A já tradicional Remada de Inverno teve sua primeira edição em 2011, onde nas primeiras três edições o trajeto essencialmente se manteve entre as cidades de Maquiné e Osório e foi adaptado de acordo com as condições ambientais encontradas. O vento é o principal fator limitante e que orienta as tomadas de decisão sobre o trajeto, já que a região é uma planície exposta onde as lagoas têm baixa profundidade e não sofrem ação de marés. Na primeira edição houve muita chuva nos dias precedentes à remada, de modo que as lagoas estavam cheias e os canais com correnteza e água bem acima do leito normal; o vento oscilou completamente, do quadrante Sul para o quadrante Norte. Na terceira edição esse mesmo vento Sul foi fator decisivo para modificarmos o planejamento inicial.
Na Remada de Inverno 2013, o planejamento inicial da remada previa a saída para a Lagoa do Peixoto, em Osório, passando pelas lagoas da Pinguela, Palmital, Malvas, Canal do João Pedro e acampamento em uma belíssima praia com árvores frondosas na Lagoa dos Quadros. No segundo dia remaríamos pela Lagoa dos Quadros e rio Maquiné.
Reunimo-nos no ponto de partida na cidade de Osório em um dia frio e muito ventoso por conta da passagem de uma frente fria. A velocidade do vento, medida com anemômetro, chegava a 68 km/h nas rajadas. Teríamos várias áreas bastante expostas no trajeto estabelecido, de maneira que partimos para uma segunda opção que contemplasse uma remada mais curta e abrigada do vento. Deslocamo-nos para o Recanto, em Maquiné, onde poderíamos iniciar pelo rio e remar na margem abrigada da Lagoa dos Quadros.
Mesmo remando em águas bem menos expostas ao vento, um caiaque simples e um duplo foram capotados pelo vento na região onde o rio encontra a lagoa, sem maiores consequências. Remamos para uma praia muito bonita com árvores frondosas e um excepcional local para acampamento, montado sob o sol radiante de um belo dia. Os caiaques ainda carregados foram transportados com a cooperação de todos e lentamente a confusão de equipamentos para remar, equipamentos de cozinha, barracas, sacos de dormir e alimentos foi sendo organizada, em clima alegre e descontraído que é característica da Remada de Inverno. Doze caiaques de catorze remadores foram colocados lado a lado, roupas e equipamentos molhados foram colocados para secar ao vento e sol, em um varal coletivo.
Aproveitamos a bela tarde para conversar, trocar ideias sobre caiaques e viagens, alguns descansavam e outros já começavam a se movimentar para coletar galhos secos para uma fogueira. Nas remadas procuramos seguir os princípios de mínimo impacto, levando de volta todo o lixo produzido e inclusive recolhendo o que encontramos pelo caminho. Particularmente nas remadas com acampamento em clima frio a fogueira faz parte como um elemento de agregação, trazendo calor, aconchego e fonte de energia para preparar a janta coletiva. Também faz parte da cultura do homem do campo e por consequência um pouco de nossa própria cultura, mesmo nos dias atuais. O impacto decorrente dessa ação no ambiente ainda é mínimo, considerando que somos poucos praticantes e que são poucas as remadas com essa característica ao longo de um ano. Em muito pouco tempo as marcas da fogueira são completamente apagadas.
O jantar é coletivo, cada pessoa contribui com comida e bebida e o cardápio mais apreciado é churrasco acompanhado por vinho. O céu estrelado e límpido pelo ar frio do Inverno é espetacular, e em 2013 programamos a remada para que ocorresse em noite de lua cheia. A Lua estava na sua menor distância da terra, fenômeno conhecido por Superlua – era possível até ler um livro somente com a luz do luar! Após decisão sobre as atividades para o dia seguinte e divertida confraternização noturna, todos foram para suas barracas descansar.
No dia seguinte o sol foi lentamente colorindo algumas poucas nuvens. O vento forte da véspera desaparecera completamente e a água estava espelhada. Pouco a pouco todos foram saindo de suas barracas e iniciando as atividades para o café da manhã e posteriormente para a desmontagem do acampamento. Mais uma vez a colorida confusão de equipamentos diversos foi sendo organizada e ao final tudo sumiu para dentro dos compartimentos estanques dos caiaques. Nesse dia contamos com a participação de mais um amigo, tabelizando quinze remadores em treze caiaques.
