O paulista Robson Santos, revelado em São Sebastião (SP), é um dos principais talentos da nova geração brasileira.
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Aos 20 anos, o local de praia Preta está pronto para representar o Brasil no tradicional mundial sub-21, que rola entre 3 e 10 de janeiro, em North Narrabeen, Austrália.
Antes de embarcar para a Oceania, Robson aproveita a temporada havaiana para afiar as manobras e evoluir cada vez mais nas ondas pesadas.
Em entrevista concedida a Bruno Lemos, o atleta comenta o ano de 2007 e fala da expectativa para o mundial na Austrália.
Como conseguiu essa vaga para disputar o Pro Junior na Austrália?
Foi suado, viu? Disputei as duas etapas sul-americanas que tiveram em 2007; fiquei em nono lugar na primeira, disputada em Punta Rocas, Peru, e na quinta posição em Camburi (SP), o que me garantiu a quinta colocação no ranking geral do circuito sul-americano e a vaga na equipe brasileira que vai disputar a final do Mundial Pro Junior na Austrália. Além de mim, a equipe conta com os atletas Wiggolly Dantas, Giancarlo Zampieri, Charlie Brown, Yan Guimarães e Adriano Mineirinho (classificado como melhor sul-americano no WQS). Estava atrás desse objetivo havia três anos! Em 2005, bati na trave e fiquei em sexto lugar (a uma posição). Este ano me concentrei bastante, coloquei na cabeça que eu tinha condições de me classificar e parti com tudo pra conseguir meu lugar na equipe! Graças a Deus deu tudo certo!
Qual foi a estratégia ou a que você atribui sua boa performance no Pro Junior em Portugal?
Portugal é um lugar em que sempre me dei bem nas competições! Ano passado já havia ficado em quinto lugar no Pro Junior e em 25o lugar na etapa do WQS de Ericeira. Conheço bem aquela onda! Aproveitei que era uma direita e abusei das minhas batidas de backside, o que me garantiu boas notas, e acabei passando todas as baterias em primeiro lugar. Outra coisa que também me deixou bem confortável foi a força dada pelos meus parceiros de viagem – Willian Cardoso, Heitor Pereira e Júnior Faria. Sempre estiveram do meu lado e mandando boas vibrações! Não posso esquecer do meu amigo Edu, que me abrigou em sua casa e me deu o maior suporte para disputar o campeonato.
Como foi a sensação de vencer um evento fora do Brasil?
Foi sensacional! Tenho trabalhado muito para conseguir vencer os eventos que venho disputando e conseguir chegar ao lugar mais alto do pódio dá uma sensação de dever cumprido, misturada com emoção, força de vontade e garra. Quando terminou a bateria, não consegui segurar as lágrimas, nem mesmo os gritos de vitória que vieram de dentro de mim! Agradeci a Deus e me senti a pessoa mais realizada do mundo naquele momento! Foi minha primeira vitória internacional e vou confessar que estava sentindo falta desse prazer, afinal, fazia três anos que eu não ganhava um campeonato! E ganhar essa etapa do cicuito europeu pro junior me deu muita moral com o pessoal de fora do Brasil! Pude sentir isso entre os competidores do WQS e até mesmo entre os juízes.
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Como você tem se preparado e qual a sua expectativa para esse próximo pro junior em North Narrabeen?
Vim ao Hawaii no começo de novembro para disputar a etapa do WQS de Haleiwa e me preparar para a final do Mundial na Austrália. Estou hospedado na casa da família Lemos, que vem me tratando super bem, o que me deixa mais à vontade para fazer meu trabalho bem feito.
Além disso, meu manager Oliver Scaravaglioni está aqui comigo, me ajudando na preparação física e nos treinamentos diários na água. Estamos filmando as sessões de surf e posso corrigir meus erros e ver onde posso melhorar minhas performances.
Ainda conto com a força do meu amigo Thiago Camarão, que faz as sessões diárias de surf comigo e me incentiva na parte competitiva do negócio. Acabei formando um super time de amigos / profissionais que estão me dando a maior força!
Estou super confiante com meu desempenho no evento! Além disso, vou chegar à Austrália oito dias antes da competição, que começa dia 3 de janeiro e vai até o dia 10 do mesmo mês. Lá vou ficar com o Giancarlo Zampieri, que é super meu amigo, e já combinamos de treinar juntos por lá! Estou super ansioso para disputar esse evento que é meu principal objetivo no momento!
Como foi competir alguns eventos do WQS este ano?
O WQS é um circuito muito difícil. Muitos surfistas bons, muitas etapas, gasta-se muito dinheiro e poucas vagas disponíveis para o WCT! Apesar de eu já ser surfista profissional há três anos, esse foi o primeiro ano em que disputei as principais etapas! Estou tendo um ótimo suporte dos meus patrocinadores (Lost, Globe, Evoke e Boarding) e graças a eles já conheço bem os lugares, as ondas e os atletas que disputam o circuito!
Fui bem nas etapas de Lacanau, São Chico, Durban e Santinho, e sinto que estou cada vez mais entrosado no circuito! Posso afirmar que em 2008 vou dar meu sangue e mostrar muita garra para provar que uma das poucas vagas para o WCT pode ser minha!
Em sua opinião, o que o surfista que corre o WQS tem que fazer para conseguir a vaga no WCT?
Acho que, além de estar com o surf no pé, é preciso ter um ótimo equipamento, ótimas pranchas, estar com um bom preparo físico e, acima de tudo, um ótimo preparo psicológico e mental. Acredito que o fundamental é o atleta saber e acreditar no seu potencial e fazer isso valer na prática!
Você poderia deixar um recado para os internautas?
Como na frase de Roosewelt, acredito que “o futuro pertence àqueles que acreditam na beleza dos seus sonhos”. Por isso, dou-me ao luxo de brigar e seguir minhas vontades, sempre respeitando o próximo e nunca perdendo a beleza da simplicidade da vida! Viva intensamente, mas sempre com respeito! É isso aí, pessoal!!! Paz no mundo!

