
Carismático, talentoso e polivalente. Não, não estamos falando de nenhum atleta de ponta do surf, e sim de Nilton Santos, o Niltinho, fotógrafo oficial da Associação Brasileira de Surf Profissional (Abrasp), ASP South America e também da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
O carioca, que completa 52 anos no próximo dia 16 de novembro, tomou gosto pela arte de fotografar em 1980. Na época ele era assistente de produção da revista Placar. O primeiro incentivo foi dado por Rodolfo Machado.
Machado era professor de curso de fotografia e deu uma apostila de presente a Niltinho. O irreverente carioca gostou e acabou mergulhando de vez na arte de fotografar.

A primeira oportunidade de exibir seu trabalho veio com o jornalista Marcelo Rezende, então Editor da revista Placar no Rio de Janeiro e hoje trabalhando como apresentador de TV.
Porém, a variedade de fotógrafos experientes no veículo impediram o crescimento de Niltinho dentro da revista, fazendo o carioca optar pelo trabalho de free lancer.
“Logo depois passei pela sucursal carioca da Folha de S.Paulo e pelo jornal dos Sports. Foi legal porque ampliei meus conhecimentos, aprendi a fotografar vários esportes, como natação, judô, golf e surf”, conta Niltinho.
O futebol sempre foi sua principal especialidade, mas o surf também ocupa enorme espaço no coração do carioca. “Aqui na praia a gente fica muito mais à vontade, sem tanta preocupação. No futebol é mais rigoroso, tudo é mais sério”, diz.
Segundo Niltinho, a maioria dos fotógrafos dos jornais não gosta de trabalhar em competições de surf. “Os caras chegam à redação arrumadinhos, com calça, camisa social, aí ficam sabendo que vão trabalhar na praia, com todo aquele sol. Nossa, os caras logo resmungam”.
Com Niltinho foi diferente. Seu primeiro trabalho no esporte dos reis havaianos foi em julho de 1988, numa competição nacional disputada na praia do Arpoador, Rio de Janeiro. “O mar estava grande, de ressaca. Fui tirando umas fotos e logo tomei gosto pelo surf”, fala Niltinho, que confessa ter ficado meio perdido no início.
“Não sabia o momento certo de clicar as manobras, mas logo percebi que um fotógrafo ao lado, se não me engano o Roberto Paes, estava clicando pouco tempo depois de mim. Logo percebi que eu estava um pouco adiantado, batendo as fotos antes das manobras, e passei a clicar na hora certa”, explica.
Para ele, fotografar o futebol é muito mais difícil. “A bola não pára, é preciso muita agilidade e concentração para não perder os melhores lances. Acredito que um fotógrafo de ponta especializado em surf fique uns três meses batendo cabeça para fazer um bom trabalho numa partida de futebol. Até mesmo quem é do ramo perde o ritmo se ficar uns seis meses parado”, fala Nilton Santos, que por coincidência é xará do maior lateral-esquerdo da história do futebol mundial.
Para quem não sabe, Nilton Santos, apelidado de Enciclopédia do Futebol pelo estilo clássico e pela enorme categoria, defendeu por 17 anos o Botafogo e foi bicampeão mundial pela seleção brasileira em 1958 e 1962.
Voltando ao carioca fotógrafo, ele é presença constante nas principais competições de surf do País. “Comecei a trabalhar na assessoria de imprensa do circuito brasileiro com o Moacir Ciro, no início da década de 90. Só que o Moacir andou meio desgastado com o trabalho e passou a bola para o João Carvalho, que até hoje está na ativa”, diz Niltinho.
“Conhecemos o João durante uma prova em Porto de Galinhas (PE). O cara estava com uma prancheta cheia de estatísticas, toda organizadinha. Ficamos impressionados com aquilo, ele sabia tudo sobre os atletas”, continua o fotógrafo.
“Uma semana depois teve um campeonato em Natal (RN) e recebemos uma grande força do João. O Moacir decidiu convidá-lo para ser seu assistente em São Paulo e algum tempo depois entregou o cargo de assessor de imprensa”, explica.
