
Depos de passar mais uma temporada surfando ondas grandes no Hawaii, Todos os Santos e Maverick’s, Rodrigo Resende retornou no início deste mês ao Brasil para dar prosseguimento aos treinamentos.
Na bagagem, além de boas ondas e muito surf, o desafio lançado ao havaiano Kala Alexander, natural do Kauai. O vale-tudo deve rolar em junho no Meca e a expectativa e especulações em torno do evento já começaram.
Nesta entrevista concedida ao jornalista Vitor de Mattos Alves, da agência Alfabarrels Sports Management, o Monstro comenta a não realização da Tow In World Cup e dropa a a onda de boatos que corre o país envolvendo a luta com Kala.
Resende garante que não luta por dinheiro e nem tem problemas pessoais com o havaiano. Para ele, a luta representa uma resposta às agressões sofridas por brasileiros nas ilhas. “Vou lutar porque sou brasileiro, amo o Brasil e acho que nós merecemos respeito, tanto lá fora como aqui”, diz o big rider carioca.
Segundo Vitor, foi embaçado localizar Resende devido aos treinos de vale-tudo com feras como Zé Mario, Minotauro, Carlão Barreto, Murilo Bustamante, Alan Góes e outros. Mas, como as ondas subiram no último domingo (13/04), ficou fácil encontrá-lo em uma sessão de tow-in no Recreio dos Bandeirantes, em dupla com Eraldo Gueiros. Leia então abaixo as últimas do Monstro.

Como foi a sessão de tow-in neste último grande swell?
O Capilé ligou do Sul para avisar do swell e me chamar para fazer uma matéria lá com ele. Mas, infelizmente, devido aos treinos, não pude ir. Daí, o Eraldo me chamou para fazer um surf de tow-in no canto do Recreio, um pouco mais para o meio, não tão colado na pedra, com umas ondas de 2 metros, às vezes mais. Deu para pegar uns tubos maneiros, estilo Backdoor. Foi legal, foi o primeiro tow-in aqui no Rio desde que voltei do Hawaii. É bom voltar a fazer o tow-in novamente.
Tem havido muita especulação na mídia a respeito dessa luta com o Kala. Gostaríamos que você falasse em primeira mão a verdadeira versão dos fatos e como isso tudo começou.
Bem, eu só conheço esse Kala por meio histórias que contam dele. Sei que ele bateu em vários brasileiros e vem fazendo isso há vários invernos, sendo que no último ele baixou a porrada geral. Isso tudo me incomoda, saber que tem brasileiros apanhando em Pipeline, com o cara pegando surfistas que não sabem lutar e se defender.
Teve um dia que eu estava na casa do Jorge Guimarães (Jóinha), quando o Kai, que treina o Kala, ligou e disse que ele queria fazer um vale-tudo no Brasil. Como eu já estava puto com essa história dele bater em todo mundo, em pessoas que não sabem brigar, falei que eu estava a fim de fazer um vale-tudo com ele.
Mas não pensei que isso fosse tomar proporções tão grandes, com todo mundo comentando, muita gente falando muita besteira por aí, dizendo que eu tenho problemas com ele. Na verdade, nunca tivemos problemas. Isso é mais pela honra dos brasileiros. Acho que alguém deveria dar uma lição nele, para ele ficar mais calmo no Hawaii, para respeitar um pouco mais os brasileiros.
Não é por grana. Já escutei pessoas falarem que eu lutaria porque não teve o campeonato (em Jaws),e que estaria quebrado de grana. Mas, não é pelo dinheiro, mesmo porque o Jóinha não falou em bolsa nenhuma, não falou nada de dinheiro ainda, vou lutar mesmo porque sou brasileiro, amo o Brasil e acho que nós merecemos respeito, tanto lá fora como aqui.
Agora, falando novamente de tow-in, como foi a expression session realizada em Jaws? O que aconteceu nos bastidores do evento?
O campeonato é difícil de acontecer. Eles querem um dia de sol, pouco vento, na direção certa, ou sem vento, a ondulação tem que estar acima de 25 pés, na direção certa para atingir a bancada. Assim, é muito difícil de tudo isso acontecer. Você vê pelo Eddie Aikau, que em dez anos só rolou três vezes.
E Jaws é bem mais exigente para quebrar, não é tão fácil assim. No ano passado eles tiveram muita sorte, mas este inverno foi mais difícil. Até quebrou um pouco antes de começar o período de espera, no dia 26 de novembro, mas a autorização só começava em 1 de dezembro.
O mar estava perfeito naquele swell, com todas as características e qualidades necessárias para o evento acontecer, foi um bom treino. Depois, eles chamaram o evento, para um mar de 18 a 20 pés, quando fizeram a expression session.
Mas rolou mesmo porque já estava todo mundo lá, não sei quem é o cara que faz a previsão das ondas, mas dava para ver que não tinha ondulação suficiente para ter o campeonato, ainda assim eles chamaram o evento num dia em que a maioria já sabia que não iria acontecer.
Acabaram gastando dinheiro e deslocando pessoas de outras ilhas do Hawaii, do Tahiti, Brasil, EUA, assim, para não perder a viagem, chamaram essa expression session e distribuíram US$ 10 mil de premiação. Mas foi bem desorganizado, pois não havia regras nenhuma, uns 30 jet-skis ao mesmo tempo no pico, ninguém respeitando ninguém.
Quando chegamos, Darrick Doner veio pedir para que esperássemos porque eles estavam fazendo uma filmagem. Daí, tivemos que ficar no canal esperando, enquanto os caras pegavam as ondas. Parecia um circo, nunca vi um negócio daqueles.
Surf-treino mesmo foi logo depois, eu, Danilo, Capilé e o Many, Sylvinho e Eraldo, em fevereiro, um mar com pouca gente, muito legal. Ali sim deu para treinar bem.
De volta ao Brasil, quais os novos projetos e planos?
No final deste mês eu vou para a Pororoca. No mês que vem vou para o Chile e, em junho, pretendo escalar uma montanha de neve na Bolívia com o Pitoco. Em julho participo de seminários, cursos, para depois continuar treinando, treinando e treinando, além de fazer campanhas para os meus patrocinadores (Red Nose, X-treme Radical, Flash Power, Bennett Foam, Veltra, O’Neill e Sea-Doo) para estar pronto para a próxima temporada de ondas grandes, valeu? Até…