambuca, em Ubatuba (SP). Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku ficaram com os títulos da edição 2026 do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms. As finais aconteceram no domingo, com ondas que chegaram até 1 metro nas séries. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Virada decide Sub-12 Feminino A primeira decisão foi a Sub-12 Feminino. Maria Clara Borges começou na frente com uma nota 4.00 e permaneceu na liderança durante boa parte da bateria. Laura Kanagusiku, porém, conseguiu a virada nos minutos finais. Depois de marcar 3.25, a surfista de Praia Grande (SP) encontrou uma onda de 4.75, maior nota da categoria, para assumir a ponta e conquistar o título. Maria Clara terminou em segundo, seguida por Naima Mathey e Anahi Botelho. Rafael Miranda vence em casa Na Sub-12 Masculino, Rafael Miranda aproveitou o conhecimento das ondas de Itamambuca para decidir a bateria logo nas primeiras oportunidades. O surfista de Ubatuba abriu com 5.00 e depois acrescentou 4.40 ao somatório, garantindo o título. Bernardo Pires, que havia conseguido uma nota 8.00 ainda na primeira fase do evento, terminou como vice-campeão. Gabriel Medeiros ficou em terceiro e Thomaz Monteiro em quarto. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Quiksilver Brasil (@quiksilverbrasil) Gabriela Rigo leva a Sub-14 Ubatuba também ficou com o título da Sub-14 Feminino. Gabriela Rigo somou 8.40 pontos nas duas melhores ondas e terminou na primeira colocação. Catarina Kobayashi foi vice-campeã, enquanto Anahi Botelho ficou em terceiro e Maria Clara Borges encerrou a final na quarta posição. Izau domina decisão Na Sub-14 Masculino, Izau Signorini liderou a decisão do começo ao fim. Ele abriu a bateria com 6.00 pontos depois de uma sequência de batidas e rasgadas e, em sua última onda, acrescentou 5.90 para confirmar a vitória. Bernardo Pires ficou em segundo, Matheus Jhones terminou em terceiro e Narciso Inácio em quarto. Maeva conquista Sub-16 A decisão da Sub-16 Feminino teve disputa entre Maeva Guastalla e Carol Bastides. Carol assumiu a liderança inicialmente, mas Maeva passou à frente a partir da segunda onda e não deixou mais a primeira colocação. Ela terminou com 11.90 pontos, contra 10.65 da adversária de Praia Grande. Mariana Elias ficou na terceira posição e Eduarda Stefani terminou em quarto. Homsi fecha evento com título Felipe Homsi venceu a última final do King and Queen of the Groms e ficou com o título da Sub-16 Masculino. Em uma decisão equilibrada, o paraibano conseguiu a melhor nota da bateria, 7.00, para garantir a vitória. Vini Palma reagiu durante a disputa e saiu da quarta para a segunda colocação. Izau Signorini, que disputava sua segunda final do dia depois da vitória na Sub-14, terminou em terceiro. Bernardo Brizola ficou em quarto. “A praia de Itamambuca é um lugar especial, ideal para esse retorno do King and Queen of the Groms, após 11 anos sem ser realizado no Brasil. Esse evento é uma parceria com a Action Brands, empresa que detém os direitos da Quiksilver e Roxy no país, juntamente com a AUS (Associação Ubatubense de Surf). Nossa ideia é fazer o melhor possível e proporcionar para a criançada um final de semana muito legal”, diz Luiz Henrique Pinga, organizador do evento. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Resultados Sub-16 Masculino1 – Felipe Homsi2 – Vini Palma3 – Izau Signorini4 – Bernardo Brizola Sub-16 Feminino1 – Maeva Guastalla2 – Carol Bastides3 – Mariana Elias4 – Eduarda Stefani Sub-14 Masculino1 – Izau Signorini2 – Bernardo Pires3 – Matheus Jhones4 – Narciso Inácio Sub-14 Feminino1 – Gabriela Rigo2 – Catarina Kobayashi3 – Anahi Botelho4 – Maria Clara Borges Sub-12 Masculino1 – Rafael Miranda2 – Bernardo Pires3 – Gabriel Medeiros4 – Thomaz Monteiro Sub-12 Feminino1 – Laura Kanagusiku2 – Maria Clara Borges3 – Naima Mathey4 – Anahi Botelho

    Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku vencem as seis categorias do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms, realizado em Ubatuba (SP).

