
A língua falada no outside de Jaws na última segunda-feira foi o português.
Eraldo, Burle, Rodrigo, Danilo, Yuri, Romeu, Pato, Haroldo, Pacelli, Daniks, Cesinha, Edison, João Mauricio, Alfredo, Coxinha, eu e ainda as gatas Andréia e Maria.
Nem a presença de Laird Hamilton, Brett Lickle, Dan Moore, Mark Anderson, Vitor Lopez e Robbie Seeger intimidou o desempenho dos brazucas que revezaram as melhores das séries na parte da manhã, enquanto os gringos ainda não tinham aparecido.

Segundo Lickle, Laird tinha machucado o joelho numa sessão de paddle board, assim não ficou muito tempo surfando.
A bóia que demarca as ondas no outside não tinha passado dos 15 pés durante toda a noite, mas os mapas mostravam uma forte ondulação, então a galera ficou na dúvida do real tamanho das ondas.
A dúvida acabou quando colocamos os jet-skis na água bem cedo na baía de Maliko. Eu e Rodrigo Resende passamos por duas ou três séries que fecharam o canal de ponta a ponta.
Muitos tubos de no mínimo 40 a 50 pés de face estavam rolando. A galera abusou. A maré seca e ondulação subindo botaram para quebrar.
Foi mesmo o que o havaiano Kaleo Amadeo afirmou quando chegamos no pico: ?Caramba, tem muitos tubos. Está perfeito e sem ninguém. Ondas de 40 a 50 pés sólidas?. Ele e o argentino Daniel foram a primeira dupla a surfar.
A performance foi o ponto alto da sessão. Os tupiniquins deram um verdadeiro show de surf. A direção da ondulação era a mais perfeita possível de Noroeste, tanto a direita, muito buraco como sempre, quanto a esquerda, muito longa, não pararam de quebrar durante todo o dia.
Depois do meio-dia as séries ficaram um pouco menos constantes, mas sem perder o power e tamanho. Destaque para as grandes ondas surfadas na primeira sessão do dia, Haroldo, Rodrigo e as minhas ondas, o tubo longo de Jorge Pacelli e as esquerdas surfadas por Yuri, Pato e Danilo.
Romeu Bruno e eu ainda no final de sessão ainda saímos lesados da água. Burle pegou uma onda enorme na hora de maior sol. Muito visual. A primeira vez sempre é inesquecível; Coxinha e Daniks terão esse dia na memória para sempre. Ninguém esquece a primeira sessão ali.
Vitor Lopez surfou um bonito tubo. Eu estava no canal passando na boca e vi ele rodar de cabeça para baixo na saída. O desespero de seu filho Sean Lopez ao resgatá-lo foi uma das melhores vibrações do dia. Mesmo Vitor saindo do caldo apenas com o lábio sangrando, seu filho, na pilota do jet-ski, não via a hora de resgatar o pai.
Mas nem tudo terminou em pizza. Romeu Bruno voltou com o lip e machucou as costas em um momento perigoso e eu, durante um ?flip? muito utilizado no final da onda, acabei aterrissando pesado na prancha e torci o tornozelo.
Terminei a sessão pilotando o jet-ski para o Pato. Segundo ele, foi sua melhor sessão de surf em Jaws. ?Consegui pegar muitas ondas, tanto para esquerda quanto direita?. Eu também não me recordo de uma sessão tão intensa só com brasileiros. O local Robbie Seeger ainda brincou no outside, ?isso aqui tá parecendo Florianópolis?.
No vôo de volta para Oahu, eu, Pato e Bruno Lemos comemoramos a ótima sessão e depois de alguns telefonemas soubemos que as ondas em Waimea quebraram pesadas com séries de até 40 pés de face, para a alegria da galera que pegou as bombas da maneira tradicional.
Um forte swell caminha para a Califórnia onde devem quebrar ondas gigantes nos próximos dias.
Aloha
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