JJF Ghost Board

Redefinindo conceitos

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A prancha usada por John John em Margaret River (AUS) o ajudou a redefinir o que chamamos de carvings, tanto pela amplitude e velocidade quanto pela força e controle com que os realizou.

 

Acho que não era essa a intenção, mas o nome caiu bem. O modelo Ghost, do Jon Pyzel, usado por John John Florence em “Marg”, ainda está assombrando a vida de muita gente que tenta entender o que assistiu naquelas ondas. O mais engraçado é que, ao ser questionado sobre aquela prancha mágica logo depois de destruir mais uma bateria em ondas pesadas, o jovem campeão mundial havaiano só falou dela superficialmente. Talvez ele não saiba mesmo especificar o que há de especial ali, além do fato de poder surfar do jeito que quiser, para assombro geral.

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Esse é o tipo de carving que impressionou todo mundo: John John e sua Ghost. Foto: © WSL / Dunbar.

 

A Ghost (6’2″) by Jon Pyzel parecia a prancha perfeita, nos pés do surfista perfeito para aquele dia. Uma prancha assim não surge do nada. A parceria entre shaper e surfista já tem quase duas décadas. Payzel fez a segunda prancha de surfe de John John Florence quando ele tinha apenas 5 anos, e continua fazendo, como a que ele está usando agora. Isso faz parte da mágica.

O modelo tem algumas características de gun, mas não é bem isso. O outline que veio do modelo Short Cut foi refinado. Originalmente desenhada para ondas ocas, a prancha é mais versátil do que isso e pode funcionar para quase todo surfista que quiser “manobrabilidade” em ondas maiores e mais pesadas. Claro, há que ter habilidade.

 

Boa remada – A prancha, com uma boa dose de volume e largura, tem seu ponto mais largo um pouco mais à frente do centro, assim como seu foil (espessura/flutuação), mas a área do bico se manteve com um rocker de médio para baixo. Isso garante uma ótima remada. Já o rocker da rabeta foi levemente elevado, especialmente nas bordas, para que a prancha se encaixe melhor a curvas mais fechadas, facilitando mudanças de direção com mais controle.

Adicione-se um outline mais alongado, do meio para a rabeta, que termina num pin estreito para os padrões de pranchas de performance no CT e, pronto, temos quase uma gun, que não é uma gun.

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O foil da Ghost manteve mais volume na área do peito, para melhor remada. A rabeta afinada garante mais segurança em ondas maiores. Foto: Divulgação.

 

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Parece uma gun, mas não é bem isso. Boa largura num outline alongado, com rabeta um pouco mais esticada. Foto: Divulgação.
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O outline e fundo dessa prancha foram equalizados para garantir velocidade e segurança. Foto: Divulgação.

 

Sensibilidade e controle – O que importa é que parece funcionar muito bem em alta velocidade, debaixo dos pés de alguém que confia nas bordas e foil afiados, especialmente do meio para a rabeta. Essa característica também faz com que a Ghost seja muito segura mesmo nos tubos mais cavados.

Muito de sua velocidade vem do concave que vai do bico à rabeta, Mas há um double concave dentro do single. A prancha tem lift suficiente para passar por áreas mais flats da onda e, por conta do double concave, mais na área das quilhas, tem boa transição de uma borda para outra.

Vide bula – O próprio Pyzel da a sugestão de medidas, claro, depende também de onde você vai usar esse modelo: 8″ a mais do que a sua altura, de 1/4″ a 1/2″ mais larga e 1/8″ a 3/8″ mais espessa do que sua prancha do dia a dia.

 

Não tem muitas referências? Então veja como seriam as medidas desse modelo em três tamanhos diferentes:

 

5’8″ X 18 3/4″ X 2 5/16″ > 24.7 litros.

6’2″ X 19 3/4″ X 2 11/16″ X 33.1 litros (a do JJF é essa).

6’6″ X 20 1/2″ X 3″ X 40.6 litros.