    A World Surf League suspendeu um competidor do Championship Tour Masculino de 2026 depois de tomar conhecimento de “alegações de natureza extremamente grave” relacionadas a um encontro privado realizado no Taiti, em agosto. A entidade não revelou oficialmente o nome do atleta nem detalhou a natureza das acusações. O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como sendo o mexicano Alan Cleland Jr., O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como o mexicano Alan Cleland Jr., campeão mundial da ISA em 2023 e competidor do Championship Tour de 2026. Segundo a apuração do jornalista Nick Carroll, o episódio teria ocorrido depois do último dia do Tahiti Pro e envolvido uma surfista australiana adolescente e pelo menos três homens. Ainda de acordo com a publicação australiana, a polícia de New South Wales teria sido informada sobre as alegações e entrado em contato com autoridades do surfe. Não estava claro se a polícia da Polinésia Francesa havia iniciado procedimentos para formalizar acusações. Sobre a suspensão No comunicado, a WSL informou que sua Comissão Disciplinar agiu após tomar conhecimento das alegações e determinou a suspensão provisória do competidor de todos os eventos da entidade. A liga destacou que todos os competidores estão sujeitos, a todo momento, às normas de conduta estabelecidas em seu regulamento. A WSL afirmou ainda que continua conduzindo seus procedimentos internos e que ofereceu assistência às autoridades competentes. A entidade não estabeleceu prazo para o fim da suspensão. Cleland não passou pela linha de corte da temporada e já não disputaria as etapas de Portugal e Filipinas. O próximo evento para o qual o mexicano estaria elegível seria o Pipe Masters, no Havaí, em dezembro. Como a suspensão vale para todos os eventos da WSL, sua participação permanece em dúvida. Situação com patrocinadores Cleland não aparece mais na página de atletas da Quiksilver. O BeachGrit também informou que o mexicano teria deixado Quiksilver e Monster, mas, até a publicação desta matéria, as marcas não haviam confirmado publicamente o encerramento dos contratos. Noah Klapp faz acusações públicas Nesta segunda-feira (12), a surfista profissional alemã Noah Klapp, de 23 anos e campeã mundial Júnior da ISA, publicou um longo relato nas redes sociais no qual acusa Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos durante o relacionamento entre os dois. Noah afirma que tinha 17 anos durante o relacionamento com Cleland e diz que permaneceu em silêncio por medo de não receber apoio, de não ser acreditada e do impacto que uma denúncia pública poderia causar. Noah diz que decidiu tornar sua história pública depois de tomar conhecimento das novas alegações envolvendo Cleland e uma adolescente. Em tradução do Waves, Noah escreveu: “Mantive a boca fechada sobre os abusos aos quais ele me submeteu. […] Acordei com a notícia de acusações de agressão sexual contra ele e outros homens envolvendo uma garota menor de idade. É por isso que estou escrevendo este post”. Em outro trecho do depoimento, ela afirma: “Alan Cleland Jr. abusou de mim durante a maior parte do nosso relacionamento”. No restante da publicação, Noah descreve episódios de violência física, controle e agressões sexuais que afirma ter sofrido durante a relação. As declarações são acusações feitas publicamente por Noah e, até o momento, não foram objeto de conclusão judicial. O Waves noticia essas acusações com atribuição às fontes e não apresenta as alegações como fatos comprovados. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por ❀ noah lia klapp ❀ (@noahklapp) Episódios distintos As acusações apresentadas por Noah dizem respeito ao relacionamento que ela manteve com Cleland anos atrás. Já a suspensão aplicada pela WSL está relacionada às alegações envolvendo um encontro privado ocorrido no Taiti em agosto de 2026. Embora Noah diga que decidiu falar depois de saber das novas alegações, não há elementos que permitam tratar os dois episódios como parte de um mesmo caso ou investigação. Repercussão no circuito A publicação recebeu manifestações públicas de apoio de diversos nomes do surfe profissional. Gabriel Medina, Filipe Toledo, Miguel Pupo, Luana Silva, Tyler Wright e Kelly Slater estão entre os atletas que comentaram o relato de Noah. Gabriel Medina escreveu: “Deus te abençoe.” Filipe Toledo destacou a coragem da alemã: “É preciso muita coragem. Sinto muito que você tenha passado por tudo isso. Deus te abençoe.” Miguel Pupo também manifestou apoio: “Sinto muito que você tenha passado por isso. É preciso muita coragem para falar. Nós apoiamos você, não importa o que aconteça.” Luana Silva escreveu: “Obrigada por ter coragem de falar. Sinto muito que você tenha passado por isso.” Tyler Wright foi mais enfática: “Obrigada pela sua bravura e pela coragem necessária para compartilhar sua história. Estupradores e abusadores nunca deveriam ser idolatrados. Espero que você esteja cercada de amor e luz.” Kelly Slater afirmou que, independentemente das novas alegações envolvendo Cleland, o relato de Noah já seria grave por si só: “Sua própria história já seria demais. Sinto muito por saber disso. É uma questão enorme. Fiquei enojado ao ler tudo isso. Parabéns por ter tido força para falar e tornar isso público.” As manifestações representam apoio público a Noah e não constituem, por si só, comprovação das acusações relatadas. Waves tenta contato O Waves procurou Alan Cleland Jr. por mensagem direta no Instagram para ouvir sua versão sobre as acusações feitas por Noah Klapp. Até o momento, não houve retorno. Caso ele se manifeste, seu posicionamento será acrescentado. A WSL afirmou que não fornecerá outras informações neste momento enquanto seus procedimentos relacionados ao caso continuam em andamento. O Waves seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.

    Surfista profissional alemã de 23 anos, Noah Klapp acusa Alan Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos; Surfing World identificou o mexicano como atleta suspenso pela WSL após caso no Taiti.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos em Honolulu após complicações de um ataque cardíaco; ícone dos anos 70 ajudou a transformar o surfe progressivo e influenciou gerações dentro e fora da água. O surfe perdeu neste sábado (10) um de seus personagens mais revolucionários. O havaiano Larry Bertlemann morreu aos 71 anos, em Honolulu, após complicações decorrentes de um ataque cardíaco. A morte foi confirmada pela família ao Hawaii News Now. Conhecido como “Rubberman”, Bertlemann foi um dos pioneiros do surfe moderno e uma das figuras mais influentes da transformação vivida pelo esporte durante a década de 1970. Seu estilo baixo, veloz, agressivo e extremamente criativo rompeu com muitas das linhas tradicionais da época e abriu caminho para uma abordagem muito mais progressiva sobre as ondas. A história de Larry já havia sido retratada aqui no Waves. Em uma reportagem publicada originalmente em 2023, definimos ele foi como um surfista capaz de marcar uma ruptura entre o surfe clássico e aquilo que viria a ser entendido como a modernidade do esporte. Bertlemann chamava atenção não apenas pelas manobras, mas pela maneira como enxergava a onda. Drops atrasados, cutbacks extremos, rasgadas no limite e mudanças inesperadas de direção faziam parte de um repertório que parecia estar algumas décadas à frente de seu tempo. Ao lado do shaper Ben Aipa, encontrou nas pranchas cada vez mais curtas e rápidas o equipamento ideal para transformar aquela imaginação em movimento. Bertlemann conseguia levar sua abordagem das ondas menores de Ala Moana até os tubos de Pipeline, sempre com uma leitura própria e pouco previsível. Influência no surfe e no skate A influência de Larry ultrapassou as ondas. Seu estilo de curvas baixas e radicais também ajudou a inspirar nomes do skate como Tony Alva e os Dogtown Z-Boys, numa época em que surfe e skate trocavam referências quase diariamente. No surfe, sua progressividade atravessou gerações. Traços de seu estilo podem ser encontrados posteriormente em surfistas tão diferentes quanto Christian Fletcher, Kelly Slater, Tinguinha e