
Depois de passar o ano novo no Rio de Janeiro acessando o site Gzero pelo Waves, eu sabia tudo o que estava acontecendo no Hawaii mesmo sem estar lá.
Voltei às ilhas no dia 17 com a missão de terminar meus trabalhos e surfar um pouco. Cheguei em Oahu e logo fui presenteado com ondas perfeitas de 8 a 10 pés perfeitos.
Surfei o dia inteiro, pois todo o equipamento estava em Maui com meus parceiros Luis Passos e Marcelo Dada.
Em minha primeira session optei por Sunset, peguei uma prancha do surfista profissional Yuri Sodré, uma Al Merrick 8’2 novinha, e desci as
ladeiras de Sunset como se estivesse de Ferrari…

Foi show de surf.
Meu discípulo e amigo Rafael Oliveira estava na água filmando tudo, achei ótimo! Dessa vez tinha alguém para me filmar. O Rafinha tem um potencial incrível, ele é um dos cinegrafistas mais esforçados da nova geração.
No dia seguinte, novamente fui pegar umas ondas em Sunset. O mar começou a subir e o vento estava fortíssimo. Vinha umas ondas bem grandes e os mais experientes vinham a todo momento voando do lip com tudo na bancada.
Decidi sair, pois pretendia estar inteiro até o final da temporada. Na seqüência fui para Pipeline checar as ondas e no caminho encontrei o Stephan, especialista em Pipe, dizendo que estava épico.
Como eu estava sem equipamento fiquei desanimado, mesmo assim fui lá conferir. Na areia encontrei o Pato se preparando para surfar, ao lado da esposa e cinegrafista Fabiana Nigol, que também está na lista da nova geração de bons talentos.
Logo vi uma série de uns 12 pés varrendo e algumas pranchas vieram parar na areia, como a do Sylvinho Mancusi, além de vários cinegrafistas que também foram amassados.
Fiquei assistindo ao show de Andy Irons, Jamie O’Brien, Fred Patacchia e cia. Os havaianos dominavam o pico, as ondas estavam lindas, era talvez o melhor Pipe que eu vi na temporada e eu sem câmera… Fiquei louco!
Meu amigo e irmão Bruno Lemos tinha acabado de chegar à praia, fiquei do lado
dele e dessa vez apreciei o dia como espectador.
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No final do dia Kelly Slater apareceu na praia e pediu educadamente para todos os fotógrafos deixá-los, ele e a Gisele Bündchen, em paz.
Eu conversei com ele um pouco respondendo que entendia a situação dele, mas.. Fazer o quê, Kelly! Não dá pra querer tudo perfeito.
Ser assediado por fotógrafos realmente é ruim às vezes, mas a solução pode ser a encontrada pelo tenista Gustavo Kuerten: “Vá para a praia, deixe a galera tirar quantas fotos quiser e garanto que no segundo dia ninguém estará nem aí para você”.
No dia seguinte chegou meu equipamento e no sábado as ondas alcançaram 10 a 12 pés. Fui pra dentro d’água!

Cheguei na praia às 7 da manhã, não tinha nenhum fotógrafo aquático e na água estavam os brasileiros Gulherme Tâmega, Paulo Barcellos, Hermano Castro, entre outros bodyboarders quebrando nos tubos, os caras são monstros.
Dentro d’água eles ditavam as regras do limite com incríveis tubos e manobras fantásticas. Havia poucos surfistas, pois o mar estava bem pesado. Parabéns galera do Brasil, estamos bem representados.
Vi o Rodrigo Coxinha e o Stephan também tentando a sorte, mas os dois foram varridos por uma série em Banzai de uns 15 pés sólidos. O Stephan nem pegou onda, saiu da água com um olhar assustado, mas de tarde o louco estava lá tentando novamente a sorte.
O Coxinha passou apuros e teve que soltar a cordinha em baixo d?água para não morrer afogado. Não tinha nenhum fotógrafo à vista na água e minha adrenalina estava a mil.
Vi um jet chegando no canal, era o fotógrafo Hank. Chegava também o mais louco cinegrafista aquático, Larry Haynes. Depois chegou outro louco, o fotógrafo Scott Aichner e o cinegrafista da Discovery Channel Chris Flower.
Preparei meu equipamento e parti junto com o Scott, nadamos na correnteza por mais ou menos uns cinco minutos e saímos a 300 metros do canal, eram 11 horas da manhã e o dia só estava começando…
Lá fora parecia que estava em outro planeta, fazia muito tempo que eu não filmava Pipe tão grande, os caras vinham lá de fora com pranchas enormes, 8’2 pra cima, na água apenas quatro fotógrafos. Normalmente ficam em média 20 fotógrafos, mas o negócio estava realmente pesado.
As condições foram melhorando e o crowd começou a chegar, o big rider Carlos Burle pegou um bom tubo e depois pagou o preço de surfar Pipe e se arrebentou nos corais, vi ele mais tarde com o braço todo enfaixado.
O cinegrafista Rafael Oliveira entrou na água para filmar os bodysurfers Henrique Pistilli e Rogério Caju num filme que eles estão fazendo da modalidade. Eles estão se preparando para o evento que começa no dia 27 de janeiro. Surfar de peito no Hawaii não é para qualquer um.
Às 3:30 horas da tarde eu estava exausto, fui para casa e dormi às 6:30 horas com a sensação de missão cumprida. Está previsto outro swell para daqui dois dias com 12 pés. Dizem que a direção do swell não será ideal, mas o negócio é esperar e ver o que acontece, então até lá.
Aloha
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