Nessa semana temos um pouco de tudo. Sons independentes, barulheira, homenagem e boas risadas. Sem esquecer da Promoção Relâmpago semanal. Dessa vez é o De La Soul. Participe e concorra a discos imperdíveis!
Ah! E todo mundo se preparando para mais uma edição Paulistana do Abril Pro Rock, com Stephen Malkmus e, quem sabe, The Charlatans!
PROMOÇÃO DE LA SOUL
É muito fácil participar. Responda a seguinte pergunta: ?Quais os nomes da trinca de rappers do De La Soul ??.
#Quer uma dica? Leia a resenha desta semana do disco ?AOI: Bionix? do De La Soul.
Corra! Apenas cinco sortudos (as) levarão as compilações da Sum Records com as bandas Echo And The Bunnymen, Tha Eastsidaz, Fear Factory, Elbow, Gorky?s Zygotic Mynci entre muitas outras! Não percam as ?Promoções Relâmpago? que faremos ao longo do ano. Boa sorte!
Agradecimentos ? Sum Records.
Ganhadores da Promoção Relâmpago Andrew Bird’s Bowl Of Fire:
Daniel Simões (BA)
Érico Fernando Romano Padrão (SP)
Fábio Lameiro Rodrigues (RS)
Júnior de Barcelos Peixoto (RS)
Rafael Coelho Martinez (SP)
ANDREW W. K. | I Get Wet
Já ouvi muita gente falando mal de ?I Get Wet?, de Andrew W. K. Na real, irreverência é o que conta! Vamos conversar no fórum abaixo e chegar a um veredito final, que tal? Achei super interessante a retomada do rockão nos moldes ?Ramonianos?. A pegada é super hard rock e a atitude é o que mais conta neste lançamento, digamos, inusitado. Por quê inusitado?
Em pleno século da experimentação e da mistura de gêneros, algo que soe puro, autêntico, ele passa ao hall do estranho, do inusitado. Há quem diga, inclusive, que Andrew, ainda assim, é uma mistura atípica de bandas insolentes como Slayer aliado ao papa Iggy Pop, ou talvez ACDC com toques de Abba. Tire você mesmo as conclusões. Podem falar que Andrew é poser, fingido, um fake total, porém, na babaquice americana da censura acima das coisas, o álbum já começou a fazer seus estragos. Com uma capa ao mesmo tempo chamativa e perspicaz, demonstra uma certa radicalidade em princípios bem definidos.
Andrew aparece apenas do pescoço para cima, com cara de chapado, imerso em um fundo preto e seu nariz sangrando às bicas. A capa acabou sendo censurada, porque violentava a moral e os bons costumes do povo americano. Fomentava a discussão sobre o uso de drogas como a cocaína e a overdose destas substâncias. Nas palavras do próprio Andrew, ?Aquilo é sangue de porco! É uma brincadeira!? e não se tratava do uso de entorpecentes, e sim, de atitude e consternação real e irrestrita!
Vide as músicas ?Party Hard?, ?Party Till You Puke? e ?Fun Night?, extremamente efervecentes, dinâmicas e consistentes. O cara tem apenas 22 anos, toca piano e guitarra, e, desde seus 17, grava seu próprio material. ?Quero fazer a música mais alta e divertida possível!?, e é isso que ouvimos em ?I Get Wet?. Destaco ainda as faixas ?It?s Time To Party? e ?I Love NYC?. Falem mal, falem bem, mas falem dele… ?I Get Wet? de Andrew W. K. vale cada centavo!
Clique aqui para ouvir a faixa ?Party Hard?.
THE BOOK IS ON THE TABLE | EP Raw-Fi Songs
Quero ressaltar minha busca pela novidade! Vamos ouvir muita coisa legal ao longo deste ano. Para começar bem a semana, mais um destaque. Já o lancei há alguns meses… eu nem escrevia aqui ainda… quero trazer grandes pérolas à vocês, portanto, prestem atenção neste disquinho.
