
No ano passado, o carioca Raoni Monteiro fez sua estréia na elite do surf mundial. Depois do primeiro ano de experiência, o atleta avalia que nem tudo são flores no WCT.
?Só correndo o Tour para saber quais são as dificuldades. É mais difícil do que vocês imaginam?, diz o atleta, que está em Fernando de Noronha para disputar o Hang Loose Pro Contest.
No ano passado, Monteiro fechou o ranking na vigésima terceira posição, garantindo sua permanência na elite em 2005.
?Raoni foi o terceiro melhor brasileiro na elite mundial e o segundo no WQS, a divisão de acesso. Isso comprova que ele ainda tem muitos resultados para buscar?, garante Vitor Alves, empresário do atleta.
Com apenas 22 anos, o local de Saquarema é uma das maiores esperanças do surf brasileiro. Dono de uma excelente carreira como amador, ele se profissionalizou aos 17 anos e partiu para as etapas mundiais.
Depois de três anos correndo atrás de uma vaga na elite, Monteiro carimbou o passaporte para o WCT depois de vencer uma etapa seis estrelas do ex-World Qualifying Series, agora QS, em agosto de 2003, no Japão.
No ano passado, ele conquistou o segundo lugar em uma etapa de mesmo calibre no Salomon Masters, em Margaret River, na Austrália. Ao lado do campeão e amigo Neco Padaratz, Raoni deixou para trás o sul-africano Greg Emslie e o australiano Jake Paterson. Aliás, Neco foi sua maior companhia durante as disputas.
?A presença dos brasileiros é muito importante para quem está iniciando no Tour. Todos se conhecem e sempre nos reencontramos nos campeonatos, mas quem esteve mais ao meu lado foi o Neco Padaratz?, conta Raoni.
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Monteiro achou Teahupoo, no Tahiti, um dos picos mais difíceis do Tour. ?As ondas de lá são fora do comum. Leva tempo para se acostumar. Já na França, me senti em casa, como se estivesse surfando em Itaúna?, revela.
Passar bastante tempo longe de casa é uma das barreiras que os atletas do Tour têm que superar e, com o carioca, não foi diferente.
Casado com Natalia, ele teve que festejar à distância o nascimento de sua primeira filha. ?Vitória foi uma das minhas maiores alegrias em 2004 e também uma das frustrações, pois estava na França quando ela nasceu?, lamenta.
Entre os tops mundiais, Raoni considera Kelly Slater um fenômeno, bem como o havaiano Andy Irons, atual campeão do WCT. ?Tirando Kelly, que sempre será meu ídolo, Andy Irons surfou muito fácil, manobrando bem, tanto que foi campeão mundial novamente?, diz.
Tendo como shaper Ricardo Martins, um dos mais conceituados no segmento, Monteiro também pôde experimentar vários modelos de pranchas. “Os picos mudam bastante e o Ricardo Martins fez várias pranchas para mim. Em média, eu tinha de cinco a seis pranchas para cada campeonato e, graças ao apoio da Bennett Foam, pude testar vários modelos e desenvolver ainda mais meu surf. O Ricardo diz que é um dos melhores blocos para se fazer uma prancha, é leve e macio, de primeira linha?, assegura.
Depois de viajar para uma ilha paradisíaca do meio do Pacífico no início do ano, Raoni estréia nas competições no Hang Loose Pro Contest, que rola até o dia 20. Em seguida, o surfista viaja para a Austrália, onde no dia 26 de fevereiro ele concorre, ao lado do havaiano Bruce Irons, ao “Rookie of the Year” no famoso banquete da ASP (Association of Surfing Professionals).
No começo de março, ainda na Austrália, ele participa do primeiro evento do WCT, o Quiksilver Pro, que acontece na Gold Coast.