Durante a etapa do WCT realizada em Florianópolis, o shaper carioca Henry Lelot mostrou porquê é um dos mais conceituados profissionais brasileiros da atualidade.

 

A exemplo do que já ocorreu em etapas passadas, alguns dos maiores nomes do surf mundial encomendaram pranchas com o brasileiro.

 

O principal é Mark Occhilupo, além dos irmãos Andy e Bruce Irons, o heptacampeão mundial Kelly Slater, entre outros.

 

 

Nesta entrevista exclusiva concedida do Waves.Terra, Lelot fala sobre essas pranchas especiais e como elas repercutiram entre os  tops.

 

Não é novidade esse trabalho que você faz com surfistas estrangeiros.

 

Eu já havia feito pranchas para caras como Barton Lynch, Matt Hoy e Todd Miller, mas foi o Occy o primeiro a usar uma prancha minha em competição. E ele ainda conseguiu um grande resultado com ela, ao fazer aquela histórica final contra o Slater durante o WCT no Rio em 1997. Desde então ele voltou a competir com minhas pranchas em vários anos. Na época o Jake Spooner também competiu com uma prancha minha, mas acabou eliminado justamente pelo Occy. Em 2000, o hawaiano Shawn Sutton conquistou sua vaga para o WCT graças a resultados obtidos com minhas pranchas.

 

Este ano quem mais encomendou além do Occy?

 

O Occy este ano treinou e competiu com uma Wave Killer de poliuretano, tamanho 6’0 com rabeta round squash, medindo 19 1/8 x 2 3/8, feita especialmente para ondas pequenas. Comecei a fazer pranchas para o Andy Irons em 2002, antes dele conquistar o seu primeiro título mundial. O feed-back a cada ano tem sido melhor, tanto que desta vez ele testou nos treinos e gostou da prancha. Acontece que com o título em jogo a cada bateria, a prancha antiga vai ser sempre a melhor opção. Ano passado, fiz também uma de époxi para o Joel Parkinson e o Bruce acabou pedindo uma também para experimentar. Ele recebeu uma Hyper tamanho 6’0, rabeta round squash feita com um novo método de laminação em époxi que venho desenvolvendo para competição.     
  
Você também fez uma para o Kelly Slater.

Verdade, essa foi a terceira prancha. Ele é um cara muito maneiro, mas é difícil encontrá-lo durante os eventos (rs). Acabei achando ele somente após o round 2. Fiz uma Hyper 6’0 rabeta round squash, também em poliuretano, que shapeei utilizando o CDS (Computer Design System) combinado com o programa DSD/Surfcad. Ele usa 18 1/4, mas essa eu fiz com 18 7/16, um pouco mais larga, como teste, pois é a largura que penso ser mais adequada ao peso dele (cerca de 74 kg). Ele acabou testando a prancha no mesmo dia, na praia Mole, e parece ter gostado, tanto que a levou para o Hawaii.

 

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Este foi o último ano do Occy no WCT.

 

Realmente foi emocionante para mim esse último encontro com o Occy, ele foi muito importante para minha carreira, abrindo as portas para que eu pudesse estender o meu trabalho junto a outros top do Brasil e do mundo. Com o passar dos anos nos tornamos amigos. Ele é um cara muito maneiro, muito humano, divertido, e um dos maiores nomes do surfe de todos os tempos. Vamos continuar nos falando, por e-mail, quem sabe quando eu for para a Austrália ele me da uma guarita por lá (rs).  
  
Quais as novidades que você viu nas pranchas que eles trouxeram de fora?

Na verdade nada de mais. Peguei, olhei e medi várias pranchas, que são basicamente o que eles já vêm usando há alguns anos. As diferenças são muito sutis. Tanto Occy, quanto Andy, por exemplo, usam o fundo “single to double concave” nas pranchas, isto é, full concave já a partir de 2 pés do bico até a saída da rabeta combinado com double concave na área entre as quilhas. Flat mesmo, só na ponta do bico. E quase flat, só na ponta da rabeta, mas o miolo é concave mesmo. É difícil imaginar um surfe com pressão para o WCT sem o concave entre as quilhas. Os outlines estão com menos quebra de linha, isto é, praticamente sem wings na rabeta. As bordas estão finas, o edge bem vincado até quase 2 pés da rabeta, curva de rocker natural, nenhuma novidade em especial. Ah, quilhas fixas são unanimidade mundial. Poucos são os que usam quilhas de encaixe.   

   
Shapear para os melhores do mundo faz diferença na regulagem das suas pranchas?

 

Com certeza. O feed back que eles proporcionam é o mais acurado que se possa imaginar. Fica bem mais fácil ajustar minhas pranchas para funcionarem cada vez melhor, tendo como pilotos de testes caras desse nível técnico, mesmo que seja apenas uma vez ao ano. Além disso, posso acompanhar com clareza o que os melhores shapers do mundo estão usando em seus designs e assim me manter atualizado com relação às tendências. Esse conhecimento eu acabo aplicando em todas as pranchas que faço, seja para competidores ou free surfers que desejam ter o melhor em termos de equipamento.

 

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Acredite nos seus sonhos e na sua capacidade de atingir seus objetivos. A carreira de shaper é longa e muito podemos contribuir para o desenvolvimento do nosso esporte de coração, que sabemos ser bem mais do que apenas um esporte como os outros. Boas festas e boas ondas para todos em 2006.

 

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