CDR caprichado, envelopado, encarte com as letras em uma compilação das seis músicas mais recentes do quinteto paulistano. The Book Is On The Table é mais um lançamento da Midsummer Madness, lá do Rio. O som tem suas misturas inusitadas, mas basicamente soa bem crú e direto.
Um coquetel meio indie, meio punk que foge da receita e mostra atitude. O EP ?Raw-Fi Songs? já vale pela crítica na faixa ?Supermarket? e por ?Fuckin? Surfin? Bastard?, mais conhecida como a versão em inglês de “Surfista Calhorda”, dos Replicantes. Quer saber, me surpreendeu e recomendo ao menos uma escutadela neste EPzinho.
Clique aqui e ouça a faixa ?Fuckin? Surfin? Bastard?.
LOOPER | Up A Tree
Projeto do ex-baixista e fundador do Belle & Sebastian, Stuart David. São canções profundamente arraigadas no universo pop. Super agradáveis de se ouvir, em uma mistura de beats eletrônicos a vocais quase falados, aliados a todo o background herdado do Belle por Stuart. O Looper estreou, de certa maneira, nos idos de 97, quando Stuart e um amigo, ainda na escola de arte de Glasgow (Inglaterra), organizaram uma apresentação multimídia em que os filmes eram projetados pelo amigo.
David criava pequenos inserts sonoros que remetiam a verdadeiras pérolas pop eletrônicas. Mas a estréia em um álbum foi mesmo em 99, com este ?Up A Tree?. Para bom entendedor meia palavra basta! O disco é recheado de músicas incrivelmente contagiantes. Ouça ?Ballad Of Ray Suzuki? e comprove. É de sair balançando o corpo em ritmo alucinado. Emocionante!
É interessante perceber que o Looper captura nossa verdadeira essência fazendo um sonzinho maneiro e acessível. Nada pejorativo, muito bom de se ouvir e criativo nas misturas. É narcotizante nas batidas e muito gostoso no resultado final. Destaco, também, a faixa ?Columbo?s Car? e sua seqüência ?Up A Tree Again?. Nesta estréia atrasada em terras brasileiras, ?Up A Tree? vem para preencher não uma lacuna, mas sim a promessa de dias musicais melhores!
Clique aqui e ouça a faixa ?Ballad Of Ray Suzuki?.
MAGAZINE | Na Honestidade
Engraçadíssimo! Me fez voltar à infância, aos hits ?Sou Boy?, ?Tic-Tic Nervoso? e ?Glub-Glub No Clube?! Vocês se lembram disso? Nossa! Kid Vinil e o Magazine? New wave, punk, rock, tudo a serviço do bom humor e ao descompromisso total. ?Na Honestidade? é isto mesmo! Em seu primeiro mês de lançamento (em 25 de fevereiro) o disco só será encontrado on-line, ou seja, apenas em lojas na Internet.
Por incrível que pareça é a primeira vez que isso acontece com uma banda aqui no nosso Brasil. Espirituosíssimo! Porra! Sente o drama, nas primeiras quatro faixas: ?Conversível Irresistível?, ?Strogonoff da Princesa?, ?Sou Flanelinha? e ?Gorda (I Love You So!)?. Dá para encarar ? Dá sim! Muito legal!
É honesto mesmo, mas tem que entrar no clima, senão não rola. São composições próprias do Magazine e grandes pratas de fora da casa, como em ?Conversível Irresistível?, presente de Roger, aquele mesmo, do Ultrage A Rigor, e ?Boeing 723897?, dos caras do Joelho de Porco. Putz! Não estou acreditando! Molecagem é a palavra. A instrumentação é boa, os arranjos bem karaokê e a voz do grande Kid é inconfundível.
?Chavez? é Black Sabbath puro, rockabilly em ?Zeca Baleiro?, a resposta da provocação que este fez em ?Kid Vinil? que dizia: ?Kid Vinil, quando é que tu vai gravar CD??. Mas a resposta veio a galope: ?Zeca Baleiro/eu já gravei CD/agora é a sua vez/de gravar LP?. Encarte caprichado, com os figuras na capa fazendo cara de pirados! Na honestidade, engraçadíssimo!
