
Todo bodyboarder sonha com ondas grandes e tubulares. Em busca desse sonho, embarquei para o México.
A intenção era finalmente conhecer um dos lugares mais celebrados do nosso esporte, as pesadas ondas de Zicatela, em Puerto Escondido.
Puerto é o supra-sumo para a prática do esporte. Todo dia tem onda, na maioria das vezes quebra com pelo menos um metro para mais.
Direitas e esquerdas rodam com igual qualidade,

o fundo é de areia e a água é quente.
Para um bodyboarder da Bahia ? Estado que tem altas ondas mas pouco constantes, é grande o choque de encarar o pico em Zicatela.
Fui brindado, logo no primeiro dia, com um swell de mais de dois metros. Com esse tamanho, o Pipeline mexicano não é para qualquer um.
Quem não tem atitude entra no mar e sai sem pegar uma onda sequer. Pico impressionante, dropa-se uma parede que mantém o mesmo tamanho do início ao fim.
Não é possível ver a ponta da onda e o terral não deixa o paredão fechar, quebrando em um tubo muito pesado e perfeito.
Não há comparação com o Brasil, nem mesmo picos como São Conrado ou Itacoatiara tem o power dessa onda.
Cada tubo que eu pegava era o tubo da minha vida.
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Os dois bodyboarders brasileiros radicados em Zicatella recebem seus conterrâneos de braços abertos. Vandielli Esmael se apaixonou por Puerto Escondido e por uma mexicana.
Tem uma filha nascida lá, uma pousada e uma loja de colares de prata. Marcelo Olhares é video maker que registra os melhores momentos nos tubos mexicanos.
Pegam onda em Zicatela todo santo dia. Vidinha mais ou menos…
O pico ainda oferece duas outras opções de onda. No final de Zicatela quebra uma esquerda longa e perfeita, La Punta.

Até rolam sessões tubulares, mas a onda faz mesmo a cabeça dos surfistas.
Para os bodyboarders, outra opção é Punta Colorada, em frente ao aeroporto.
Um shorebreak louco com triângulos de direita e esquerda que rodam quase na areia. Diversão garantida.
Quando Puerto está gigante, acima dos 12 pés, uma viagem de duas horas e meia leva a um dos picos mais badalados do mundo do surf, Barra de La Cruz.
Depois da realização do WCT ? primeira divisão do tour mundial – o crowd está mais intenso, mas vale a pena encarar a concorrência pelo prêmio: tubos de 10, 20, 30 segundos!
Viajar para pegar ondas clássicas é o melhor investimento que um bodyboarder pode fazer, afinal, o que levamos da vida é a vida que a gente leva.
Volto do México com a lembrança e o registro das melhores ondas que já peguei, baterias renovadas e um sorriso de orelha a orelha.
Contando os minutos para, um dia, regressar ao paraíso.