América do surf

Peru de volta ao topo

O quarto lugar obtido pela equipe do Peru no ISA World Surfing Games 2004, realizado em março no Equador, mostrou que o país de ondas de calibre inquestionável, e que teve um punhado de surfistas com destaque mundial nos anos 60 e 70, reascendeu as esperanças dos peruanos, que voltam a ser considerados uma das potências do esporte na América Latina e no mundo.

 

Nesta entrevista, Karin Sierralta, diretor técnico da equipe que disputou o ISA Games, fala sobre a retomada do surfe no país e diz que a escola peruana foi decisiva na formação dos atletas que representam o país nos circuitos mundiais.

 

Como você se sente depois do quarto lugar no Equador?

 

Ótimo, pois vi que uma das minhas principais metas como dirigente tornou-se realidade. Desde que comecei, primeiro como competidor, depois juiz e dirigente, meu sonho é o de que nosso país, com tanta tradição no esporte, boas ondas e talento, volte a ser uma potência mundial. Estamos próximos, felizmente muito próximos.

 

A que você atribui este resultado? 

 

Acredito que as escolas de surfe mais antigas, de pessoas como Magoo de la Rosa, Rocio Larrañaga e Muelas são responsáveis por boa

parte dessa evolução, bem como Nino Lauro, que sempre empenhou-se para que o staff peruano fosse o melhor. A Kaufman, por me ensinar e realizar muitos eventos no Peru há mais de 20 anos. E ao fato de eu nunca descansar até que a equipe peruana consiga viajar constantemente para compromissos internacionais: o intercâmbio é fundamental para um competidor. E, finalmente, à ALAS, que criou um circuito que ajudou muitos peruanos e latino-americanos em geral a evoluírem o nível de competição. Também atribuo o resultado à Sofia Mulanovich, que, dentro da ASP, já tinha tudo para chegar onde chegou.

 

Quem você destaca da equipe no campeonato?

 

Depois de Sofía, que não perdeu nenhuma bateria, Javier Swayne mostrou ser explosivo e arriscou bastante, com muita garra. E Gabriel Villarán apresentou muita técnica, motivação e radicalidade. Os três foram contundentes e precisos.

 

O que falta para haver peruanos no WCT?

 

Dinheiro, apoio da empresa privada no Peru.  Espero que depois deste resultado isso aconteça.

 

Como se explica o fato de o Peru ter regredido no surfe?

 

Acredito que isso se deve ao governo militar. Não tínhamos importação de produtos e nosso equipamento ficou atrasado em relação ao resto do mundo. Depois, houve alguns dirigentes que não permitiram que se ampliassem os conhecimentos no Peru.

 

Como está o trabalho do surfe peruano?

 

Há muita movimentação, mas não há união, peça fundamental para levar o esporte adiante.

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