Com água espelhada saímos remando em direção a grandes dunas de areia na margem Leste da Lagoa dos Quadros. Nos pés das dunas desembarcamos, subindo para contemplarmos a bela paisagem litorânea. Enxergávamos a lagoa, agora calma, bem ao longe uma pequena ilha (para onde rumaríamos em seguida) e, recortando o horizonte, a bela serra chegando aos mil metros de altitude.
Retornando aos caiaques, marcamos rumo direto para a ilha rochosa, fazendo uma travessia de nove quilômetros em águas completamente calmas apenas perturbadas por uma leve brisa que transformou a superfície espelhada da água em um tapete líquido. Chegando à ilha, acomodamo-nos sobre as pedras para almoçar.
Durante o almoço o vento retornou, mas em intensidade bem menor do que na véspera. Foi apenas para acrescentar algumas ondas e um pouco de emoção ao deslocamento final, quando retornamos para o rio Maquiné e ao Recanto. Modificamos a ideia inicial, adaptando-a às condições locais. Foi uma remada curta em extensão, mas rica em camaradagem e confraternização entre amigos oriundos de dez locais diferentes e realizada em uma bela região no Sul do Brasil.
REMADA DE INVERNO 2014
No sábado, 4 da manhã O pessoal chegou no Recanto e ficou tomando um mate e esperando os demais remadores chegarem por lá.
Todo mundo reunido, iniciou-se uma reunião para ver como ficaria a logística para irmos com o menor número de carros possível para a ponte do Rio Três Forquilhas, ponto de partida da aventura. Definida a estratégia, vamos lá!
Chegamos na ponte do Três Forquilhas, desce caiaque, arruma as tralhas nos compartimentos, coloca roupas pra remar, e pá na água.
Iniciamos a remada sem nenhum vento, pura enganação, pois já nos primeiros kms o vento “Nordestão” bateu de frente, até sairmos do rio Três Forquilhas.
Saindo do rio, cruzamos a Lagoa da Itapeva em direção as “casinhas brancas”. Mesmo a gente tendo combinado diferente, todos os remadores estavam muito distantes, e o André acabou me acompanhando por um bom trecho da remada, conseguimos surfar as ondas por um bom trecho do percurso.
O pessoal que estava bem na frente acabou parando um pouco antes, pois um duplão estava enchendo de água, acho que as saias não estavam OK. Todos pararam por lá.
Por achar que não conseguiríamos chegar até as figueiras e por não existir outro ponto de acampamento, acabamos a remada daquele dia por volta das 14:30, num camping que o pessoal encontrou. Uma decisão acertada, além de muito responsável, pois as condições realmente estavam extremas.
Arrumar acampamento, tomar um banho quente (privilégio dessa remada), sentar ao lado do fogo, só esperando a churrascada e o vinho. Ficamos muito tempo conversando, rindo e falando bobagens.
No outro dia acordei cedo, antes das 7:00 eu já estava me revirando na barraca, onde levantei, lavei o rosto, tomei um café graças a cafeteira italiana do amigo Gildo, depois fui tirar algumas fotos do nascer do sol na Itapeva. Na sequencia aquela rotina de arrumar as tralhas no caiaque, colocar a roupa pra remar.
No segundo dia, o objetivo era chegar ao Recanto, onde primeiramente atravessamos o canal que liga a Itapeva com a Lagoa dos Quadros, tudo muito tranquilo, a correnteza ajudando muito, chegamos na famosa ponte do Cornélios, onde paramos para um rápido lanche.
Passando a ponte, linhas de pesca quase complicaram a vida de alguns, inclusive a minha.
O Leonardo estava com o GPS e liderou a turma, todos em direção a Ilha do Pontal, onde paramos para fazer o almoço. Depois do almoço, todos com as energias renovadas, fizemos a volta na ilha.
Depois foi uma remada curta até o Recanto, que fica no braço morto do Rio Maquiné.
Pra terminar, toda aquela função de levar o caiaque novamente para o clube GPA.
A Remada de Inverno 2014 foi show, uma remada de 40 km, bastante aprendizado, surf nas ondas, muitas risadas e novos amigos.
V REMADA DE INVERNO – EDIÇÃO 2015
A tradicional remada de inverno chegou a sua quinta edição, que nesse ano bateu recorde de participantes , com 32 caiaques Oceânicos , e ainda contou com a presença do remador de SUP long distance Fabrício Souza, fato esse inédito, pois a remada de inverno até então era feita somente por caiaques Oceânicos .