Com o tempo, Nilton passou a ser muito querido e admirado por todos que freqüentam os campeonatos, cativados por sua simpatia, irreverência e descontração.
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O principal cargo de Nilton Santos é o de fotógrafo oficial da Confederação Brasileira de
Futebol (CBF). O irreverente carioca está em todos os lugares por onde a seleção verde-amarela passa.
Niltinho começou a trabalhar com a seleção em 2001, durante a Copa América na Colômbia. Na época prestava serviços à Brahma, patrocinadora da seleção.
Em 2004, já com o patrocínio do Guaraná Antártica, a CBF decidiu levar uma equipe de profissionais da Comunicação para todos os jogos da seleção.

E lá estava Niltinho, sempre a postos para mais uma jornada de trabalho. Apaixonado por futebol e fotografia, ele não tinha do que reclamar, a não ser quando o assunto era o seu time de coração.
“Era vascaíno, mas tomei tanta raiva do Eurico Miranda que acabei parando de torcer pelo Vasco. Odeio aquele cara”, dispara Niltinho.
A seleção brasileira é motivo de orgulho para o fotógrafo. “Adoro estar com a delegação, é sempre uma honra. Todos são muito legais, o grupo tem uma união muito grande”, fala. “Tenho um ótimo relacionamento com a equipe, desde os jogadores, até a comissão técnica”.
Algumas estrelas do futebol brasileiro confessam admirar o surf e costumam até brincar com Niltinho. “O Ronaldinho Gaúcho, aquela figuraça, sempre brinca comigo, fica falando gírias de surfistas, dizendo que eu prefiro o surf ao futebol. Ele até pediu uma camisa do SuperSurf, já guardei pra ele e tudo”.
Dois momentos inesquecíveis se destacam na memória de Niltinho ao comentar sobre a seleção. O primeiro deles foi em 2004, durante um amistoso contra a seleção do Haiti, em 18 de agosto de 2004.
“Foi uma coisa incrível. A miséria predominando nas ruas de Porto Príncipe, várias pessoas morrendo de fome, mas uma multidão impressionante gritava emocionada ao passarmos pela cidade. Quase todos choraram, acho que ninguém vai esquecer daquilo”, emociona-se Niltinho.
Outra lembrança do fotógrafo é a conquista da Copa das Confederações, em junho deste ano, na Alemanha. “Antes de o campeonato começar, havíamos perdido uma partida para os argentinos nas Eliminatórias. A seleção começou mal a Copa, pois era época de férias e vários jogadores estavam cansados. Porém, no decorrer do campeonato o time foi se entrosando e pegando ritmo, até cruzar com a Argentina na decisão”.
“No dia anterior à decisão, fomos ao estádio para fazer o reconhecimento do gramado. Na saída, vimos que o ônibus dos argentinos estava chegando. Eles começaram a gritar como loucos, batendo nos vidros, xingando a gente. Os brasileiros ficaram assustados e revoltados com aquela cena”, revela Niltinho.
A atitude dos argentinos acabou motivando o Brasil a fazer uma exibição de gala na final e derrotar os rivais pelo humilhante placar de 4×1. “No dia da final, os jogadores brasileiros chegaram batucando e cantando com muita raiva antes da descida ao vestiário. A comissão técnica desceu primeiro, mas os jogadores permaneceram no ônibus cantando e batucando num ritmo acelerado e dotado de adrenalina, pareciam estar tomados”, conta o fotógrafo.
Durante a preleção, Parreira pediu para que eles lembrassem do que os argentinos fizeram no dia anterior e mostrassem que os brasileiros eram os melhores. “Nosso time estava numa concentração impressionante. Antes de entrar em campo, os caras se abraçaram a ficaram gritando que iam acabar com a Argentina, que iam mostrar quem eram os melhores do mundo. Uma vontade de vencer que deixava qualquer um arrepiado”, finaliza Nilton Santos.