Surf seco

Pesadelo da Paúba

Muitos criticaram Neco Padaratz sobre a decisão dele não ir para o Tahiti. Depois de lançar ao público o ‘trauma’ e causar tanta polêmica, me inspirei para falar do meu trauma… que levei durante anos de um lugar chamado Paúba.

 

Acho que já superei o trauma… mas nunca recuperarei a amizade de volta daquele lugar, que para mim, tornou-se sinistro.

 

Desde 79 ou 80 conheci aquele pico triangular, drop ‘top to botton’, cavadasso, tubular e a 10 metros da areia. Perigo de bater no chão ali é óbvio.

 

Se for assim… Pipeline também e Teahupoo nem se fala.

 

Sempre peguei ondas de drop desafiador ali e tubos com muita pressão. Quadrados. Aquele puto dia estava bem na areia. Demorava para entrar a série…e a onda em que eu me estrepei… foi a primeira da série [mais raso].

 

Foi um extremo sufoco conseguir sobreviver e viver depois desse moment, botar pra dentro e mergulhar no final do tubo… e rolar o impacto de Pescoço X Areia [novembro 1991].

 

Nunca mais quis olhar pra aquele lugar… Ali, para mim era o horror. Depois de nove anos resolvi entrar ali para superar o trauma.

 

Achei tudo normal, exceto pensar que na minha última entrada ali, era eu quem estava dirigindo o carro, e, ao chegar no pico, pude sair do carro andando e fui surfar.

 

Pela última vez até então…Que flash back! 

 

Olhei o pico quebrando e achei normal. Quebra-coco total… pertíssimo da areia. Saí fora e pensei… acho que não tem nada a ver… achei que era só uma barreira mental.

Durante o primeiro SuperSurf 2000, em Maresias, recebi a proposta de Julio Adler, que era um dos quentes do programa SuperSurf na TV daquele ano, para dar uma entrevista na praia da Paúba.

 

Concordei.

 

Fomos para lá, sentei na praia numa cadeira de praia, chamei um coco e tirei uma onda desafiando aquele lugar, fazendo a seguinte declaração: “A Paúba quis me derrubar, mas eu ainda estava ali”.

 

Depois de várias idéias gravadas, voltei para o carro. Com o som ligado alto, e com um drops Vita-C na boca, sentado no banco, mastiguei a bala e aspirei um pedaço dela.

Acabei ficando entalado para respirar e sem a força nescessária para tossir. O pior é que a galera brincava lá fora eu engasgado no carro e o som alto.

 

Fui perdendo o fôlego. Minha voz quase não saía e no olho, só lágrimas de engasgo.

 

Entrou o primeiro no carro e eu pedia… ‘abaixa o banco’… a minha voz quase não saía… e  não se ouvia. Por sorte, foi o ‘irmão’ capixaba Davi Hoffman que entrou no carro em segundo lugar, ouviu meu murmúrio, percebeu o drama, deitou o meu banco, ajudou apertando a minha barriga e o pedaço asfixiente de drops pulou para fora.

 

Salvo. Pensei bem, imagine que fim trágico-irônico seria o meu se fosse a minha hora?

Tá louco, sei lá… o que eu sinto daquele lugar é um grande respeito. E, se possível, também manterei distancia. Acho que o Neco está 100% certo.

 

Aloha, Taiu

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Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.