Gabriel Medina. Bertlemann esteve também entre os primeiros surfistas a experimentar movimentos aéreos e mudanças de base com naturalidade. Sua ligação com o skate foi tão profunda que um movimento ficou conhecido como “Bert”, referência direta ao havaiano e à maneira como suas curvas foram reinterpretadas sobre o concreto. “Seu legado continuará vivo” Em comunicado divulgado ao Hawaii News Now, a família lembrou não apenas o surfista, mas também o artista e o homem por trás da figura pública: “Seu legado, dentro e fora da água, continuará vivo por meio de sua família, da comunidade do surfe e das muitas vidas que ele tocou.” Larry deixa a mãe, cinco irmãs, três filhos, oito netos e nove bisnetos. Poucos surfistas deixaram uma assinatura tão reconhecível. Em texto publicado pelo Waves, Bertlemann foi descrito como alguém que ajudou a dividir o esporte entre um antes e um depois de sua passagem. Larry Bertlemann deixa exatamente esse legado: o de um surfista que não apenas executava manobras diferentes, mas imaginava possibilidades que o restante do esporte ainda não enxergava. Leia também Um divisor de águas Poucos surfistas em todos os tempos foram tão influentes quanto Larry Bertlemann, pioneiro da progressividade no esporte. Visionário e inspirador O Waves revisitou em 2024 a transformação promovida pelo estilo revolucionário do havaiano nos anos 70.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos após ataque cardíaco; ícone dos anos 70 revolucionou o surfe progressivo e influenciou gerações.

    A mesma edição do Big Wave Challenge que colocou Rodrigo Koxa novamente no topo das ondas gigantes também premiou um nome da nova geração. Aos 16 anos, Ian Pegoraro, surfista nascido e criado em Maui, no Havaí, venceu a categoria Young Gun (Under 18 Performer), destinada a atletas com menos de 18 anos. A conquista veio depois de Ian encarar Jaws, em Peʻahi, na remada. Desta vez, sem o auxílio de jet ski, o jovem surfista entrou na onda usando apenas a própria força para ganhar velocidade e descer uma das paredes mais respeitadas do surfe de ondas grandes. “Entrar em Jaws na remada era algo que eu queria muito fazer. É um desafio diferente e mostra o quanto estou evoluindo. Ganhar o Young Gun torna esse momento ainda mais especial”, afirma Ian. A relação do garoto com Jaws, porém, começou antes. Em uma experiência anterior no pico havaiano, Ian foi rebocado para uma onda pelo brasileiro Yuri Soledade, enquanto o pai, Laerte Pegoraro, o Nena, acompanhava e orientava o filho dentro da água. Raízes brasileiras Apesar de ter nascido e crescido em Maui, Ian mantém forte ligação com o Brasil. Os pais nasceram em São Paulo e foram criados na Praia do Tombo, no Guarujá (SP), onde os avós do surfista continuam morando. “Ele cresceu no Havaí, mas sempre teve essa ligação com o Brasil. A Praia do Tombo faz parte da nossa história e é muito legal ver o Ian levando um pouco dessa história para o surfe de ondas grandes”, diz Nena. Ian atualmente treina com o brasileiro Alex Blau, big rider de Mavericks, e com Daniel Hardam, ex-surfista profissional. A preparação inclui trabalho específico para ondas grandes e também atividades como skate e jiu-jitsu brasileiro. No skate, o jovem já conquistou pódios no CASL National Championships. No jiu-jitsu, é faixa amarela e disputou competições como Hawaii Triple Crown, NAGA Hawaii e IBJJF. No surfe competitivo, aparece atualmente na 12ª colocação do Ohana Surf Circuit. Noite brasileira Ian recebeu o prêmio no mesmo evento em que Rodrigo Koxa, do Guarujá, foi anunciado vencedor da categoria Men’s Biggest Wave. O brasileiro levou o troféu pela onda surfada em Nazaré, Portugal, em dezembro de 2025, com medição preliminar de 29,15 metros, marca que ainda passa pelo processo de homologação. Para Ian, a vitória no Young Gun reforça justamente a conexão entre os dois lugares presentes em sua trajetória. “Eu sou de Maui, foi onde cresci e aprendi a surfar, mas o Brasil sempre esteve presente na minha família. Quero continuar evoluindo, surfar ondas maiores e representar os dois lugares”, afirma.

