Psicologia também pode ser aplicada ao surf

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Plínio “Barata” Cury é gente fina

Com essa abertura de texto, a revista Isto É Dinheiro diz que o surfista (foto) está sendo investigado pelo Banco Central por operações irregulares com cartão internacional de crédito. Leia abaixo, a íntegra da notícia publicada pela revista Isto É Dinheiro, assinada pelo repórter Hugo Studart. “Plínio Zarzur Curi, o Barata, é gente fina. Sua mãe vem da família que fundou o Banco Mercantil de Descontos. Já foi um dos surfistas mais populares do Guarujá, litoral paulista. Aos 39 anos, é visto com freqüência nas praias da Califórnia, Indonésia e África do Sul. Mantém casa na ilha de Oahu, Havaí, onde, entre dezembro e fevereiro, recebe amigos bem-nascidos da sociedade paulistana. Plínio Barata enfrenta, porém, sérios problemas ? entrou na mira das autoridades federais quando o Banco Central descobriu que ele usa o cartão de crédito internacional em limites muito acima do normal. Entre junho de 1998 e novembro de 1999, por exemplo, faturou exatos US$ 1.009.383,85 no cartão. Até o fechamento da última fatura em poder das autoridades, a de abril de 2002, continuava faturando a cada mês entre US$ 25 mil e US$ 32 mil. Plínio Barata faz parte de uma lista de 105 empresários ? a qual DINHEIRO teve acesso com exclusividade ? que o Banco Central está investigando, na tentativa de coibir uma nova onda de fraude que começa a se disseminar no País, a importação através de cartão de crédito internacional. O sistema funcionaria assim: paga-se com cartão de crédito, escapando de alíquotas de importação. A entrada da mercadoria no Brasil seria mais complicada, necessitando de algum esquema irregular. Os suspeitos produziram faturas que somam US$ 75,2 milhões ao longo de 18 meses. O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, preparou um dossiê e enviou cópias à Receita Federal, à Procuradoria da República e à Polícia Federal, pedindo que sejam tomadas as ?providências cabíveis?. Armínio lembra que os suspeitos feriram normas cambiais e que ?há indícios de crime de sonegação fiscal?. Receita e PF deram início às apurações. Essa primeira lista do Banco Central é composta por pessoas que gastaram acima de US$ 300 mil em 18 meses. O recordista gastou US$ 2,2 milhões. Surpreende a presença de alguns sobrenomes de peso. Há uma Benayoum, família de banqueiros franceses, cujo patriarca no Brasil, o falecido Bernard Benayoum, casou-se com Beatriz Monteiro de Carvalho (ex-acionista da Volkswagen). Outro sobrenome conhecido é Luiz Gallotti Póvoa, médico, socialite, herdeiro de uma rede de 12 laboratórios de análises clínicas no Rio de Janeiro e sobrinho de Octávio Gallotti, ministro do Supremo Tribunal Federal. Póvoa faturou cerca de US$ 1,1 milhão em seu cartão de crédito pessoal em 18 meses. Ele já foi chamado na Polícia Federal do Rio, mas o delegado não dispunha de informações suficientes para formular as perguntas. ?Meu cliente nega que tenha cometido qualquer ilícito. Ele não teve chance de esclarecer eventuais dúvidas?, diz o advogado, Augusto Carvalho. O surfista Plínio Barata também é dono da Plimax, importadora de skates e equipamentos para surfe, mountain bike e motocross. Por telefone, Plínio explica que empresários de seu porte têm dificuldade de obter cartas de crédito no exterior. Por isso, fornecem o cartão de crédito como garantia. ?Os fechamentos de câmbio são feitos regularmente, depois da liberação da mercadoria na alfândega?, diz ele. ?Estou tentando fazer uma coisa boa para o Brasil. Não tem contrabando, não tem nada de errado.? Legalmente, cartões internacionais só podem ser utilizados para compras pessoais. O BC não define limite de gastos. O fato de um empresário superar os limites usuais não quer dizer que tenha cometido algum crime. O problema é que o BC desconfia que existe aí uma nova modalidade de contrabando. Todos eles terão de explicar à Receita a origem do dinheiro.”
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