
Durante o verão europeu, o circo do surfe mundial desembarca no velho mundo. Em agosto e setembro chegam os gladiadores do circuito WQS, primeiro na Inglaterra e França, e depois, já quase em outubro, chega a elite do surfe mundial na costa basca de Espanha e França, para duas etapas do WCT, já no outono, que recebe boas ondulações no Atlântico Norte.
Além de ondas de qualidade, estar na Europa já é um grande prazer, surfando perto de castelos medievais e vinhedos famosos da região de Bordeaux, os surfistas podem aprender e saborear o que há de melhor da cultura ocidental. Outro destaque é a beleza das mulheres francesas, que fazem top-less sem cerimônia, deixando a galera bem animada.
Muita gente não percebeu, mas o simples deslocamento de um mês para frente nas etapas do WCT europeu tornou quase nula a probabilidade de não haver boas ondas na região.

O que antes era um risco devido às calmarias do verão europeu, se transforma em excitação devido à força das ondulações que anunciam o inverno durante a primavera européia.
Este ajuste que o circuito sofreu nos últimos anos, passando pelas melhores ondas do mundo em sua época de melhor potencial, deu uma nova cara ao circuito, e provavelmente teremos um perfil diferente de campeões daqui para frente. Este ano até foi cancelada a etapa portuguesa do WCT, por causa de um histórico de falta de ondas.
O problema é que o WQS, o circuito que decide quem vai competir nestas ondas, está sendo disputado em ondas bem diferentes, geralmente pequenas e sem janelas de espera.
Agora, por exemplo: em pleno verão francês teremos dois WQS seis estrelas e um de cinco, certamente muitos dias de flat e vencedores que se adaptam às ondas pequenas. Depois, caso os atletas se classifiquem, terão que defender seus pontos em Mundaka, seis, oito pés com duplo lip, e vão ter dificuldades.

Antes eles aproveitassem a viagem à Europa e fossem depois do WQS treinar naquela esquerda, a melhor onda européia, já pensando no futuro.
Para os brasileiros, o verão europeu sempre foi um palco ideal, nossos melhores resultados no circuito mundial têm acontecido na França, onde já tivemos mais vitórias inclusive do que no Brasil.
A maioria que vai à Europa me conta dos peitinhos na areia, das pranchas vendidas, das boas marolas de Lacanau e Hossegor, mas poucos falam sobre os tubos de dez segundos que quebram em Mundaka. Devemos aproveitar a similaridade das praias francesas e conquistar o maior número pontos e dólares, mas sem esquecer do futuro. Boa sorte.