
Aqui vou contar a história de uma grande viagem pelo Peru. A viagem teve três etapas diferentes, uma pela região de Punta Hermosa (50 km ao sul de Lima), outra em Cusco (nas cordilheiras) e, por último, em Mâncora, norte do país.
Saímos do Brasil no dia 24 de janeiro e após quatro horas de avião já estávamos desembarcando no aeroporto de Lima.
Uma van estava nos esperando no aeroporto. Amarramos as “muitas” pranchas no rack e viajamos mais uma hora até Punta Hermosa, onde fica a Pousada do Luisfer.

A galera chegou na fissura para cair no mar do Pacífico. Foi o tempo de colocar as malas no quarto e já estávamos prontas para cair na água fria. Como já era final de tarde, fizemos uma queda em La Islã, pico que fica na frente da pousada.
Muitas surfistas brazucas ficaram hospedadas no Luisfer: Brigitte Mayer, Andréa Lopes, Juliana Guimarães, Juliana Quint, Silvana Lima e eu.
Além de nós estavam Jaqueline Silva, a mascote Isabela Lima (categoria Mirim), Monika Mayer (kneeboarder) e Cris Stockler (longboarder). Equipe de peso!
Passamos uma semana e meia desbravando a região de Punta Hermosa. Surfamos muitas ondas boas, a maioria point-breaks para a direita, perfeitos! Punta Rocas, Caballeros, Senhoritas, Hueco, San Bartolo e Arica. Chegamos a alugar um carro para poder surfar alguns picos mais distantes. Fomos até Pepinos, região de Cierro Azul, uma esquerda perfeita… Diversão garantida!
Surfávamos o dia inteiro e quando chegávamos de noite na pousada, “a massa” estava morta de fome. O problema era rapidamente solucionado pelo “rango” reforçado da pousada. Não sobrava nada no prato!
Fazíamos a digestão assistindo as filmagens (feitas pelo Fernando) e as fotos (tiradas pelo Piu) feitas no mesmo dia. Depois disso, cama. E no outro dia cedinho, começava tudo de novo. Ficamos nessa rotina até o dia 3 de fevereiro, quando começou a etapa do WQS no Peru, primeiro campeonato mundial feminino realizado na América Latina.
O campeonato foi realizado na praia Asia, que ficava a uma hora de Punta Hermosa. Um ônibus organizado pela ASP levava e trazia todas as competidoras de Punta Hermosa até o campeonato todos os dias.
Eram 12 brasileiras disputando a prova: Jaqueline Silva, Silvana Lima, Brigitte Mayer, Yries Pereira, Andréa Lopes, Juliana Quint, Larissa Barbieri, Juliana Guimarães, Tais de Almeida, Suelen Naraisa, Mariane Kerr e eu.
A vibração brasileira era forte, surfamos de igual para igual com as gringas e torcemos até o finalzinho pela Jaque, que ficou em segundo lugar na competição. Parabéns Jaque, você merece! Valeu por estar sempre representando bem o Brasil e nos botando na frente!
O nível do WQS está bem forte, as meninas estão quebrando e mostrando que o surfe feminino não para de evoluir dentro d’água. Muita manobra forte, surfe de linha, explosão e inovação.
A australiana Jessi Miley-Dyer surfou muito bem durante toda a competição, desbancando a campeã mundial e local do pico Sofia Mulanovich. Mesmo assim, Sofia deu um show à parte e mostrou porquê é campeã mundial, levantando o público na praia em cada manobra realizada.
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O campeonato terminou no dia 6 e cada atleta brasileira tomou seu rumo. Algumas voltaram para o Brasil, outras continuaram em Punta Hermosa; mas, eu e Juliana Guimarães embarcamos para Cusco. Uma nova aventura.
Saímos um pouco do universo do surfe e fomos conhecer um dos lugares mais famosos do mundo, Machu Picchu.
CUSCO: Antiga Capital do Império Inca, Capital Arqueológica da América, Patrimônio Cultural do Mundo e Capital Histórica do Peru. Altitude: 3.350m.
Cusco fica situado no famoso “Vale Sagrado Inca” e nós fomos conferir tudo de pertinho.

Nos juntamos a mais quatro brasileiros que tínhamos conhecido na pousada de Punta Hermosa e fomos conhecer o tão famoso Vale.
Fizemos um tour pelo Vale e conhecemos vários grupos arqueológicos incas: Pisaq, Chinchero e Ollantaytambo. E no final, pegamos um trem até o vilarejo de Águas Calientes, onde dormimos.
No dia seguinte acordamos às 6 horas da manhã e pegamos o primeiro ônibus que subia até a cidade de Machu Picchu.
A cidade arqueológica de Machu Picchu é incrível. Com certeza o lugar mais místico que já conheci. Eu e a Ju ficamos deslumbradas com a beleza e o poder daquele lugar.
Passamos quatro dias em Cusco e gostaríamos de ter ficado mais. Mas as ondas estavam bombando no litoral e nós ainda tínhamos o norte do Peru para conhecer.
Saímos de Cusco direto para Mâncora (ao norte). Foi uma viagem longa e demorada, mas valeu a pena. O norte do Peru é completamente diferente, água quente e clara e ondas tubulares.
Na terceira e última etapa da nossa viagem contamos com a presença da repórter chilena Mônica Nilo, que trabalha para a revista californiana Surf Life for Women. Ficamos hospedadas na Pousada da Pilar, primeira surfista de Mâncora.
Todos os dias nós quatro acordávamos bem cedinho e íamos surfar antes do café da manhã. Na região de Mâncora o surfe pela manhã nunca tem vento, o mar fica um espelho e as ondas lisinhas.
Ao contrário de Punta Hermosa, em Mâncora os point-breaks quebram para e esquerda. Surfamos vários picos, como Mâncora, Organos, Lobitos e El Hueco. Lobitos foi a onda mais extensa que surfamos no Peru.
A onda boa de Lobitos proporcionava mais de dez manobras, sem contar a seção de tubo. El Hueco foi a onda mais buraco, pois quebra muito perto das pedras e só tem um caminho, por dentro do tubo!
Em Mâncora foram mais cinco dias de puro surfe e diversão. Voltamos para o Brasil dia 19 de fevereiro com as energias renovadas. Foi uma viagem inesquecível, vamos ser sempre gratas à vibração positiva do Peru que só nos trouxe alegrias!
Hasta luego!
Confira galeria de fotos da trip para o Peru.