Todo ano é a mesma adrenalina. Final de outubro e os hormônios da TPH começam a atacar o corpo da rapaziada que ataca as maiores e mais perfeitas ondas do planeta.

 

Eu sabia que somente um swell bacana de cerca de 3 metros havia feito a alegria da
galera cerca de um mês atrás, e que já fazia mais de uma semana que boas ondas não atingiam a costa norte da ilha de Oahu.

 

Cheguei na última quinta-feira à noite (10/11) e as poucas pessoas com quem troquei uma idéia no aeroporto não estavam muito otimistas com a previsão de um swell de 2 a 2,5m na sexta.

 

Fui dormir quebrado. Ou melhor, dei uma cochilada das 2 às 5 e foi isso. Peguei o pior itinerário da minha vida. Meu vôo saiu de SP, passou por Miami, Washington, San Francisco para enfim pousar nas ilhas. Normalmente são necessários somente dois vôos para receber as boas vindas no aeroporto de Honolulu.

 

Em resumo, eu estava me sentindo um trapo às 6 da manhã, enquanto checava as
primeiras series do dia em Sunset. Fuso horário trocado é pesado.

 

As ondas tinham cerca de 4 pés, 1 metro, mas às 2 da manhã, quando liguei para o serviço de medição de bóia, as ondas estavam com 9 pés e 14 segundos de intervalo, o que significava previsão de 6 a 8 pés, depois das 10 da manhã.

Decidi ir para a cidade arrumar meu computador e filmadora que estão com problemas, na companhia do amigo e shaper Eduardo Picollo. Na volta, lá pelas 15h30m, fiquei atônito quando vi duas séries quebrarem mais do que perfeitas em Laniakea.

 

Não tinha um pingo de água fora do lugar, 2 metros de pura perfeição. Acelerei a barca e peguei minha 6’7″. Um suco com duas colheres de carboidrato em pó foi perfeito para gerar um pouco mais de energia no meu corpo desgastado.

 

Vários picos tinham boas ondas, Sunset, Rocky Point, Off-The-Wall e até Haleiwa, onde rolava o Roxy Pro.

 

Vi o carioca Bruno Santos sair do mar em Rocky Point, onde outros brasileiros dividiam o line-up.

 

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Escolhi Laniakea e não me arrependi. Quando pulei na água na companhia de dois locais, tentamos entrar pelo canal ao lado da esquerda, mas ele só funciona até 6 pés.

 

Quando ultrapassa esse tamanho, o certo é ir pelo canal tradicional da direita, mas me pareceu que o mar estava subindo, de repente pela maré, e ficamos cerca de meia hora tentando furar a arrebentacao, mas as bombas de 2,5m não deram escolha a não ser
deixar a correnteza nos levar para o raso, onde pegarmos o canal da direita.

 

Nossa, que visual! Não dá para esquecer. Enquanto remava para o fundo, um cara dropou

uma onda do pico e emendou as três sessões jogando água pra todo o lado, manejando o que parecia uma 9 pés como poucas vezes eu havia visto.

 

Pé no bico, vocês devem estar imaginando. Que nada, rasgada na cara e muita velocidade. Quando o dito cujo acaba a onda no canal em cima de mim, percebi que era meu amigo Garret Mcnamara.

 

Só no Hawaii você vê uma galera manejar pranchas daquele tamanho dessa forma. Muito power.

Voltando ao fundo, as ondas não paravam de bombar e as cerca de 60 cabeças de japoneses, australianos, havaianos, brasileiros, mulheres, kids… espalhadas nas três seções não paravam de se movimentar.

 

Muita onda. Tubos, rasgadas e um vento terral fraco tornaram o dia inesquecível com a mulecada e mulherada toda na última seção.

Laniakea é uma direita que lembra Jeffreys Bay, mas na minha opinião ela tem mais volume de água gerando a onda, para mim uma mistura de Jefrreys com Sunset.

 

Surfei cerca de dez ondas épicas, mas uma foi especial. A maior série da sessão bombou no horizonte e a galera remou a toda para o fundo. E os quatro caras que dividiam a última sessão do outside pegaram uma onda cada um. Sendo que a última sobrou para mim.

 

Fiquei me sentindo como se estivesse numa sessão de tow-in. Minha 6’7″ deslizava nas lindas paredes como faca quente na manteiga até eu parar no último bowl da seção do inside.

Quando escureceu, sobraram umas dez cabeças no outside e, em uma série linda, dropei muito atrasado e despenquei lip-base. Fui varrido e só parei de tomar na cabeça quase no raso.

Saí amarradão do mar já à noite e me dirigi para o carro. Notei dois havaianos com cerca de 100 quilos esbofeteando-se a três carros de distância do meu. E eu tinha que passar ali para sair fora.

Quando passei na frente, um deles me chamou: ‘Hey, Brazilian!”. Pensei ‘tava tudo tão bom para ser verdade… era só o que me faltava agora, encenca com esses dois monstros’…

Aí, ele soltou: ”You ripped the longest wave I saw  today” (Você detonou a onda mais longa que eu vi hoje).

 

Na real, os doidos eram amigos e estavam treinando um boxe bem agressivo. No escuro, viajei… Mais um dia que fica na minha memoria forever.

Tem uma grande movimentação de surfistas e imprensa no North Shore. O circo está armado para as disputas do Pipe Master e das últimas etapas do WQS. Infelizmente, o título antecipado de Andy Irons tira um poquinho da graca.

 

Aloha.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)

Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.