Surf Adventures

Pérola brasileira

Surf Adventures 1 foi um filme que marcou época. Foto: Divulgação.

Respirei fundo tentando captar a energia do ambiente. O mar, as ondas, o barulho das espumas roçando os corais e a areia somados a doce brisa uivante formavam uma orquestra natural inspirando paz.

Cerrei os olhos e deixei a mente vagar. Uma cena se desenhava no subconsciente. Era o Danylo Grillo sentado em um iate tocando Falling in Love Again nas ilhas Mentawaii.

 

O som perfeito do Eagle Eye Cherry encaixava-se harmoniosamente com as ondas que quebravam sem uma gota fora do lugar. Teco, Grillo, Ribas, Trekinho e outros completavam o belo quadro flutuando sobre ondas de sonho.

 

Surf Adventures foi um filme que marcou época, como o antológico Endless Summer de Bruce Brown.

Cenas mágicas que jamais sairão da minha mente e que em momentos de estresse, no trabalho, trânsito e rotinas do cotidiano, são o combustível para acreditar que os sonhos são possíveis.

A excepcional trilha sonora abrindo com “Que país é esse?”, de Legião. Passando pelo Rappa, Charlie Brown, Jorge Ben, Cássia Eller, Caja Manga, Eagle Eye Cherry e muita música regional; resgatando um nacionalismo que com certeza estamos precisando!

As belas imagens de lugares exóticos e selvagens como Noronha, Indonésia e Cape Town faziam o meu coração acelerar de uma forma incontrolável.

Assistir aquelas ondas era um misto de sensações inexplicáveis. A cada drop, tubo, rasgada em linhas intermináveis, perfeitas, perigosas; me transferia mentalmente para as fantásticas paredes líquidas.

Pipeline, a rainha. O estrondo da onda explodindo na bancada. O tubo simétrico e o spray com o Renan saindo com a baforada, e ao final vibrando muito com a sua nota dez no templo sagrado havaiano.

Maverick’s, Califórnia. Local onde a natureza mostra toda sua força com montanhas geladas, violentas, que poderiam ceifar a vida em frações de segundos, embrulhavam meu estômago em um misto de medo e euforia no momento em que lembrava de Mark Foo.

Jeffrey’s Bay, África do Sul. Ecossistema perfeito, biodiversidade incrível. Zebras, leões, elefantes, girafas caminhando livremente pela relva sob um sol implacável, criando um colorido mágico.

O mais impressionante das imagens de J-Bay eram as geladas e perfeitas direitas de três a oito pés que quebravam intermináveis, sendo surfadas magistralmente pelos top 44 e os dóceis golfinhos que bailavam festejando a dádiva de fazer parte de toda aquela beleza.

Destaque para as performances de Teco e Peterson, que me fizeram vibrar muito, levando a bandeira brasileira ao podium.

Continuava a minha meditação caminhando pela terra do nunca. Como disse o Grillo, dando asas a imaginação…

Lembrava com lágrimas nos olhos dos depoimentos sempre bem humorados do Fabinho e do Binho Nunes; do super consciente Pedro Águia Muller; do Renan falando da eterna busca pela onda perfeita; do Grillo e Raoni falando que iriam surfar até o final da vida, e de como o mundo se torna colorido depois de uma seção de surf.

O feeling trazia fortes sensações também físicas com a tradução perfeita do amor, da paixão e dependência que temos pelo mar.

De repente o sol começava a se pôr mergulhando nas profundas águas do oceano e Por enquanto, cantada por Cássia, começava a tocar na película ao mesmo tempo em que o Phill tomava um Scotch no vôo de volta para casa e o Burle abraçava o Gross selando uma sincera amizade entre os guerreiros das ondas.

O sorriso moleque do Raoni e do Leo Neves me faziam imaginar como seria o mundo se todos fossem tão apaixonados pela natureza líquida como esses caras. Com certeza não teríamos guerras, fome, stress, trânsito e seríamos muito, muito mais companheiros.

É, Grillo, realmente viver na terra do nunca, jamais vai nos deixar crescer, seremos eternos sonhadores…

Continuo a assistir por muitas vezes essa pérola do cinema brasileiro e com a imensa felicidade de saber que ainda este ano teremos a sua incrível continuação…

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)

Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.