Com inicio no dia 21 de Junho, dia esse que foi o Solstício de Inverno, o dia mais curto do ano, e o dia em que se convencionou como o início do Inverno. Esse ano começamos descendo o rio Maquiné a partir do balneário, que fica 3 km adiante do centro da cidade. O primeiro trecho de descida do rio tem algumas pequenas corredeiras, onde já no inicio da remada tivemos problemas com dois caiaques, um que virou e encheu de água , e outro que teve o casco danificado por uma pedra pontiaguda , precisando assim de reparos improvisados para poder seguir a expedição.
É um trecho muito bonito, um pouco mais estreito e sinuoso do que a parte baixa do rio, com algumas belas prainhas de cascalho e uma belíssima paisagem da mata e do morro.
O rio vai ganhando volume e profundidade a medida que se rema , e o trecho de pedras e corredeiras fica para trás.
Passamos pelas duas pontes do Maquiné, primeiro a ponte antiga e em seguida a nova da BR101. Nessa região já tínhamos remado mais de uma hora, então fizemos uma breve parada no antigo Bar do Moacir, na margem esquerda, onde aproveitamos para almoçar, pois devido aos contratempos na parte das corredeiras, já era quase 12:00.
Dali continuamos acompanhando o curso natural da água, rio abaixo, rumo à lagoa , onde o vento começara a soprar de frente e com isso tivemos que remar forte para chegarmos até a lagoa dos Quadros.
Pouco antes da foz do rio já tínhamos ultrapassado a marca de duas horas remadas, e chegamos a balsa desativada na antiga estrada de acesso para Capão da Canoa, conhecida na região por fazer a travessia das pessoas na década passada.
Passando pela foz do rio Maquiné, entramos na lagoa dos Quadros, rumo ao nosso objetivo final daquele dia que era o acampamento das Figueiras. Nesse trecho, fizemos uma travessia de sete quilômetros e meio baseada principalmente no rumo da bússola ou com auxílio do GPS, onde o vento lateral de 10nós e a ondulação lateral deixou a remada ainda mais emocionante , principalmente para o SUP , onde o Fabrício Souza teve que remar todo o trecho somente de um lado para compensar a força das ondas e do vento.
Chegando na belíssima região das figueiras. Com quase trinta quilômetros remados, atracamos os caiaques e o SUP ,sacamos as tralhas para montarmos o acampamento, onde a descontração e o clima de amizade tomava conta da galera, com histórias das remadas , piadas, o bom e tradicional churrasco gaúcho feito no fogo de chão, e é claro acompanhado de um bom vinho.
Com as brasas da fogueira diminuindo terminamos assim o primeiro dia de jornada.
No dia seguinte, como a conversa em torno da fogueira tinha se estendido noite adentro, o toque de alvorada não foi muito cedo , e pouco a pouco a movimentação para o café da manhã aumentava, dando espaço naturalmente para a arrumação de caiaques e tralhas.
Com tudo pronto, colocamos as embarcações na água para o nosso próximo desafio, a travessia da lagoa diretamente para a foz do rio Maquiné.
Tínhamos aproximadamente mais dez quilômetros de travessia onde a coesão do grupo fortalecera o sentimento de remada fraternal e segura. Atravessamos a lagoa num ritmo mais baixo pois o vento estava fraco e a lagoa com pouca ondulação , e com isso remávamos apreciando as belezas dessa região, e íamos conversando uns com os outros sobre as experiências em expedições , remadas , equipamentos etc…
Adentrando as margens abrigadas do rio Maquiné, onde remamos pelas águas do Braço Morto, para encerrarmos assim a remada no trapiche flutuante do Recanto Maquiné (o Trapiche do Bombeiro), após aproximadamente mais 10 km remados no segundo dia, concluímos assim os 40 km da nossa querida remada de inverso 2015.
Equipamentos utilizados – Fabrício Souza:
Prancha sup race C4 Waterman 14´ Ocean Racer (quilha 9´ race – Danny Ching).
Strap aspiral NRS
Remo full carbon race
Calça e bota e meia de neoprene
Licra , colete neoprene , e jaqueta quebra vento
Mochila de hidratação (camelbag)
Saco estanque NRS
GPS
Celular
Barraca tipo iglu , colchonete de frio.
Lanterna
Energético, isotônico, Água, barras de cereais, chocolate ,bananas .



















