Sempre gostei daqueles documentários da natureza, muitas vezes exibidos em canais como o National Geographic, Discovery etc.. onde vemos toda a perfeição da Criação.
Um desses programas, mostrava como algumas aves seguiam um líder em revoadas. As imagens eram de tirar o fôlego de tão espetaculares!
Trazendo para nossa vida, dizem os estudiosos do comportamento humano, que desde que somos bebês, procuramos uma referência, onde então os pais exercem uma influência marcante. No surf, não deixa de ser diferente. Assim que comecei a dar minhas primeiras remadas, nas pequenas pranchas de isopor Planondas e depois Guarujá, no meio da década de 70, já procurava uma referência ou modelo a seguir.
Alguns amigos foram grande motivação para mim no surf, seja pelo estilo ou abordagem na onda, mas um surfista em especial me marcou, não somente pelo surf polido e também pelo fato de ser goofy como eu, mas pela maneira de viver o surf.
O hábito de comprar revistas de surf, desde então foi pra mim, uma forte inspiração e que muito me influenciou na escolha pela profissão que hoje tenho de fotógrafo.
Lembro-me de ir à uma banca perto do consultório médico de meu pai e pedir ao jornaleiro para guardar qualquer publicação que aparecesse sobre minha paixão, o surf.
Foi numa destas revistas, se não me engano uma Surfing, que na época era bimestral, que dei de cara com uma reportagem de muitas páginas de um surfista que já havia visto num filme de surf apresentado pelos irmãos Lumbra no colégio Sion, em São Paulo.
Seu nome: Wayne Lynch!
Brother, ele surfava muito mesmo, com um estilo muito fluido, e o que me chamou a atenção era o lugar onde aparecia a reportagem, um local inóspito da Austrália, entre penhascos e com ondas enormes. Aquele goofy surfava sozinho, numa espécie de busca interior.
Aquelas imagens de Wayne Lynch surfando, descobrindo um novo lugar, buscando algo em seu interior através do surf, foi como uma luva pra minha alma sedenta de respostas.
Sempre fui uma criança questionadora, buscando um caminho; o meu caminho e não aquele que a sociedade me propunha ou mesmo impunha.
Identifiquei-me muito com aquele surfista e o que ele representava naquele momento de minha vida. Hoje, passados 30 anos, não mais um garoto, continuo surfando graças a Deus e tenho outros surfistas que me inspiro para surfar e viver o life style do surf raízes.
Posso dizer que meu grande referencial hoje é Rob Machado, por ser o goofy mais estiloso que conheço e pela maneira de viver o surf. Quem não se lembra dele cumprimentando o Kelly Slater numa final de Pipe masters?
Com relação às respostas que eu tanto buscava, eu as encontrei no meu grande ídolo, Jesus Cristo, que tem me ensinado a surfar a onda que é a vida!
Neste mundo com tanta informação, tanta confusão, como é importante termos um referencial a seguir, seja em qual área for.
Não sei se você amigo(a) surfista tem algum ídolo, mas por muito tempo Wayne Lynch me inspirou. Onde ele andaria neste exato instante? Gostaria de algum dia mandar um e-mail pra ele ou até quem sabe encontrá-lo para dizer que um garoto a milhares de quilômetros da Austrália, num canto do nosso querido Brasil, o teve como referência de surf e atitude. Quem sabe algum leitor desta matéria não o conhece e o localiza pra mim? Ficaria muito grato.
Valeu e boas ondas a todos!
Nota da Redação Clique aqui para ler mais sobre Wayne Lynch no site australiano Surf Research.