Clique aqui e ouça a faixa ?Chavez?.
JA RULE | Pain Is Love
Queres experimentar um pouco de música nem tão ruidosa ou alternativa? Nem só de barulheira e música inflamada vive nossa coluna. Grandes participações femininas neste disquinho. Minha homenagem às mulheres pelo último dia 8. Taí, vou dar destaque para ?Pain Is Love? pelas boas participações ao longo deste lançamento. Vamos a elas. Elas quem? As participações e as mulheres.
A mega diva Miss Elliot em ?X? e até Jennifer Lopez arrancando sua casquinha na contagiante ?I?m Real?. Na mesma levada de semanas atrás, falando sobre o cão raivoso, DMX, venho nesta semana cuspir um pouco sobre Jeff Atkins, mais conhecido como Ja Rule. ?Pain Is Love? sabe dosar bem os discursos. É o terceiro da carreira de Ja Rule e mostra peso e sentimento no copo do liquidificador do gangsta tradicional.
Há quinze semanas na parada da Billboard, entre os três mais vendidos, Rule vem provando um pouco do status de superstar. Mesmo fazendo um paralelo entre o rap mais ?cabeça? do De La Soul e o poderio pop de Ja Rule, traçamos uma linha delicada entre gêneros bem comuns e ligados. Música urbana cosmopolita.
Até o falecido 2 Pac Shakur faz sua participação póstuma na opressiva e excelente ?So Much Pain?. Destaque também para o single grudento de ?Livin? It Up?, com sampler de ?Do I Do?, de Stevie Wonder, além da já comentada, e muito sexy, ?I?m Real?. São claras as mudanças deste disco. O mesmo produtor de DMX atua decisivamente junto à Ja Rule, transformando a sonoridade do disco muito mais para o lado comercial do que para a fundamentação artística. Encarte caprichado, igual ao gringo. Talvez dor não seja amor, nem amor dor. Para rolar no carro, em casa ou aonde você quiser.
Clique aqui e ouça a faixa ?I?m Real?.
DE LA SOUL | AOI: Bionix
Eu adoro falar sobre o De La Soul. Os caras têm essência, criatividade e autenticidade. O trio Pasemaster Mase, Posdnuos e Trugoy The Dove, de Long Island (NY), bebem na fonte daquela vertente ?native tongues? e há muito tempo chamam atenção pela robustez de seu som. ?Three Feet High & Rising?, primeiro álbum dos caras, era sinônimo de boa música já em 89.
Depois disso, muito se fez e ainda os chamam de mestres da rima incondicional do movimento hip-hop. ?AOI: Bionix? é o segundo álbum da série intitulada ?Art Official Intelligence? (AOI), um projeto super ambicioso que contempla o lançamento de três álbuns ao longo de três anos. Em 2000 tivemos ?AOI: Mosaic Thump?, reinventando conceitualmente o De La Soul das formas obscuras e traduzindo composições instigantes em pureza de espírito musical.
Agora, cada vez mais, eles trazem lirismo aliado à batidas vibrantes e contagiantes, enchendo nossas cabeças agitadas. Grande destaque para ?Baby Phat?, com as participações de Devin The Dude e Elizabeth ?Yummy? Bingham, uma ode à mulher negra, além de ?Peer Pressure?, com a participação especialíssima de B-Real, do Cypress Hill.
Crítica em forma dançante, nada agonizante… ?Held Down? é dura no ponto. Alienação dos movimentos religiosos, doutrinas esparsas e massificantes. Ouça as três vinhetas ?Reverend Do Good ? 1,2 e 3. ?AOI: Bionix? é alternativa certeira para a montanha de porcarias sem evolução que vemos soltas por aí! Continuação de um processo, de progresso sonoro, de força musical autêntica. Aproveitem, é bom demais!