#A preparação psicológica do atleta é algo relativamente novo no surf brasileiro. Volta e meia se ouve falar de trabalho de condicionamento psicológico para competições, principalmente em esportes de equipe como futebol e vôlei.
No surf, esse tipo de preparação ainda é uma raridade. A dupla de big riders Carlos Burle e Eraldo Gueiros, por exemplo, não tiveram nenhum tipo de acompanhamento psicológico que potencializasse seu condicionamento mental para as condições críticas a que foram expostos em Maverick?s e Jaws na última temporada.
Observando atentamente os surfistas, percebe-se, porém, diversos sinais de que o preparo psicológico para situações de extrema competitividade, como são os circuitos do WCT e WQS, poderia fazer diferença nos resultados obtidos.
#Histórias como a de Guilherme Herdy, que confessou passar por momentos de depressão quando viaja pelo mundo, ou de Neco Padaratz e Fábio Silva que, anos atrás, abandonaram o circuito no auge de suas carreiras, são exemplos de situações que poderiam ser evitadas caso houvesse o trabalho de um psicólogo especializado por trás dos atletas.
É o caso de Paulo Vettiner de Carvalho, psicólogo desportivo. Especializado em trabalhar com atletas, Paulo acumulou vasta experiência trabalhando com jogadores de futebol no clube carioca Flamengo e atualmente trabalha com atletas de jiu-jitsu.
Segundo ele, o primeiro ponto a ser observado é que o trabalho do psicólogo é de longo prazo, pois exige o estabelecimento de uma relação de confiança com o atleta, sendo necessário também que o mesmo tenha interesse e motivação para fazer esse tipo de trabalho.
#Às vezes, por desinformação, atletas resistem a uma assessoria psicológica perdendo uma preciosa oportunidade de auto-conhecimento e evolução mental que poderia influenciar positivamente nos seus resultados em competições.
Normalmente, o período inicial desse tipo de trabalho é de observação por parte do psicólogo, que busca conhecer melhor as características comportamentais do atleta.
Uma vez estabelecida a relação de confiança entre atleta e psicólogo, parte-se para uma segunda etapa, onde são traçadas metas entre os dois visando uma determinada competição, por exemplo. O auto-conhecimento do atleta é trabalhado nessa fase, que inclui o desenvolvimento de sua capacidade de relaxamento corporal.
Nesse processo de auto-relaxamento, o atleta pensa nas partes principais do corpo para, depois, mentalmente, entrar em contato com a prancha, com o mar e, conseqüentemente, com as dificuldades que encontra no seu desempenho. Traumas podem ser trabalhados, como derrotas que o marcaram ou algum acidente ou situação limite que minou sua autoconfiança.
#Problemas extras, como relacionamento afetivo, familiar ou de desempenho escolar também podem ser trabalhados quando estiverem interferindo no rendimento do surfista. Nesse caso, a psicologia pode ser uma poderosa aliada para facilitar a conciliação dos diferentes aspectos da vida do atleta, principalmente no desgastante circuito da elite do surf profissional.
Como fatores de motivação, Paulo recomenda a utilização de vídeos de surf, principalmente alguns dias antes das competições. A utilização de fitas de relaxamento também pode ser indicada, tanto para dormir como para os momentos que antecedem à sua bateria. O psicólogo ressalta, entretanto, que não existe um modelo pronto, definitivo, e que cada caso deve ser tratado de forma personalizada, que melhor se adapte ao perfil de cada atleta.
Trabalhar o tempo que o atleta está fora d?água também é muito importante. Nesse período, pode-se buscar aperfeiçoar possíveis deficiências que o atleta possua, sejam físicas ou comportamentais.
#Trabalhos em grupo podem ser extremamente úteis, pois através de dinâmicas de grupo, os atletas podem compartilhar dificuldades vivenciadas. Nessas dinâmicas, muitas vezes o atleta acaba descobrindo situações em comum com a de outros atletas gerando uma rica troca de informações e, muitas vezes, gerando um conforto psicológico fundamental para superar situações incômodas, dentro ou fora d?água.
Esse tipo de trabalho pode ser extremamente valioso para patrocinadores que possuem diversos surfistas em suas equipes, além de ser uma excelente forma de construir um sentimento de equipe sob a marca do patrocinador, o que poderá construir uma relação de lealdade e confiança mútua positiva para o desempenho do atleta nas competições.
Quem tiver interesse em entrar em contato com Paulo Vettiner, mande mensagem para [email protected] ou ligue para (0xx21) 2274-8103.