Coluna do Doc

Qual o limite? – III

Dando continuação à polêmica questão da longevidade competitiva, e como última coluna do ano, quero me aprofundar em dois dos aspectos que coloquei como sendo necessários à alta performance: saúde geral e o psiquismo.

 

Quando usei o termo “balada” para generalizar a falta de comprometimento do atleta com um planejamento de treinamento, exames, avaliações, terapia, criou-se a sensação de que para ser atleta é preciso ser “careta” – e que diversão e descontração não são permitidos.

 

Mas é justamente o contrário, é necessário vibrar e comemorar com todas as vitórias, por menores que sejam. É preciso curtir a vida e cada momento que ela oferece, mas… tudo a seu tempo. Tudo tem seu espaço.

 

A palavra Profissional deve ser levada em conta. Assim como em qualquer área de trabalho existe um planejamento: X tempo, de trabalho e Y tempo de férias. Um planejamento adequado tem que ter espaço para férias, quando o atleta terá seu tempo livre para fazer o que bem entender.

 

Porém, no momento em que tem início a fase de treinamentos e competições ele torna-se um profissional e a dedicação deve ser total, assim como fazemos muito de nós atrás da “escrivaninha”. A diferença é que trata-se de uma Profissão-Atleta.

Não é compatível ficar na balada e ir trabalhar no outro dia, o desempenho fica muito aquém do desejável, a saúde geral não é boa e o psicológico menos ainda, a nutrição, o sono…

 

Tudo colabora para que tenhamos um rendimento muito abaixo do que se é capaz. Imagine isso com alguém que tem no corpo e na mente suas principais ferramentas de trabalho. Claro que temos exceções, em que a técnica e a tática superam qualquer “ressaca” que apareça, mas não é esse o caso da maioria.

 

Do ponto de vista do atleta, essas afirmações podem parecer restritivas, limitadoras, mas vejamos este ponto de vista: Qual a possibilidade de ganho financeiro de um atleta mediano? Com certeza será maior que o seu vizinho que ainda não terminou o segundo grau. Quanto tempo ele poderá viver do surf como atleta?

 

Muito menos que o seu vizinho que irá arrumar um emprego convencional. Assim, é preciso “agarrar” a fase e a oportunidade com dedicação total, porque ela irá passar.

Além disso, quando a dedicação surtir efeito nos resultados, as possibilidades se ampliarão e se tudo der certo o ganho financeiro permitirá que se tenha uma aposentadoria com 35 anos, podendo fazer qualquer “balada” sem dever satisfação a ninguém.

 

Do ponto de vista da longevidade como atleta, isso é essencial, pergunte ao Pedro Muller se ele ficou na noite se envenenando para ganhar a etapa de Itamambuca do SuperSurf.

 

Assim, é preciso que se tenha em mente que para ser um campeão é preciso ter atitude de campeão, dentro e fora d’água, que o corpo e mente são as principais ferramentas de trabalho e que é preciso preservá-los para poder exigir o máximo deles.

 

Feliz Natal e que 2005 seja pleno de saúde e felicidade para todos.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)