Pat Rawson vem ao Brasil pela segunda vez

O shaper Pat Rawson, 50 anos, é considerado um dos melhores artistas do planeta no que diz respeito ao design de pranchas de surf.

 

Rawson já assinou foguetes para os melhores surfistas do mundo como Tom Carroll, Tom Curren, Sunny Garcia, Bruce e Andy Irons, Kalani Robb, Darrick Dorner, Makua Rothman e Vetea David.

 

E também para brasileiros, casos de Guilherme Herdy, Paulo Moura, Yuri Sodré, Eraldo Gueiros e eu.


Ele é pai de Ryan Rawson, 19, parceiro de Makua Rothman, vencedor do último XXL com uma onda de 66 pés, em Jaws. Rawson mora no Hawaii, mas trabalha ao redor do mundo durante todo o ano.

Nessa sua segunda visita ao Brasil, a convite da loja G Zero, ele pretende acabar as encomendas de sua primeira passagem pelo País, feita em julho passado.

 

Durante a encomenda  de um ”magic carpet” para mim na fábrica do Luciano Leão, no litoral norte paulista,  entrevistei o simpático shaper.

Você parece muito bem para um cara de 50 anos. O que você faz para manter a forma?

 

Já shapeei cerca de 70 mil pranchas. Se não fosse minha grande concentração em um estilo de vida saudável, hoje estaria aposentado. Faço yôga todos os dias e musculação quatro vezes por semana. E também acompanho meu filho, Ryan Rawson, em seus treinos de natação no mar e piscina. Apesar de viajar muito, tento sempre manter esse ritmo.

 

Como é seu itinerário durante o ano?


Esse último foi o que considero como “perfeito itinerário”. Moro no Hawaii e visito a Califórnia 12 vezes durante o ano. Fiz duas viagens para Japão, Europa e Brasil. E em cada uma dessas duas viagens faço cerca de 180 pranchas em três semanas.

 

A máquina de shape é indispensável para um trabalho desse calibre? O que você tem a dizer sobre isso? Fale um pouco sobre a diferença da máquina que você está usando (projetada pelo shaper Luciano Leão) para as outras existentes no mercado?

 

Essa máquina é show. Se não fosse ela de jeito nenhum conseguiria atingir esse número de shapes e, principalmente a qualidade. A diferença é que com essa máquina consigo mudar a curva, borda e flutuação das pranchas, enquanto nas outras você fica preso ao modelo, pois as mudanças são limitadas ao tamanho e medidas básicas.

Com ela consigo montar uma prancha com a rabeta de um modelo e o bico de outro etc. Por exemplo, aquela prancha mágica que fiz para você na temporada passada e quebrou no meio, eu tenho o modelo guardado na memória do meu computador. Com isso, posso fazer uma novinha 90% parecida

com aquela. Só mudaria um pouco devido a nova laminação e colocação de quilhas, que ainda são manuais. Eu diria que a máquina que usamos é de 2003 e as outras ainda estão presas a 1990.

 

Quais são suas pranchas preferidas? Aquelas que mais te inspiram em prepará-las?

 

Graças a Deus gosto de fazer qualquer uma. Tanto é que também trabalho com pranchas de kite e já fiz pranchas para windsurf, wakeboard etc. Ultimamente, tenho trabalhado muito em cima de pranchas grandes, longboards e também de alta performance, como as que faço para o Kalani Robb e meu filho Ryan.
Comecei uma empresa nova de pranchas de kite em sociedade com o meu filho e estou dispensando um grande tempo nisso. Gostaria de trazer meus modelos para o Brasil também.

 

No ano passado você comentou comigo que já estava desenvolvendo pranchas de surf com o material usado nas pranchas de kite, o  famoso bloco divinisel. Como anda esse projeto?

 

Já fiz diversos testes no Hawaii com meu filho, além do Darrick Dorner e Makua Rothman. A conclusão que chegamos é que o bloco divinisel, com uma laminação de glass e epoxi, é a opção do futuro. O material é bem caro, mas muito melhor. Essa mesma combinação com carbono não deu muito certo, pois a prancha perde flexibilidade. Isso também acontece muito com pranchas de madeira balsa. As pranchas de kite do renomado shaper Jimmy Lewis são a prova dessa minha teoria. Ele usa esse material que estamos falando e suas pranchas são um sucesso.

 

Quantas pranchas vai fabricar nessa temporada no Brasil?


Cerca de 75. Também planejei fazer 75 da primeira vez, mas infelizmente tivemos problemas com os blocos e não pude terminar todas as encomendas. Fica aqui registrado meu pedido de desculpas a todos os prejudicados. Mas, com certeza elas serão feitas agora, pois a entrega dos blocos está normalizada.
A equipe aqui no Brasil é muito boa. O Pipo, da Gzero, e o Luciano, da Surface, estão me dando todo o apoio e base possíveis. Espero agradar os clientes com altas pranchas.

 

O que você tem a dizer sobre nosso país. Quais são suas impressões daqui?

Há algumas semanas, estava na Europa e em uma entrevista me perguntaram a mesma coisa. O povo dos outros países subestimam o Brasil, mas eu sou um daqueles que posso, devo e tenho o prazer de ajudar vocês a melhorarem essa concepção errada que fazem daqui. Respondi a mesma coisa que falarei agora: Adoro o povo brasileiro, afinal vocês são muito alegres e acolhedores. O clima parece com o do Hawaii e a comida é impressionante. Aqui é tudo de bom. Meu filho também achou o mesmo e espero continuar vindo para cá. Só não me levem para Cubatão…(risos).

 

Encomendas e informações: GZero Store- 011-3704 7600

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