Idade mídia

Pessoas normais

Ao telefone:

 

“Então, faz o seguinte, me liga no sábado pra gente ir surfar juntos. Vejo as ondas
aqui em Santos e você vê no Guarujá, aí decidimos aonde surfar. Mas me liga! Tô de prancha nova, louco pra surfar!”.
 
Na Surf & Beach Show:

 

“Fala Thiagão, beleza? Você já viu a minha prancha? Tá lá no meu estande. Passa lá pra dar uma olhada”.
 
No estacionamento de Pipeline, 1999:

 

“Caramba, parei pra ver se o mar tava bom e roubaram minha bike! E agora? Tem altas ondas, tô passando mal aqui pra surfar, mas como vou buscar minha prancha sem a bike? Não acredito!”.

 

Três frases absolutamente comuns na comunidade viciada em ondas. Fissura!! Fissura de surfar com os amigos, mesmo quando o mar não está lá estas coisas. Orgulho e tesão em mostrar a prancha nova pra todo mundo, mesmo que ela só seja mágica pra você. Incredulidade diante da possibilidade de ficar fora d´água, mesmo que por apenas quinze, trinta minutos.

 

Enfim, sensações tão intrínsecas para nós, que normalmente pensamos em surf todos os dias. Que num dia qualquer de trabalho checamos as condições de Bali no Wavescheck.

 

Para nós, que de certa forma sentimos prazer e inveja (no bom sentido) ao saber que um swell de sul se aproxima do South Shore havaiano nos próximos dias.

 

Prazer por saber que os fissurados de Oahu vão surfar, e inveja por não estar com eles. Sensações normais para pessoas como nós, que, até que me provem o contrário, são normais.

 

Vivemos, amamos, estudamos, trabalhamos e vamos deixando a vida correr em direção a um futuro melhor, à próxima surf-trip, ao próximo swell. Tudo normal.

 

Normal para nós e para os amigos dos diálogos lá de cima. Caras que também acordam pensando se tem onda e, mesmo que tenha, se vai melhorar. Caras que têm milhares de atividades – como toda pessoa normal – mas mantêm um canal aberto com as condições de surf. Caras que vivem, amam, estudam, trabalham e surfam! Assim como nós.

 

E, dentro da fissura pelo surf, um outro amigo ainda aconselha com entusiasmo:

 

“Quando você achar que o tempo está passando muito rápido, coloque a cabeça para fora da janela, sinta a força do vento da vida bater no seu rosto. Agradeça ao Todo e aproveite cada gesto, cada passada de parafina, cada posição do alongamento, cada braçada de remada, cada joelhinho, tudo é muito maravilhoso, sem falar da onda surfada”.

 

É isso. Quatro caras normais que vivem sintonizados na nossa psicopatia por ondas perfeitas!!

 

A propósito, ao telefone eu estava conversando sobre o próximo final de semana com Pauê, surfista bi-amputado depois de ser atropelado por uma locomotiva. Na Surf & Beach Show fui conhecer a nova prancha de Robson Jerônimo de Souza, o Careca, surfista que ficou paraplégico após um acidente de carro no litoral norte de SP.

 

No Hawaii, o roubado foi Alcino Neto, o bom e velho Pirata, surfista amputado após sofrer um acidente de moto. E o conselho final, de grande valia, é dado por Octaviano Bueno, Taiu, o surfista que ficou tetraplégico depois de um acidente em Paúba, litoral de SP.

 

E eu, ainda hoje, estava reclamando de não sei o que pela manhã?

 

Abraço e boas ondas para todos!

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)

Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.