
O paulista Thiago Kafejian já foi editor de revista de surf, diretor de site, diretor de TV e de filme premiado. Sem dúvida nenhuma o cara se enquadra perfeitamente na definição de um profissional multimídia.
Com esse curriculo, foi convidado para assinar uma coluna sobre mídia no Waves.Terra, intitulada “Idade Mídia”, e aceitou prontamente a missão.
Surfista desde os4 anos de idade, Kafejian é formado pela ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) e atualmente é sócio-diretor da Maikai Produção e Filmes, onde trabalha na direção de documentários, programas de TV, filmes publicitários e institucionais.
Em sua estréia no seleto time de colunistas do Waves, ele fala sobre a influência da mídia no dia-a-dia das pessoas e aproveita para dar boas dicas sobre uma das mídias mais apreciadas pela galera que pega onda: os filmes de surfe.

Fala galera!
É com muita satisfação que estréio minha coluna “Idade Mídia” aqui no Waves! Idade da mídia. E bota mídia nisso! Neste início de século, meio abalado por tanta bomba que já explodiu, todo mundo quer ser/estar/permanecer na mídia: seja o surfista, o artista, o músico ou a gostosa da Darlene.
Mídia impressa, mídia eletrônica, mídia sei lá o quê. É um bombardeio constante de imagens e sons chamando nossa atenção e, na maioria dos casos, convocando nosso cartão de crédito também. Até porque, “aqui você pode”. E, sentindo o poder nas mãos, você logo pensa: “amo muito tudo isso”, e desata a assinar canhoto amarelo em todo canto. A mídia cumpre dignamente seu papel, “publicitariamente” falando. Mas, sendo este meu primeiro texto no site, vou falar de uma mídia mais branda, mais amiga e tão desejada pela surfistada: filmes de surf!

Nada melhor do que assistir a um bom filme de surf antes de surfar. E nada melhor do que assistir a um bom filme de surf depois de surfar. Pode até ser o mesmo. Olhos grudados na tela e a cabeça longe pra caramba. Turbilhão de idéias e pensamentos arranjados de maneira aleatória.
E na balada!? Não sei se acontece com você, mas quando eu vou a uma balada e tem uma tevê ligada com filme de surf, fu… Fico fixado na tela, totalmente desligado do meio ambiente em formação, meio retardado. Tudo bem que para um cara que pega onda há um tempão e é dono de produtora de filmes, essa fixação é explicável. Mas, eu já escutei a mesma história de gente que nem surfava há tanto tempo assim e nem tinha uma produtora. É atração. Pura e simples. E quando o filme é bom, então? Por favor, bons filmes no próximo parágrafo.
Com total direito de usar nomes e emoções, digo que Rafael Sobral, Andréa
Cavalheiro, Edinho Leite e eu ficamos emocionados ao assistir “Shelter”, filme de Taylor Steele e Chris Malloy. O filme não tem o ineditismo de “Endless Summer I”, de Bruce Brown, ou as viagens divertidas de “Endless Summer II”, do mesmo Bruce Brown – quase 30 anos mais experiente.

Não conta com os extremos, os limites e as loucuras de “Step Into Liquid”, de Dana Brown, filme que chegou há pouco no Brasil e que eu assisti naquela tela gigante, ultra-hi-tech-mega-power e sei lá mais o quê, durante o Vivo Open Air. Confesso, apesar de toda a tecnologia, que senti saudades dos bons tempos em que os filmes de surf eram exibidos pelos irmãos Lumbra no auditório da GV em São Paulo. Todo mundo gritando que nem louco. Como aquilo era bom!
De volta ao “Shelter”, o filme é fantástico! Simplesmente porque imprime o grande lance do surf: SURFAR COM OS AMIGOS. E só. O filme não tem uma onda exatamente boa, manobras inéditas, nem picos recém-descobertos, mas tem essência. Sensibilidade. Retrata o sentimento sutil de “pegar onda com a galera”.
Sutileza que o velho e bom Fuad Mansur atesta no filme “Hang With Us”, de Rafael Sobral: “Correr pro bico é mole. O que importa é como tu chegou até lá.” É isso, Fuad disse tudo. Surfar boas ondas, fazer boas manobras e conhecer picos alucinantes é muito fácil, mas.. O que possibilita essa facilidade? Ondas e ondas, anos e anos vividos (e muito bem vividos) na companhia dos amigos.

Pode ser um grupinho do WTC, um bando de pregos, os amigos da escola, não importa. A essência, a diversão e o tesão são os mesmos, contidos no simples fato de surfar com os amigos. “Shelter” é isso: essência, diversão e tesão. E mídia, claro. Mas uma mídia do bem, mídia que é/está/e permanece valorizando essa coisa simples, mas tão valiosa do nosso cotidiano.
Estes cinco filmes são imprescindíveis e obrigatórios. Ah, lembrei de mais um (desculpe meu quase esquecimento, Albertinho), o brasileiro “Obsessão Surf”, de Alberto Alves. Enquanto “Shelter” imprime a essência cool, “Obsessão Surf” retrata o vício do surfista que, nas palavras do diretor, “vive numa euforia constante, nunca esvazia a vontade de surfar, não importa a idade ou quantas vezes você já surfou determinada onda. Se hoje o surf foi legal, amanhã você quer de novo e depois de novo. É obsessão. Quantos caras não deixaram um bom emprego pra ir morar na praia?? Pura obsessão.
É isso galera. Boa mídia aqui no Waves e bons filmes recomendados. A gente se comunica novamente em breve.
Abraço