    Aos 16 anos, Ian Pegoraro entra em Jaws na remada e conquista o prêmio sub-18 do Big Wave Challenge; surfista de Maui tem raízes na Praia do Tombo (SP).

    O surfe brasileiro tem mais um representante confirmado na elite mundial. Nesta sexta-feira (9), Ryan Kainalo garantiu matematicamente sua classificação para o Championship Tour (CT) de 2027 ao avançar da rodada dos 64 do EDP Ericeira Pro, em Portugal. O surfista de Ubatuba (SP) é o primeiro atleta do Challenger Series 2026 a assegurar uma vaga para a próxima temporada.  A conquista chega menos de uma semana depois de Ryan vencer o Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP), e assumir a liderança do ranking do Challenger Series. A vitória no litoral paulista foi decisiva para colocar o brasileiro em posição privilegiada na corrida pelo CT, e o avanço em Portugal confirmou matematicamente a classificação.  Sequência de vitórias Ryan chega à elite mundial embalado por dois títulos consecutivos. Em agosto, venceu o Pantín QS 6000, na Espanha. Na sequência, conquistou o São Sebastião Pro, sua primeira vitória em uma etapa do Challenger Series. Em Maresias, o brasileiro teve um Finals Day perfeito. Superou Lucca Mesinas nas quartas de final, dominou Oscar Berry na semifinal e derrotou Alister Reginato na decisão por 14.50 a 5.83. Com o título, assumiu a liderança do ranking e ficou muito perto de garantir sua vaga no CT. A confirmação veio nesta sexta-feira, durante a quarta etapa do Challenger Series, em Ericeira. O resultado encerra a espera do brasileiro e garante sua estreia na principal divisão do surfe mundial em 2027. Da base à elite mundial A trajetória de Ryan Kainalo no surfe profissional começou a ganhar força ainda na adolescência. Aos 15 anos, em 2022, passou a disputar o Circuito Banco do Brasil de Surfe, competição que acompanhou seu desenvolvimento ao longo dos últimos cinco anos. Nesse período, participou de 19 das 22 etapas realizadas pelo circuito, acumulando experiência e resultados que ajudaram a construir seu caminho até a elite. Ryan também conquistou dois títulos consecutivos do Pro Junior da WSL South America, em 2023 e 2024, consolidando-se como um dos principais nomes da nova geração brasileira. Aos 20 anos, completa a trajetória pelas categorias de base, pelo Qualifying Series (QS) e pelo Challenger Series (CS) até alcançar o Championship Tour. “No começo da temporada o foco era a classificação, mas não sabia que ela viria assim. De um jeito tão bom. Tenho certeza que isso vai ser muito importante pra mim, estou realmente sem acreditar, estou muito feliz. Queria agradecer muito a minha equipe, meus patrocinadores, minha família, meus treinadores, meu psicólogo. Agora é continuar o trabalho que está só começando”, comemora Ryan Kainalo.  Nova geração brasileira A classificação de Ryan representa mais um passo na renovação do surfe brasileiro na elite mundial. O atleta de Ubatuba chega ao CT depois de uma trajetória construída nas competições nacionais e internacionais, com títulos nas categorias de base e nas divisões de acesso da WSL. O brasileiro agora se prepara para disputar sua primeira temporada entre os melhores surfistas do planeta, em 2027. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Primeiro atleta a confirmar classificação pelo Challenger Series 2026, Ryan Kainalo avança no EDP Ericeira Pro, em Portugal, e garante presença na elite mundial aos 20 anos.

