Picuruta Salazar surfa onda quilométrica na Pororoca

Os big riders Carlos Burle, Ross Clark-Jones e Eraldo Gueiros, acompanhados do surfista Picuruta Salazar, um dos maiores nomes do surfe brasileiro, participaram de uma expedição de sete dias de free-surf na Amazônia, onde praticaram tow-in nas ondas da Pororoca da Foz do rio Araguari, no Amapá, considerada uma das mais fortes e perigosas da região.

 

A barca, realizada entre os últimos dias 17 e 23 de março, foi organizada pela Red Bull, sob a coordenação do surfista e shaper norte-americano Gary Linden, ex-presidente da ASP, e batizada de “Pororoca – Surfando o Amazonas”. Os atletas chegaram a descer ondas de até 3 metros no quarto dia da expedição.

 

Mas o free-surf na Amazônia trouxe outras surpresas fora a possibilidade de fazer tow-in. O surfista Picuruta Salazar, com 145 vitórias contabilizadas na carreira, pode ter conquistado mais uma. Ele surfou uma onda por 35 minutos, percorrendo uma distância de 12,2 quilômetros.

 

“Não posso garantir, mas eu acho que é um recorde mundial. Nunca ouvi falar de ninguém surfar uma onda tão longa”, arriscou Gary Linden.

 

“A dificuldade de surfar a onda da Pororoca está na maré do rio que vaza na direção contrária, no sentido do mar. O segredo é pegar a onda quando ela abre e sobe, e sem o jet-ski isso seria impossível”, disse Salazar.

 

Sem surfar havia três meses, por causa de um acidente sofrido no Hawaii, quando machucou seriamente a pélvis e o joelho, Carlos Burle estreou sua volta à ativa numa onda jamais imaginada.

 

“O prazer de surfar essa onda é único. Ela reúne tudo que um surfista almeja: é longa e acontece numa região maravilhosa como a Amazônia”, afirmou Burle, que apesar de ainda não estar completamente recuperado, faz planos para disputar o Red Bull Big Wave África em julho.

 

Nos últimos dois anos, Linden e o pessoal da Red Bull viajaram três vezes para a região com o objetivo de levantar a melhor logística para permitir o máximo de aproveitamento da

onda, com o mínimo de risco.

 

“O jet-ski foi muito importante para dar mobilidade aos surfistas e colocá-los várias vezes na mesma onda a qualquer momento”, contou Linden.

 

“A dúvida era se os jets-ski atolariam nos bancos de areia, como os botes voadeiras”, explicou. “Nunca ninguém fez tow-in na Pororoca”, garantiu Eraldo Gueiros, parceiro de Burle na busca por ondas grandes.

 

Depois de definida a equipe, da qual também fez parte o surfista de Santos Rodrigo Tavares, o Sininho, representante da nova safra do surf brasileiro, o próximo passo era montar a logística certa.

 

Além de dois jets-ski, com sled e corda de tow-in, a expedição contou com uma embarcação principal, espécie de iate de 27 metros de comprimento, dois barcos de apoio, quatro botes de alumínio, chamados voadeiras, um bote inflável de resgate e um helicóptero.
 
É na lua cheia de março e abril que a onda da Pororoca da Foz do Araguari vem mais forte. Todos os dias uma caravana formada por botes e jet-skis rumava para perto da boca do rio com o oceano Atlântico cerca de uma hora antes da onda entrar.

 

Durante quase todos os dias de free-surf, a equipe contou com bom tempo, condição

rara na Amazônia. Os surfistas se revezavam à frente do jet-ski, um colocando o outro na onda, na busca pelo melhor surf na Pororoca. “Acho que dei um dos melhores cut-backs da minha vida”, confessou o australiano Ross Clark-Jones.

 

Jones já havia ouvido sobre a Pororoca, mas não imaginava que fosse tão surpreendente. “Surfar na Amazônia é uma experiência para poucos”, afirmou.

 

O big rider australiano e o surfista Sininho chegaram a ensaiar uma boa dobradinha depois de largados pelo jet na onda. Os dois surfaram uma seqüência perfeita. Ross na onda da frente de Sininho na de trás.

 

 

“Eu caía, remava e pagava a onda que vinha atrás. Fiz isso várias vezes. Nunca surfei tanto num só dia”, contou o santista. No total, 25 pessoas, sem contar os atletas, fizeram parte da equipe de apoio da expedição.

 

Uma equipe de filmagem contratada na Alemanha registrou todos os momentos da expedição para produzir um documentário exclusivo, que será distribuído para as emissoras de TV no final de abril.

 

 

 

 

 

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