    O jornalismo de surfe brasileiro perdeu um de seus pioneiros. Castro Pereira morreu na última quarta-feira (7), em Porto Alegre (RS). Figura conhecida e respeitada no surfe gaúcho desde o final dos anos 1970, o jornalista dedicou boa parte de sua trajetória à divulgação do esporte, acompanhando competições, revelando personagens e registrando histórias que ajudaram a construir a memória do surfe no Sul do Brasil. Castro também fez parte da história do Waves, onde assinou matérias e contribuiu para a cobertura do surfe brasileiro. Sua passagem pelo site integra uma trajetória dedicada à comunicação do esporte, especialmente à valorização dos atletas, competições e personagens do surfe gaúcho. Sua atuação na comunicação começou muito antes da popularização da internet. Durante os anos 1980, Castro produzia boletins sobre as condições do tempo e do mar diretamente das praias de Torres, no litoral norte gaúcho, para a Rádio Ipanema FM, de Porto Alegre. As informações chegavam aos ouvintes por telefone público, numa época em que acompanhar as ondas à distância era um desafio. Também trabalhou na Rádio Atlântida FM e colaborou com jornais, revistas e publicações especializadas. Além das previsões e notícias, acompanhava campeonatos e ajudava a dar visibilidade a surfistas que despontavam no cenário regional. Entre os atletas daquela geração estavam Rodrigo “Pedra” Dornelles, seu irmão Fogo, Cupim, Sandro Neto, Adrian Trials, Felipinho e Tuca Gianotti, nomes que ajudaram a consolidar o surfe gaúcho nas décadas de 1980 e 1990. O jornalista Máurio Borges, que também foi colunista do Waves e tem uma longa trajetória na cobertura do surfe brasileiro, recordou a história do amigo em uma homenagem publicada nas redes sociais. Entre as lembranças, destacou a final do SuperSurf na Praia da Joaquina, em Florianópolis (SC), disputada entre os gaúchos Daison Pereira e Rodrigo “Pedra” Dornelles. “Lembro da sua alegria durante a final do SuperSurf, na Praia da Joaquina, quando dois gaúchos, Daison Pereira e Rodrigo ‘Pedra’ Dornelles, decidiram o título. Ele dizia que aquele era o melhor momento do surfe dos Pampas”, escreveu Máurio. Castro também acreditava no potencial de Pedra para competir no circuito mundial, previsão que acabou se concretizando. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda a paixão do amigo pela leitura e as boas lembranças de uma viagem que fizeram juntos até o Chuí para produzir material para o Surf Guia 2000. Além do trabalho jornalístico, Castro participou da organização de eventos e de iniciativas voltadas à preservação ambiental das praias. Ligado à cidade de Guaíba (RS), manteve vínculos com a imprensa local, onde colaborou com diversos jornais e também incentivou a divulgação do skate. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda o lado pessoal do amigo, descrito como alguém de fala calma, bem-humorado, apaixonado por livros e sempre disposto a compartilhar histórias. Castro enfrentava um câncer de próstata, segundo relato de Rodrigo “Pedra” Dornelles a Máurio Borges. A causa oficial da morte não foi informada. Sua partida deixa uma lacuna entre os profissionais que ajudaram a construir a comunicação do surfe brasileiro, especialmente em uma época em que o esporte ainda tinha pouco espaço na mídia tradicional. O Waves lamenta a morte de Castro Pereira e presta solidariedade aos familiares, amigos e colegas. Fica o reconhecimento a um jornalista que ajudou a contar a história do surfe e que também deixou sua contribuição registrada nas páginas do nosso site.

    Jornalista e ex-colaborador do Waves, Castro Pereira morreu na quarta-feira (7). Pioneiro da comunicação do surfe no Sul do Brasil, ajudou a registrar a história do esporte desde os anos 1970.